CARTAS
Violência fardada
Quando surge uma situação de desobediência à lei em quem eu pensava? Chame a Polícia! E agora? Educadora de crianças, adolescentes e jovens inclusive de ''risco'' como vou abordar este ''assassinato militar''? Talvez, seja esclarecendo que não é o uniforme, o cargo, o bolso, a beleza que nos coloca diante de um cidadão. Pode ser até que atrás da farda, da aparência importante, esteja um covarde que precise de couraça para enfrentar a vida como nós enfrentamos naturalmente. Mas, e nós, simples pessoas, como ficamos? Investindo na Educação de ''qualidade'' de nossas crianças e jovens para formarmos maior número de pessoas melhores que impeçam ações tão desumanas em nome da lei.
LUIZA LEONOR CAVAZOTTI E SILVA (diretora Educacional da Guarda Mirim) Londrina
Já que a morte do jovem Jamys foi um acidente de trabalho, segundo afirmou o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, creio então que a esposa e a filha poderão ter algum tipo de amparo financeiro da cúpula militar para sobreviver. Se metade do salário dos policiais responsáveis pela barbárie fosse destinada à família da vítima, como exemplo, quem sabe diminuiriam os crimes bárbaros cometidos por policiais desajustados.
ROSANGELA PERUZZI (funcionária pública) Cambé
Após a morte, a sociedade nos transforma em anjos. É o que está acontecendo na lamentável morte do Jamys. Longe de defender a truculência da Polícia, mas transformá-lo em pessoa boazinha que não fazia mal a ninguém é admitir que todos podem transgredir a lei do silêncio em suas costumeiras festinhas familiares sem se importar com a vizinhança. No episódio, Jamys não foi tão bonzinho como deixa transparecer as declarações de seus amigos, basta perguntar aos vizinhos que chamaram a Polícia. Naquele momento ele incomodava e agia como um transgressor da ordem e como tal deveria ser tratado, embora reconheço que a ação policial foi excessiva e os responsáveis devem responder pelo excesso. Entretanto, não posso concordar com o sumário afastamento do comandante Manoel que agiu imediatamente, apesar de uma declaração infeliz dada à imprensa. Seu afastamento do comando é meramente político e damagógico.
ANISIO SANTOS OLIVEIRA (advogado) Londrina
Infelizmente o Brasil sofre de uma doença que tem aumentado a cada dia que passa, a falta de amor ao próximo. Não digo de amor a um bandido, e sim amor a um brasileiro, seja ele de uma família mais abastada, assim como de uma família mais pobre (bem humilde). E em conjunto com essa falta de amor vem a falta de treinamento, melhores salários, um amor maior pela pátria. Isto mesmo, falta amor pela pátria e também aos irmãos brasileiros. Não se ensina ao policial o quanto ele deve ser educado com as pessoas, sejam ricas ou pobres. Para o policial (não são todos), deve-se agredir primeiro para depois perguntar. Este é um costume do tempo da ditadura onde o uso de força era o melhor meio. Falta diálogo, tudo é feito na borrachada, e quem é o culpado? Não é o comandante e sim o Estado que não fornece meios para tornar estas pessoas mais humanas e responsáveis. Portanto governantes, equipem nossa polícia com pessoas de bem e lhes dêem ferramentas apropriadas, senão não adianta nada.
FRANCISCO CARLOS DA CUNHA (profissonal em telecomunicações) Londrina
Que os policiais erraram na forma de agir isto não se discute, porém será que só os policiais erraram? De acordo com matéria veiculada neste jornal (16/5), os policiais foram chamados pela vizinhança, ou seja, não foram até a casa de Jamys de alegres por que não tinham nada para fazer. Foram porque os vizinhos do senhor Jamys, incomodados com a falta de respeito dele, chamaram a Polícia para que pedisse a ele que diminuísse o volume do som. Ainda de acordo com a reportagem, os policiais chegaram de forma respeitosa e pediram para abaixar o som, porém foram desacatados e desafiados pelo próprio Jamys e pelos que estavam na festa, que segundo a reportagem já estavam ''alegres''. Se os que estavam na festa, inclusive a própria vítima, tivessem acatado o pedido dos policiais tudo poderia ter sido evitado. A polícia, por outro lado, poderia ter agido de outra forma. Aliás, todos poderiam. Crucificar a polícia e martirizar a vítima é um erro, pois todos erraram, assim sendo não houve culpados nem inocentes.
ALLAN JAMES DE CASTRO BUSSMANN (bacharel em Ciência do Esporte) Londrina
Residentes do HU
Infelizmente, estamos assistindo a algumas situações muito desagradáveis vividas por alguns dos membros da comunidade da UEL, os do HU. Situações estas que podem apresentar um exemplo do que vivem pessoas que participam de uma instituição pública ou privada. Para nossa tristeza, participantes da comunidade da UEL, agora é dela que parte a denúncia de ocorrências como as que têm sido relatadas em todos os órgãos de divulgação de nossa cidade. É preciso refletir muito sobre o problema. Não apenas no curso de Medicina, no HU, mas em todos os cursos, em todos os órgãos da UEL e em todas as instituições, sejam públicas ou privadas. Situações como essa podem estar sendo vividas em muitos locais. É preciso que as instituições preocupem-se com as mesmas, situações tais que podem estar agredindo não apenas numa dada situação. É hora, não apenas de refletir, mas, principalmente, de mudarmos nosso comportamento de agressores e agredidos dentro das organizações. É preciso agir de forma coerente e global, não adianta ser localizada e por tempo determinado. É preciso pensarmos que essas ações devem ser gerais e contínuas. Parabéns àqueles que começam a refletir e, especialmente, a agir com relação às posições éticas e morais.
NEUSA MARIA ORTHMEYER MASSARUTTI (professora) Londrina





