CARTAS
Geada e êxodo
O artigo do professor de História, Roberto Bondarik, publicado domingo último nesta Folha merece alguns reparos. Não li o que foi dito pela Folha (19/6), mas, não é verdade que a erradicação dos cafezais paranaenses se deveu à geada negra de 1975. As colônias das fazendas se esvaziaram a partir de 1963 não por causa de geada nenhuma, mas como consequência da entrada em vigor do Estatuto do Trabalhador Rural que, romanticamente, pretendeu estender aos colonos e demais trabalhadores das fazendas, e da noite para o dia, todos os direitos paulatinamente conquistados pelos trabalhadores urbanos. Os fazendeiros, alertados por suas assessorias de que o atendimento àquelas normas os levaria à falência, não titubearam em optar pela dispensa em massa daquela mão-de-obra, que continuaria ainda a lhes servir, porém, no sistema até hoje vigorante: como volantes ou bóias-frias. Este é o fato histórico. Se assim não fosse, as dispensas desses trabalhadores teriam ocorrido já a partir das geadas de setembro de 1942 (que queimou os cafezais até as raízes) e de 1953 e 1955, todas elas suportadas pelos fazendeiros (sem dispensa de colonos).
WALTER DE OLIVEIRA (serventuário aposentado) Bandeirantes
Feira-livre
Já que está sendo readequado o espaço físico da feira-livre central, torna-se necessária também que tal providência seja feita junto à feira-livre da Rua Augusto Severo, que ali é instalada às quartas-feiras. Aquela artéria é uma das principais ligações da Zona Sul com a Zona Leste; um corredor de trânsito muito movimentado. Não se justifica mais a sua interdição já que isso causa enormes transtornos para quem se desloca em ambos os sentidos e também para o aeroporto. Nos arredores da Rua Augusto Severo existem ruas de baixíssimo movimento, inclusive um grande espaço público vazio que poderia abrigar a feira, sem nenhum prejuízo para o desenvolvimento dos seus trabalhos.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina
Solidariedade
Há muitos anos assisti um filme onde a solidariedade de algumas pessoas que, numa corrente de amor, socorreram toda uma tripulação que em alto mar teria sucumbido por botulismo se não fossem socorridas a tempo. Se nos uníssemos para as boas causas, quaisquer que fossem, teríamos ótimos resultados. O que sugiro é simples e sem nenhum ônus, a não ser boa vontade e cooperação, para se evitar coisas desagradáveis e prejudiciais como bueiros entupidos e ruas alagadas pela enxurrada devido a entulhos, papéis e sacolas de plástico negligentemente jogados nas ruas. As lojas deveriam afixar dizeres alertando para esse descuido tão prejudicial à população. Por que cada um não planta uma árvore na rua em frente de casa que, além de purificar o ar, florida encanta os olhos.
IRENE CRUZ CORRÊA (aposentada) - Londrina
Falta de amor
Temos sido bombardeados pela imprensa sobre os últimos acontecimentos desastrosos de nossos políticos: deputados e ministros se agredindo. Acusam, denunciam, negam. Quem estará com a verdade? CPIs e tudo o mais adiantam? Cabe aqui afirmações tantas vezes repetidas: acabam em pizza. Vivemos mesmo numa selva de pedra: violência, insegurança, roubos, miséria, saúde abandonada, assassinatos, impunidade, desamparo pleno e total aos pobres. Fingem que ajudam os pobres, mas aumentam-lhes os encargos. Por que tudo isto? Falta de temor a Deus e, como decorrência, falta de amor ao próximo.
NATIVIDADE FARIAS DE MORAES (professora aposentada) - Londrina
Juros
A mania do controle da inflação pela pressão sobre o mercado de consumo como se comerciantes, sejam varejistas ou atacadistas, fossem os alimentadores da inflação é puro engodo. A visão do comerciante é a vender mais e lucrar. O industrial e o produtor também têm interesse em se capitalizar e auferir lucro. Ambos têm interesse de produzir mais e melhor enfrentando concorrência. Para baratear a produção e aumentar a quantidade do produto, além de aperfeiçoar métodos de trabalho e do maquinário, eles têm precisam de financiamentos mas é necessário que os juros e os impostos não sejam indiscrimadamente elevados.
FAHED DAHER (escritor) - Apucarana
Memorial
Parabéns à Sociedade Amigos do Museu de Londrina! No debate em torno do polêmico projeto do Memorial dos Pioneiros, realizado dia 31 de maio, a londrinense Maria Lopes Kireeff, ex-presidente da entidade, foi objetiva e convincente ao defender a proposta, elaborada pelo arquiteto, e também londrinense, Renato Viani. Assim como a maioria das pessoas que estiveram lá, também acho que o projeto não interfere nas linhas arquitetônicas e históricas do Museu Padre Carlos Weiss. Estranho o aparecimento de um movimento contrário ao projeto. Até parece que há interesses políticos por trás. Pelo que percebo, não teve polêmicas em torno das verdadeiras descaracterizações. Sabe o que é descaracterização? É o que aconteceu no bosque, que foi violentado com a construção do ''Zerinho''. Descaracterização são as inapropriadas e também ridículas grades que cercam o Museu de Artes, a antiga Rodoviária. Descaracterização é destruir um ginásio como o Colossinho; é manter, fechado e esvaziado, o Marco Zero de Londrina, que até hoje não tem o seu merecido valor.
RICARDO PIERRE (administrador de empresas) - Londrina





