Violência
Londrina se assusta cada dia mais com a violência e se confessa amedrontada pelos mantedenedores da ordem. Confesso que hoje não sinto segurança quando encontro policiais, principalmente fardados. Quando passam nas viaturas, realmente assustam. Antes de escrever isso, consultei muitas pessoas sobre o tema. Nestes últimos anos, e de modo geral, o povo teme aqueles que deveriam lhes passar um sentimento de segurança. Como neurologista, tenho infinitos casos de mestras e mestres assustados em suas salas e nas saídas das suas escolas, principalmente as noturnas e distantes. Nesta semana em que um jovem desarmado é assassinado a pontapés por 22 soldados armados, em que se arrebenta um aparelho de som a ponto de rachar de cima a baixo um cassetete em uma festa em que o som está exagerado, e se diz que isso (em cadeia nacional) é ''acidente de trabalho'', acho que não merecemos mais o nome de nação porque nos faltam os mínimos indícios de respeito social. Matar a pontapés um moço desarmado é um crime que mostra o grau de selvageria de nosso esquema de segurança.
LINCOLN BRASIL E SILVA (médico) Londrina
Bode expiatório
Muito lúcida e corajosa as opiniões dos srs. Anísio Santos Oliveira e Allan James de Castro Bussmann ontem na seção de cartas a respeito da morte lamentável de Jamys. Precisamos tomar cuidado porque com este tipo de pressão em cima da Polícia, ao longo do tempo, teremos soldados com medo de tomar qualquer atitude contra quem quer que seja, sejam bandidos ou anormais que deixam o som no último volume até altas horas da madrugada. Concordo como demagógica e política o afastamento do comandante tenente-coronel Manuel da Cruz Neto como bode expiatório, pois o mesmo vinha fazendo um bom trabalho, apesar das condições totalmente desfavoráveis do mesmo governo que foi rápido para agradar aos eleitores. Que isto sirva de lição para todos, para que o bom senso seja aplicado antes de mais nada.
LAURO KLEBER (administrador de Empresas) Londrina
Reflexão
Inadmissível a maneira como alguns policiais militares agiram diante da situação em que teve como vítima o jovem Jamys. Porém, não se pode deixar de destacar que esse rapaz também estava infringindo a tão falada ultimamente ''Lei do Silêncio'' e que seus companheiros, segundo reportagens, desacataram os policiais em alguns momentos. Nesse conjunto de infrações juntou-se então a falta de respeito dos jovens que ali festejavam com o despreparo e truculência dos policiais diante da situação. Espera-se agora que as autoridades ligadas à segurança não queiram apenas se promover diante do ocorrido, mas que reflitam seriamente a respeito.
CLEBER CORREIA DE ANDRADE (documentador escolar) Londrina
Caso Jamys
O que ocorreu em Londrina quando policiais assassinaram um jovem em frente à própria casa, mostra que os dois lados estavam errados. Convenhamos que som alto de madrugada incomoda os vizinhos. A Polícia chega e pede para abaixar o som. Além de não abaixar, ainda aumenta mais o som? É caso de desacato e digno de prisão. O policial é mal preparado para exercer a função. Só lhe ensinaram a dar tiro e porrada na academia militar, e só pode dar nisso. E o que se pode esperar de uma instituição em que o próprio chefe fala que ''foi um acidente de trabalho''? Não são apenas os soldados que são despreparados.
MÁRCIO DICESAR BENASSI (escritor) Sertanópolis
HU
E agora? Alguém ainda acredita na coexistência pacífica, na democracia racial, no mito de que somos todos iguais? Mas admitamos. Eles nos fizeram um favor: provaram textualmente que não estão aptos (ou interessados) a tratar de negros e pobres. Viva as cotas!
MARIA LUCILDA SANTOS (advogada) - Londrina
Estagiários
Me desaponta ver estudantes universitários defenderem a exploração da grande leva de ''estagiários'' que as empresas de Londrina contratam a preço de banana e sem vínculo empregatício. A postura daquelas que dispensaram seus estagiários, alunos da UEL, para contratar outros em faculdades particulares já demonstra a falta de respeito pelos seus empregados. Sim, porque estes estudantes se sujeitam a 8 horas de trabalho por dia e chegam em sala de aula muitas vezes exaustos, prejudicando o aproveitamento no curso. Eu mesma fiz estágio durante a vivência universitária, porém é triste constatar que quando saímos com diploma na mão, muitas vezes a mesma empresa prefere contratar outro estagiário para ocupar o lugar do profissional já formado. Por quê? Porque estagiário ganha pouco e não dá despesas empregatícias. Vamos acordar, porque quando não for mais possível serem contratados para estagiar, vocês também estarão na grande fila de desempregados (formados) que perdem suas vagas para estagiários.
ANA PAULA BASTOS (formanda de Secretariado Executivo) - Londrina
Correção
- Diferentemente do que foi publicado ontem na 'Cena'' do Caderno Cidades, o autor da frase ''Penso, logo existo'' é o filósofo Rene Descartes.

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