CARTAS
Sonegação fiscal
No Espaço Aberto de ontem o auditor fiscal da Receita Federal de Londrina, David Reinaldo Barros de Almeida, dá a entender que o presidente do Sescap-LDR, José Joaquim Ribeiro, defende a sonegação fiscal na matéria publicada no sábado nesta Folha. Foi uma leitura equivocada. Em nenhum momento defendemos a sonegação, muito pelo contrário, cobramos de nossos filiados e empresas que atendemos ética e seriedade. Temos a convicção de que a sonegação é um câncer da economia. Porém, o governo parece que quer matar a galinha dos ovos de ouro com essa carga tributária escorchante. O que dissemos, e isso não é segredo para ninguém, é que alguns empresários preferem sonegar impostos para manter vivos seus empreendimentos. O fato é que o governo parece não ter interesse algum em fazer de uma vez a Reforma Tributária. Quem tem um bom emprego privado ou público talvez não perceba isso, mas quem levanta todos os dias preocupado em manter sua empresa viva, pagar salários e garantir o emprego de seus funcionários sabe muito bem o que a carga tributária brasileira significa.
JOSÉ JOAQUIM RIBEIRO (presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Assessoria, Contabilidade e Perícia - Sescap) - Londrina
CEF e intransigência
No último dia 22, solicitei o recolhimento do INSS complementar no valor de R$ 144,82, devido por uma empregadora (denominada reclamada) atinente ao tributo originado em uma ação trabalhista, no posto de serviço da Caixa Econômica Federal (CEF) instalado na Justiça do Trabalho. Embora se tratasse de um cheque especial da reclamada, sacado contra o Banco do Brasil e destinado ao recolhimento de imposto decorrente da reclamatória trabalhista, a CEF se recusou a recebê-lo. O funcionário do posto alegou ainda que não poderia receber mesmo que se tratasse de um cheque emitido por uma outra agência da CEF e que só aceitava recolhimento em dinheiro. Deixo registrado aqui meu protesto contra quem de direito, isto é, contra a CEF, Banco Central, Banco do Brasil, INSS. Enfim, contra quem tem criado obstáculos ao empresariado que, sofre com a notificação de ''inusitadas reclamatórias trabalhistas'', ou mesmo ao cidadão comum cumpridor das suas obrigações fiscais para com a pátria, que parece ser comandada por robôs.
PAULO ROBERTO BONAFINI (advogado) Londrina
Debate religioso
A discussão que partiu do artigo do pastor José Soares Filho, publicado na Folha na última segunda-feira, e a resposta do frei Tadeu Luiz Fernandes, publicada no dia seguinte, revela a mediocridade de muitos dos atuais líderes religiosos. O Jesus que disse ''Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância'', não precisa deste tipo de discussão e baixaria, mas sim que a missão d'Ele seja continuada no homem de fé, com a promoção da justiça e da paz na humanidade. O fundamentalismo bíblico é maléfico! Leva a uma cegueira que faz perder-se em temas acidentais, enquanto o essencial passa despercebido. Isso já existe desde o tempo de Jesus. Em nome da fidelidade a Deus, alguns judeus mataram o Filho de Deus. E os míopes da palavra e da religião continuam de plantão. A melhor resposta para pronunciamentos ordinários é o silêncio. Pena que um medíocre sempre acha outro que o responda. Perde a sabedoria, a inteligência e o bom-senso; ganha o vulgar, a vergonha e o vexame para as instituições que representam. Jesus Cristo, com certeza, está longe desta ''briga''.
PAULO CARMELINDO VOLPE (representante comercial) - Londrina
Está certa a idéia de que não devemos usar um texto isolado do contexto para apoiar ou defender um conceito, principalmente se tratando da ''Palavra de Deus''. Mas certos textos são incisivos, não deixam margem para dúvidas, que é o caso de I Timóteo 2:15 e outros. Esses são textos-chave e os demais devem condizer com eles (a Palavra nunca se contradiz, mas se completa). A Palavra admoesta sermos ''santos'' e assim o devemos ser. Mas precisamos analisar o que é ser santo. Pela interpretação errada da Palavra, poderemos ficar numa situação de desânimo, visto que Apocalipse 15:4 afirma que ''só Deus é santo''. A palavra santo tem dois aspectos bem distintos: em relação ao homem ser santo significa tão-somente um processo diário de ''crescimento espiritual'', em ''graça diante de Deus e dos homens'', que será completado quando da segunda volta de Cristo, não aqui ou quando morremos. O outro aspecto é ser santo como Cristo foi e é, só é possível para alguém que não pecou (II Coríntios 5:31, I Pedro 2:22 e I João 3:5). Nós, simples mortais, nascemos em, e cometemos pecado (Romanos 3:9 e 10), ficando todos em um mesmo patamar, não tendo ninguém credencial ou mérito para ser mais ou menos santo diante de Deus. Pela oração todos temos liberdade e acesso a Deus para confissão dos pecados não sendo necessário fazê-la a outra pessoa igualmente pecadora.
OZÉIAS STELLE DE ALMEIDA (auxiliar enfermagem) Londrina
Minha resposta dada à agressão do pastor contra a fé católica quis ser a voz de milhares de católicos, em especial os mais humildes desprovidos de conhecimentos bíblicos que, na América Latina, são agredidos verbalmente todos os dias nas escolas, ruas, lazer e nas abordagens por evangélicos ou não em suas próprias casas. Já estamos cansados e, por isso, defendi publicamente uma agressão também pública à nossa fé. Se minhas palavras foram agressivas o que dizer então de São João Batista ou do próprio Cristo que publicamente chamou as ''autoridades político-religiosas'' do seu tempo de ''serpentes, raça de víboras, sepulcros caiados, iníquos, condutores cegos, mercenários e assassinos''! Leia e medite em: Mateus 3,7-10 e 23,1-39. Encerro aqui publicamente minhas ponderações mas, em minha paróquia, ofereço cursos bíblicos em defesa da fé católica.
PADRE FREI TADEU LUIZ FERNANDES-IFE (pároco da Paróquia Cristo Rei) Lupionópolis (PR)





