CARTAS
Trânsito caótico
Não é novidade dizer que o trânsito em Londrina é caótico, que os motoristas/motoqueiros são irresponsáveis. Mas não podemos deixar de lembrar que o órgão que deveria tentar diminuir este ambiente de guerra entre carros/motos/pedestres ajuda bastante. A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) prima por ações que parecem ditadas para tumultuar o que já é tumultuado. Alguns exemplos: descendo a Maringá na esquina com a Faria Lima/Humaitá aquele enorme trânsito, em vez de impedirem totalmente o estacionamento do lado direito eles deixaram uma vaga, então todo o fluxo que se dirige para a UEL tem que contornar quem quiser ali parar; descendo a Sergipe a partir de um certo ponto deixa de ser proibido parar e estacionar e passa a ser proibido estacionar, só que a faixa amarela está lá, então cria várias situações de risco; vários pontos do Centro estão destinados para carga e descarga, que acabam sendo locais de estacionamento exclusivo do estabelecimento comercial. Por que a carga e descarga no Centro não é após as 20 horas até as 6 horas? A disputa de locais para estacionar entre carros e motos poderia ser resolvida se existissem locais exclusivos para ambos. Estacionamento de moto, carro não estaciona. Estacionamento de carro, moto não estaciona; a falta de vaga na área central é grande, então a CMTU permite que as entradas dos edifícios sejam suficientemente largas para entrar um caminhão; na Maringá, próximo à Fernando de Noronha, a autorização para se estacionar no recuo em vez de aumentar diminuiu a quantidade de vagas, pois é proibido estacionar no local público e no recuo só clientes dos estabelecimentos comerciais; na João Cândido, em frente à CMTU, a via é sinalizada com uma faixa amarela, sinalizando que é proibido estacionar, só que tem uma placa dizendo que após as 19 horas é permitido, mas esta placa fica totalmente no escuro. Não é para tumultuar? Muitas vezes a solução é ser simples.
CLAUDIO ESPIGA (engenheiro) - Londrina
Relatório do Incra
Fiquei bastante decepcionado com a reportagem retratando a opinião do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, sr. Celso Lisboa de Lacerda, a respeito das conclusões do relatório da CPI da Reforma Agrária da Assembléia Legislativa do Paraná. Tive oportunidade de ler uma cópia, na íntegra, do relatório citado, no Sindicato Rural de Guarapuava, do qual sou associado, e devo admitir que realmente este cita como um dos pontos a serem estudados na questão da Reforma Agrária os tais índices de produtividade. Esse assunto, porém, na minha opinião, é completamente irrelevante pela simples razão de que se uma propriedade agrícola, que é uma empresa inserida em um mundo globalizado, com necessidade de competir com produtos do mundo inteiro, inclusive subsidiados, não for eficiente, invariavelmente está fadada a falir, a ser vendida. O que o sr. Celso de Lacerda, infelizmente, esqueceu-se de citar é que uma das principais constatações dos parlamentares, que visitaram vários projetos de Reforma Agrária em todo o Estado do Paraná, foi a ineficiência absoluta desse modelo de assentamento. O relatório cita inúmeros casos de vendas e arrendamentos ilegais de lotes; ausência total de controle por parte do Incra sobre quantas e quais famílias já receberam lotes e quais os venderam e voltaram aos acampamentos para serem novamente beneficiados; desmatamentos descontrolados; além de vários outros crimes ambientais, como a derrubada, em curtíssimo prazo, de 10 mil ha de Mata Atlântica, um desastre ambiental de proporções gigantescas, como comprovou a Universidade Federal do Paraná, provocado pelos assentados de Rio Bonito do Iguaçu, e a total e completa inviabilidade da grande maioria dos projetos, em parte devido à falta de apoio público após o assentamento, e em parte por completa inaptidão agrícola dos beneficiados.
KARL EDUARD MILLA (engenheiro agrônomo e agricultor) - Guarapuava
Idéias Inovadoras
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante os oito anos do seu governo, não foi nada econômico na criação de novos tributos bem como no aumento da base de cálculo de outros tantos. Medidas estas sempre muito criticadas pelos partidos de oposição. O PT, para não fugir à regra, sempre foi o mais contundente nas críticas à alta carga tributária brasileira, sem a consequente contrapartida do poder arrecadador. A CPMF e a Cide fazem parte da herança da era FHC, aquele com o objetivo de arrecadar para melhorar e ampliar o atendimento à saúde, o segundo também para ampliar e melhorar a malha viária do país. No governo há mais de dois anos, o PT nada fez para tentar diminuir a tão criticada carga tributária e de carona tentou emplacar a famigerada MP 232. E o que é pior: relatórios do próprio governo dão conta que menos de 50% do montante arrecadado com a Cide tem sido efetivamente aplicado na construção e conservação das rodovias brasileiras, que estão em estado lastimável com pontes caindo e vidas sendo ceifadas. No caso específico da saúde, não sabemos qual o percentual da CPMF tem sido efetivamente aplicado no setor. Sabemos sim que, esta continua de mal a pior, pessoas continuam morrendo por falta ou deficiência no atendimento a um direito fundamental: o de ter saúde de qualidade. O ministro da Saúde, Humberto Costa, pretende criar procedimentos seletivos visando a ocupação ''racional'' do escasso número de vagas em UTIs. Será que a administração do PT vai selecionar quem deve ou não morrer pelo critério da cor dos olhos ou devido ao maior ou menor poder aquisitivo do doente?
LOURIVAL BARBOSA (sociólogo) - Londrina
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