CARTAS
Papa e santidade
No artigo ''Que ícone é o papa?'' (Folha, 25/4) o pastor José Soares Filho questiona a autoridade e santidade do Papa João Paulo II, que praticou somente o bem à humanidade sendo reconhecido pelo mundo inteiro, sem contestação, inclusive chefes políticos e religiosos por ocasião de sua passagem desta para a vida eterna. Queiram ou não nossos irmãos de outras religiões, Jesus conferiu a Pedro a edificação de sua Igreja prometendo que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mat 16:18) instituindo-o chefe visível da igreja, sendo o primeiro papa. O próprio Pedro citando Moisés e Jesus Cristo pede que todos sejam santos porque Deus é santo (1º Pd 1:15,16; Mat 5:48; Lev 11:44). Oxalá todos fossem santos assim como foi João Paulo II, certamente o mundo seria bem melhor. Seria muito simplista dizer que a diocese de São Paulo foi dividida conforme insinua o pastor. Na verdade, ela foi multiplicada devido ao crescimento da população nomeando-se novos bispos para atendimento aos fiéis.
ANTONIO CAIBAS DA SILVA (contabilista) - Assis Chateaubriand (PR)
Se existe algo que prezo muito e faço todos os dias é ler a Folha e ser enriquecido com um dos melhores jornais do Brasil. Infelizmente, segunda-feira um pastor escreveu algo sobre os santos da Igreja Católica que acabou agredindo a fé de muitos católicos. Em contrapartida, ontem um padre escreveu um artigo usando da mesma forma agressiva textos sagrados para defender sua fé. Até quando nós iremos ver esse tipo de atitude vindas de homens que foram preparados para pregar o amor, a paz e a união entre os povos? Que as páginas desse tão estimado jornal continuem sendo usadas para enriquecer político-sócio-espiritualmente a vida de todos os leitores e não para promover uma ''guerra santa'' entre seguidores de uma mesma religião, ou seja o Cristianismo!
CLEBER LUCIANO DE LIMA (pastor presbiteriano) - Londrina
Concordo com o Frei Tadeu, pároco em Lupionópolis, quando afirma que o contexto não deva ser desconsiderado quando formos fazer referência a passagens bíblicas. E isso acontece justamente porque, quando descontextualizadas, algumas passagens bíblicas deixam de ter o sentido que tinham originalmente. Mas, antes de tudo, gostaria de alertar para o fato de que ''contexto'' e ''história'' não são sinônimos pois, enquanto ''história'' remete ao cenário social, político e econômico de uma época, contexto, dentro de uma história remete aos elementos da mesma história. Ou seja, aos elementos recortados da mesma que não são necessariamente reais, podendo também ser ficcionais: ou seja, tem que ser feita uma separação entre ''contexto bíblico'' e ''contexto histórico''. Agora, se fôssemos considerar a história propriamente dita, teríamos que arcar com as consequências dos Concílios de Nicéia, de Constantinopla e com a suposta indeterminação histórica da existência de Jesus Cristo. Na passagem em que o frei afirma que é encorajada a prática das pessoas orarem umas pelas outras, gostaria de entender em que ponto é afirmado que ''os santos'' podem fazer isso após a vida servindo então como intercessores dos homens. E qual é a explicação que ele nos dá para a aparente contradição entre essa suposta intercessão e a afirmação, citada pelo pastor, de que não há outro intermediário entre Deus e os homens a não ser Jesus Cristo. Outra coisa que gostaria de saber é em quais passagens que as contextualizações realizadas pelo frei invalidam ou questionam as afirmações feita pelo pastor.
VINÍCIUS MORAIS SIMÕES (estudante) - Londrina
Déspota
Todo déspota encontra guarida na terra brasilis. O ex-presidente Lúcio Gutiérrez, do Equador, é apenas mais um entre tantos outros ditadorzinhos que vêm para cá desfrutar de nossa hospitalidade e do nosso lindo litoral. Até aí tudo bem, estamos acostumados a dar asilo a generais, déspotas, ditadores, tiranos e ladrões. Aceitamos bem o turismo sexual, afinal somos um povo pacato. E é por todos esses motivos e mais alguns que não me atrevo a falar, que o Brasil é um paraíso para esse tipo de gente. Essa preferência pelo Brasil não é casual, ela é muito bem pensada. Lá no Equador, por exemplo, o povo foi para a rua e efetivamente meteu o pé no traseiro do Gutiérrez. Por aqui, muitos ingênuos ainda acreditam que o povo, os caras-pintadas, é que destituíram o ex-presidente Collor de Melo. E é aqui no Brasil, terra de ingênuos e pacatos, que a escória do mundo encontra um porto seguro para os traidores da pátria.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina
Discriminação em Portugal
Para quem já viveu em Portugal como eu, a notícia de maus-tratos a brasileiros não causa surpresa. Estive em Potugal por quase dois anos como estudande de mestrado e ouvi muitas histórias de brasileiros que foram humilhados na imigração. É um país maravilhoso, mas a discriminação é muito forte, principalmente em relação às mulheres. Quando fui renovar meu visto no Porto, fiquei chocada com o tratamento que dão aos imigrantes. Era uma sala ''3x3'', com 200 pessoas dentro, os atendentes aos berros, uma coisa de arrepiar. Só consegui ser bem atentida quando viram que se tratatava de visto de estudo e que eu era ''doutora''. Para você ser tratada bem tinha que dizer que era uma licenciada ou logo iniciam uma conversa com outras intenções. Viver em Portugal foi maravilhso. Aprendi muito, fiz muitos amigos portugueses, mas não consegui entender por que eles que dizem adorar o Brasil, as novelas, o futebol e quase sempre tratam tão mal os brasileiros que lá chegam.
ROSIMEIRE SANTOS COOKSON Blenheim (Nova Zelândia)





