CARTAS
Papel das Ongs
Ongs (Organizações não-governamentais) são grupos da sociedade civil organizada que surgem quando, por exemplo, causas sociais e ambientais são atendidas de maneira insatisfatória pelo Estado. A participação da população nas Ongs, como na idéia do mutirão, é voluntária e o entusiasmo move as ações do grupo. Uma participação comunitária independente é difícil. Ideais encontram pouco espaço na prática diária de uma população cada vez mais ''ocupada''. Uma sociedade sem tempo, dependente de seus governantes, não questiona a delegação das responsabilidades do governo às Ongs. Somos induzidos a crer que as Ongs estão aí para resolver os problemas do lixo, do velho, das crianças, dos animais... Desta desinformação surgem: Ongs por modismo, Ongs sem causa à caça de verbas, Ongs conectadas a grupos de interesse essencialmente econômico, Ongs acopladas a situação política, Ongs atreladas à oposição, Ongs fazendo o papel do Estado, Ongs que esquecem que o NG da sua sigla significa: ''não-governamental''. A função básica de uma Ong, diante de problemas, é despertar no indivíduo a consciência da importância de sua participação ativa na vida comunitária, de se informar e, na união, procurar o caminho para um bem-estar coletivo. Quando a causa que despertou a formação de uma Ong for assumida pela sociedade, a Ong deixa de ter sua função e se dissolve.
DANIEL STEIDLE (agricultor) - Rolândia
Empresas públicas
Há muito tempo não vemos o setor público atuando responsavelmente junto à sociedade. Antes, assistíamos ao sucateamento das estradas que visavam um futuro pedágio; ao processo acelerado de descomprometimento com a população, para alavancar as privatizações de empresas como a Copel e Sanepar; às diversas obras interrompidas, sem conclusão por falta de recursos, dentre elas a grande maioria escolas; ao sucateamento das universidades estaduais, sobretudo a defasagem salarial dos professores; entre tantos outros fatos que poderíamos elencar. O que a Sanepar faz nesse momento, ajudando Cidade do Leste no Paraguai, é uma lição e um exemplo, que responde a uma pergunta de extrema importância: para que(m) serve uma empresa pública? Pois bem, ela serve para mim, para você, ela serve à população, sobretudo a mais carente, a que necessita de maior cuidado e atenção; ela serve para mostrar que o lucro não pode se sobrepor à humanização, ela tem que atuar junto e em benefício da humanidade, da sociedade. Ajudar Cidade do Leste é mostrar para o mundo que é possível a integração e ajuda mútua de nações, sem que aja a necessidade de sugar suas riquezas, como fazem os imperialistas. Fique atento, a próxima privatização é das universidades. Vão vender nossa capacidade de pesquisa para gerar mais capital para o patrão, enquanto os trabalhadores perecem esperando uma oportunidade cair do céu.
DANIEL JOSÉ GONÇALVES (professor) - Curitiba
Hora de agir
Está na hora de Londrina cobrar dos seus representantes políticos, ações e investimentos que atendam prioritariamente os interesses do município. O flagelo do desemprego, na casa dos quase 20% de crescimento, é uma das vertentes da violência associada a outros fatores típicos do cidadão desocupado. Londrina tem na prefeitura um petista e no Ministério do Planejamento outro petista, que sabem das dificuldades que o município enfrenta por falta de oportunidade para o trabalho. E é neste Ministério, através do Bndes (Banco de Fomentos) que os investimentos acontecem. Vemos que o município carece de um planejamento que lhe garanta investimentos públicos e privados e os governos municipal e estadual devem ajustar esses interesses. A Acil - Associação Comercial e Industrial de Londrina deveria encabeçar um movimento neste sentido. A mobilização em torno desta idéia, sem dúvida alguma poderá garantir a Londrina a sua posição de terceira maior cidade do Sul do Brasil. Não em índices de criminalidade e violência como vem se destacando. Vamos juntos nesta caminhada.
ALDEMAR BENVINDO MASCARENHAS (empresário) - Londrina
Capitalismo
A produção capitalista busca a integração do mercado mundial se apresentando como a solução única para todos os países e para todas as carências da humanidade. A lógica deste sistema, entretanto, é ser acumulador de bens e serviços, por isso, é também, criador de desigualdades. A globalização, representada pelo sistema capitalista, é apenas, competitivo e nada cooperativo. Politicamente é democrático, porém, economicamente é ditadorial. Por essa razão, a economia capitalista destrói continuamente a democracia participativa. Onde implanta-se a cultura capitalista cria-se uma sociedade materialista e individualista. Estamos numa encruzilhada da história humana. No entendimento do pensamento de Montesquieu o poder precisa estar em diferentes núcleos, ou melhor, várias partes do mundo, de modo que um poder sirva de freio para um outro poder - uma balança -, para que haja, assim, um equilíbrio em toda parte do mundo. Há, também, necessidade de pesados investimentos na qualidade total de vida para que todos possam comer, morar com a mínima dignidade. Também se faz urgente cultivar o mundo de mais sabedoria que poder e mais espiritualidade que acúmulo de bens materias.
INACIO GOMES DA SILVA (estudante) - Londrina
* As cartas devem ser digitadas, ter no máximo 10 linhas e vir acompanhadas da fotocópia do RG, endereço, telefone e profissão/ocupação do leitor. Via internet: nome completo, cidade de origem, telefone, RG e profissão/ocupação. As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. E-mail: [email protected]





