Londrina x Maringá

A respeito do editorial ''Inexplicável diferença em criminalidade entre Londrina e Maringá'' (13/4), gostaria de dar minha contribuição testemunhal, já que morei em Maringá de 1959 a 1970 e resido em Londrina desde 1974. É óbvio que vários fatores contribuem para o grande desnível da segurança entre ambas as cidades. Porém, um motivo que reputo dos mais fortes deve ser considerado para tal. Trata-se do estilo das administrações municipais. Lembro-me muito bem que no início da década de 60, o então prefeito João Paulino Vieira Filho, para não permitir a instalação de favelas em Maringá, foi rigoroso na fiscalização nas áreas de edificação, concessão de habite-se e zoneamento urbano. Adotou, também, a contundente prática de mandar derrubar com tratores, todos os barracos e outras edificações que fossem construídos sem o devido alvará municipal. Com isso, criou-se um modelo para o setor que posteriormente foi mantido pelos prefeitos que o sucederam. Já, aqui em Londrina, tivemos prefeitos que adotaram um estilo totalmente oposto. Com a preocupação de construírem casas populares, atraíram muita gente para Londrina em quantidade muito superior à capacidade de absorção dos conjuntos habitacionais por eles construídos. Utilizaram-se disso até em campanhas eleitorais para deputado em outras cidades da região e a fama de Londrina passou a ser de uma cidade onde existia moradia para quem quisesse vir para cá, e deu nisso! Sem habitação para todos, permitiu-se a invasão de terrenos públicos, legalizando e oficializando o favelamento. Sem demanda de empregos o povo ''se vira como pode'' e as consequências disso são: subemprego, baixa rentabilidade da população, falta de dinheiro, roubos, assaltos, drogas e crimes. Talvez esse enfoque jogue um pouco de luz sobre esse interessante tema.

LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina


Flanelinhas

Quero parabenizar a Folha pela reportagem sobre os desocupados (vulgo flanelinhas). Fico indignado com a ação desta categoria que cresce mais que tiririca. Nós não temos liberdade de estacionar o carro em um clube, restaurante, bar, teatro ou qualquer outro lugar que já aparece um desocupado para nos atormentar. Na quarta-feira, por exemplo, estava caminhando às margens do Lago Igapó 2 e fiquei observando a ação dos desocupados, abordando os motoristas que estacionavam na Av. Higienópolis, nas proximidades do Iate Clube onde, mais tarde, aconteceria uma palestra. Eles, descaradamente, pediam R$ 5,00 e pagamento antecipado, isto porque, antes do término da palestra, eles já teriam sumido para outro lugar para extorquir outros motoristas. Faço uma sugestão à CMTU e à PM para que promovam uma campanha forte para que ninguém dê dinheiro algum a eles, sob hipótese nenhuma, e se alguém se sentir ameaçado chame a PM, que deverá dar sua contribuição atendendo por este chamado e procurando circular mais vezes por locais onde há maior concentração dos desocupados. Como vimos na reportagem da Folha, muitos dizem que já tiveram ofertas de empregos mas não aceitaram, o que não é difícil de entender. Para que ter patrão, ter que cumprir horário, trabalhar de segunda a sábado, se podem vagabundear, ''trabalhar'' a hora que querem e onde querem? Além do que, extorquir é mais fácil que cumprir 30 dias de trabalho. É importante frisar a necessidade de uma medida urgente para combater esta praga, do contrário, pagaremos um alto preço pelo descaso.

ROBERTO ALMEIDA LEITE (representante comercial) Londrina



Grafite, um exemplo

Partindo daquele pensamento de que ''há males que vêm para o bem'', o jogador Grafite vira exemplo para que outros possam agir quando se sentirem afetados por discriminação racial, xenofobia, exclusão social, mesmo no Brasil onde as pessoas da raça negra são tratadas como escravos, principalmente em locais de trabalho e espetáculos culturais. Lamentavelmente o que temos visto na União Européia é a discriminação e xenofobia contra os jogadores, inclusive brasileiros e africanos. Muitos são ídolos em seus times, porém as torcidas adversárias levam cartazes e bananas aos estádios, até mesmo na Polônia, um país católico que poderia dar o exemplo de igualdade. Não tenho conhecimento de que por lá alguém foi preso por tal ofensa, porém aqui o exemplo do jogador Grafite, que sofreu na pele a discriminação feita pelo desconhecido jogador Desábato, do Quilmes, fizeram as imagens correr o mundo. Mérito também ao delegado Oswaldo Nico Gonçalves que deu voz de prisão ao argentino em frente às câmeras. Tenho certeza de que a prisão do jogador levará todos aqueles que insistem em denegrir e menosprezar as pessoas de cor, a uma profunda reflexão.

JOSÉ PEDRO NAISSER (aposentado) - Curitiba


Caso Grafite

O papa João Paulo II pediu desculpas aos judeus pelo passado de injustiças. O presidente Lula pediu desculpas aos africanos pelo passado de escravidão de seu povo em nosso país. Desde já me preocupo e peço desculpas ao povo argentino pela demagogia de nosso País em começar a consertar o preconceito e dar exemplo ao mundo numa partida de futebol onde os jogadores estão nervosos. É claro que temos de respeitar todo tipo de raça e cor, mas vejo a mídia descarregar sua ira em cima de um erro de uma pessoa inofensiva. Será que alguém de nós poderia jogar a primeira pedra? O bom exemplo ao vizinho se dá pela nossa casa.

OSMAEL CHIAVELLI PUGA (comerciante) - Apucarana

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