Milagre
Assim classifico a proeza de um professor municipal de Cambé que ganha R$ 352,42 ao mês para trabalhar 4 horas. Como pode esse ilustre e tão valorizado profissional cursar uma faculdade, ingressar em curso de pós-graduação e ainda prover o próprio sustento e dos seus dependentes? Aí, depois de todo esse milagre vai então ganhar a quantia de R$ 581,52. Levando em consideração o aumento do salário minímo, um professor de Cambé estará recebendo praticamente um salário mínimo. Sendo que um professor de Cambé não conta com benefício algum, só o salário. É ou não é um verdadeiro milagre? Uma nação só evolui investindo na Educação!
ELISANDRA VENTURA DE ANDRADE (professora) Londrina
Propaganda
Diz bem o ditado que ''a propaganda é a alma do negócio''. É, pois, um incentivo que faz com que as pessoas atendam ao apelo propagado. Nas ruas de Londrina e de tantas outras cidades, as pessoas são diariamente abordadas com folhetos entregues de mão em mão ou pregados nos postes e placas noticiando a compra de ouro (jóias, relógios), brilhantes e cautelas da Caixa Econômica Federal. Salvo melhor juízo, essa prática é incentivadora também (e talvez principalmente) do furto ou roubo de quem tenha anel, corrente, gargantilha, pulseira, etc. É bem verdade que no folheto está escrito, além dos números de celulares para negociação, a advertência: ''Não compramos jóia de procedência duvidosa''. Será mesmo que o comprador exige a nota fiscal de compra e anexa uma cópia ao objeto adquirido para eventual fiscalização? E a quem cabe fiscalizar?
REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor e professor) Londrina
Oscar x CBB
Como grande admirador do esporte, principalmente do basquete brasileiro, fiquei estarrecido com a atitude do maior jogador de basquete deste país. O sr. Oscar Schimidt boicota a Confederação Brasileira de Basquete e cria a Nossa Liga de Basquetebol, saindo agora em jornais e programas de televisão dizendo que defendeu por vários anos a CBB, mas não aguenta mais ficar calado. Pergunto ao grande jogador de basquete: a CBB não faz um bom trabalho agora ou já não fazia antes quando você fazia parte e defendia tal Confederação? Não é covardia agora, já que está consagrado como grande campeão e não precisa da Confederação que fez parte, se revoltar contra ela e criar um ''novo'' campeonato nacional de basquete? Nas palavras de Chaim Zaher, proprietário do COC, patrocinador do Ribeirão Preto, ''Oscar foi um grande jogador dentro de quadra, mas fora dela tem muito que aprender''. Como torcedor do Londrina, continuo achando Oscar um excelente jogador, isso é indiscutível, mas pelas partidas jogadas aqui e com essa atitude agora, só prova que é um grande chorão também.
ANDERSON NESELLO (estudante) Londrina
Povo passivo
Há bem pouco tempo, assistíamos e vivíamos a greve dos servidores municipais que reivindicavam reajuste salarial. Saíram desgastados e sem seus direitos respeitados. Sabemos que em nosso país, especialmente na política, basta dar um tempo que tudo se acalma e volta ao normal. Hora de recomeçar os conchavos políticos, acertar as pendências. Sem fim eleitoreiro, é claro, Leonilso Jaqueta assume um cargo no Sercomtel, o qual foi indicado pelo Executivo estadual (somente para agradecer ao PMDB sua generosidade na campanha à reeleição municipal), pagando apenas R$ 10 mil mensais, tirados dos nossos impostos. Pagar dívidas com o dinheiro dos outros é muito fácil. Isso é só o começo das contratações ''legais e necessárias'' no Sercomtel. E os servidores municipais? E o povo? Talvez, o presidente Lula tenha razão ao dizer que somos acomodados e incapazes de levantar o traseiro do lugar para mudar as situações que nos incomodam tanto. Novamente estamos aceitando passivamente o que nos atinge diretamente.
ALZIRA RODRIGUES INACIO (escriturária) Londrina
Ataque de nervos
Um tema em que se resume o cotidiano que estamos vivendo. A Folha de Londrina fez uma enquete com meia dúzia de pessoas, numa brilhante reportagem, incluindo opinião de um sociólogo. Eu acrescentaria que o pior dos males é a impunidade, acompanhada da morosidade do Judiciário. Se pensarmos que o Poder Executivo é o maior descumpridor da lei e da Constituição, a coisa fica bem mais séria. Os aposentados sofrem as maiores discriminações e lotam os tribunais reivindicando os seus direitos. Quebra da paridade, cobrança de inativos, correção de benefícios em desacordo com a lei, trazem a esse contigente, da maior idade, aflição e desespero, mesmo porque, velhos e cansados pelo tempo, não teriam mais força para recomeçar tudo de novo e dar a volta por cima. O Estatuto do Idoso só existe no papel, e o massacre continua.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina

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