CARTAS
Papa Bento XVI
Ratzinger, ou como queiram, Bento XVI, surge neste século 21, como um contraponto das grandes mudanças tecnológicas e sociais que asssistimos todos os dias. Responsável durante muito tempo pelo setor da Igreja, que no passado abrigou uma das páginas mais cruéis do Cristianismo, a Inquisição, hoje chamada Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Ratzinger se diz guardião da fé e moral católicas e não admite nenhum tipo de relaxamento doutrinário. A marca do que será seu pontificado já estava delineada em seu trabalho na Congregação para a Doutrina da Fé e na homilia proferida na missa pré-Conclave. Não acho que a Igreja deva deixar de lado os dogmas e preceitos que a mantiveram como estrutura sólida nestes mais de 2 mil anos de existência, mas como católico, penso que deveria haver um pouco mais de abertura no sentido de promover o diálogo sobre tantas coisas com que o cristão-católico se depara no seu dia-a-dia. Afinal, não ficamos dentro das igrejas apenas rezando, vivemos num mundo em contínua transformação que exige de nós respostas que, muitas vezes, não temos.
PAULO RIBEIRO (auxiliar de biblioteca) - Ibiporã
Estamos vendo o florescer de discussões onde se verifica um forte dualismo dentro da Igreja Católica. Temo que isso venha a crescer muito e tomar forma a tal ponto de trazer de volta o monstro infame do farisaísmo. A palavra pode ser pesada, mas retrata bem a questão de resolver problemas sociais e morais com regras religiosas. Não posso, e não devo, falar sobre o atual Papa Bento XVI, pois sua caminhada papal começou agora, e, em tão pouco tempo não conhecemos uma pessoa. Mas estou muito preocupado, tendo em vista o sermão proclamado pelo então cardeal Ratzinger quando em missa celebrada para o início do conclave, que o elevou a papa. Naquele dia, o celebrante em sua homilia, ''preocupado'' com o caminho da humanidade, se fez entender favorável ao fundamentalismo religioso. Será que agora com esta minha explicação, digamos até que é um tanto medíocre, não há motivos para que um ponta de preocupação ronde nossas mentes, no sentido de estar renascendo o mesmo comportamento religioso do tempo de Cristo?
PAULO ROGÉRIO SANCHES (advogado) - Londrina
A escolha do cardeal Joseph Ratzinger como líder espiritual da Igreja deve ser respeitada por todos os católicos. A missão principal da Igreja é promover a solidariedade, a fraternidade e a paz entre os povos. A Pastoral da Criança pede a Deus que o Papa Benedito XVI conduza este momento da Igreja de maneira a contribuir para a construção de uma sociedade mundial mais justa e fraterna, a serviço da vida e da esperança para todos.
ZILDA ARNS NEUMANN (coordenadora Nacional da Pastoral da Criança) - Curitiba
A eleição de um cardeal conservador para o papado parece transparecer um retrocesso no Cristianismo. O então cardeal alemão que fora contemplado para o trono romano foi declarado sumo pontífice em eleições rápidas, talvez para o próprio Vaticano demonstrar que a Igreja Católica não está dividida. Mas está. Tudo leva a crer que Bento XVI é de fato um papa de transição. O mundo espera um verdadeiro pastor e não um pseudo-soberbo guardião. O ecumenismo é necessário, e a Igreja Romana nunca foi e jamais será suprema. É preciso levar em conta o sofrimento e as angústias dos povos e somente o liberalismo com convicção de ideais fraternos e compreensivos relacionados aos problemas modernos de nossos irmãos é que poderemos ter a santa paz caminhando com a solidariedade entre as nações.
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba
Vejo com perocupação a escolha deste cardeal. Queira Deus que esteja enganado. O que sinto é vem pela frente uma verdadeira ''guerra'' religiosa. Os choques serão inevitáveis. Já começaram! Se a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado que não será perdoado, então os cardeais que elegeram esse homem estão na ''corda bamba'', pois segundo suas declarações era o Espírito Santo que agiria em suas mentes para que escolhessem o novo sumo pontífice. Que Deus tenha misericórdia da Sua criação e da Sua obra.
ANGELO VALERIO KALOCSAY Londrina do portal Bonde
Atendimento a detentas
Achei uma excelente idéia trazida pela reportagem ''Atendimento ginecológico é prestado no próprio DP'' (Cidades, pág. 4, 19/4). Assim, as detentas não precisam se deslocar em carros, sendo expostas sempre às barbáries dos policiais que as conduzem.
SEBASTIÃO SARAIVA FREIRE Londrina do portal Bonde
Sindicombustíveis
Em relação à matéria ''Justiça determina que postos de Curitiba baixem os preços'' (Economia, pág.3, 6/4), gostaríamos de fazer a seguinte correção. O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, não disse, em nenhum momento, que agora é o maior defensor da volta do tabelamento dos preços dos combustíveis. O que ele disse, na verdade, num momento de desabafo, foi que se fosse para tabelar a margem de lucro o melhor seria tabelar o preço de uma vez. Da maneira que foi colocado ficou a impressão de que o presidente estaria levantando uma bandeira a favor do tabelamento de preços, o que é incorreto. Da mesma maneira, gostaríamos de reforçar que o tabelamento da margem de lucro para álcool e gasolina realmente pode levar vários pequenos empresários do setor de combustíveis à falência.
ASSESSORIA DE IMPRENSA SINDICOMBUSTíVEIS Curitiba
- Nota da Redação: Conforme o senhor Fregonese admitiu, ele mesmo fez alusão ao termo ''tabelamento de preços''.
Correção
- O crédito da foto de ontem da reportagem ''Ministro garante infra-estrutura em assentamentos do Vale da Ribeira'' (Geral, pág. 8) é do repórter-fotográfico José Suassuna.
- Diferentemente do que a Folha publicou ontem na matéria ''Bento XVI é intelectualmente superior'' (Especial, pág.4), o Concílio Vaticano II foi realizado entre os anos de 1962 a 1965.





