CARTAS
Transporte no sufoco
Não aguentamos mais a superlotação de determinadas linhas de ônibus. Pagamos caro esse transporte, mas a administração parece não se preocupar muito. Precisamos lembrar nossos queridos vereadores e prefeito que Londrina não tem memória curta, não. Quem não se lembra do rapaz que morreu no terminal de ônibus numa manifestação contra o aumento das passagens? Foi muito fácil julgá-lo como irresponsável deficiente, mas a população toda queria que o valor da passagem não subisse. Quer dizer se o manifesto tivesse sido positivo e alcançado êxito, os londrinenses seriam beneficiados? Será que Londrina tem o transporte que merece? Nosso povo trabalha muito, trabalha do jeito que pode, pois emprego decente é luxo em nossa cidade. Uma cena que poderia ser hilária, se não fosse tão ridícula, é a saída de alunos dos colégios centrais da cidade, na qual há muito empurra-empurra e gritaria. As crianças saem com muita vontade de ir para casa, pois a fome é aparente, mas é preciso tanto sofrimento para entrar em um ônibus? No terminal Acapulco a situação não é diferente. Basta observar as linhas que vão para o centro, principalmente o Parador e o Expresso, onde o empurra-empurra para não ficar fora e perder a hora do trabalho é de igual tamanho (ou pior) do que a dos alunos no centro da cidade. Certamente essa situação se repete em grande parte da cidade. Agora, pergunto: R$ 1,90 não é muito? As empresas estão colocando microônibus para aumentar seus lucros e não repassam benefícios à população. Ao contrário, geram desemprego, pois este tipo de ônibus dispensa cobrador, além de ser um risco pelo grande volume de passageiros que transporta.
ANDRÉIA CRISTINA DE ALMEIDA (professora) - Londrina
Poluição
A campanha eleitoral passou e os políticos não poluíram tanto a cidade com fotos de propaganda colados nos postes e placas da cidade. No entanto, encontramos nos postes e nas placas de sinalização cartazes oferecendo dinheiro. São tantos que uns estão colados sobre os outros. Nesses cartazes há sempre um nome e o número de telefone celular. Basta discar para qualquer deles que a ligação vai sempre ao mesmo prédio do centro: uma ''empresa'' quem diz não ser banco nem financeira, mas que empresta a juros bem mais baixos. Não vem ao caso discutir isso, pois, se for pura agiotagem deve ser assunto da Receita ou da Polícia Federal. O que se lamenta é a poluição visual (eufemismo para emporcalhamento). Se cada funcionário de cada financeira, na ânsia de garantir sua comissão, for colando cartazes impunemente, logo os teremos até nas paredes dos próprios bancos. A fiscalização municipal deve aplicar alguma penalidade à pessoa ou empresa que assim age. Já bastam os alto-falantes que nos incomodam com repetidos oferecimentos muito vantajosos. Tão vantajosos que logo saímos correndo para não perder a oportunidade.
REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor) - Londrina
Ecossistemas
A presença de vida na Terra deve-se ao conjunto de fenômenos naturais que interagem equilibradamente entre si, como os ciclos das águas, do nitrogênio, a fotossíntese. O homem, seu habitante mais ilustre, no entanto, ignora essa interação, o que pode colocar em risco sua própria espécie. Um caso bem interessante e que comprova a necessidade da harmonia entre homem e natureza ocorreu recentemente no sudeste asiático. No Vietnã, uma das culturas mais importantes para o sustento da sua população é o arroz. Normalmente é cultivado em campos alagadiços, habitat de muitos roedores e serpentes, que controlam a população de ratos. Acontece, porém, que a cobra é uns dos pratos apreciados nos restaurante vietnamitas. E a captura desses répteis para abastecer as casas, passou a ser um complemento essencial na renda dos agricultores dessa região. Com isso, as cobras foram desaparecendo aos poucos, e sem predadores os roedores aumentaram demasiadamente causando enormes prejuízos à rizicultura. Depois de várias tentativas e insucessos para eliminá-los, o problema só foi solucionado com a reintegração das cobras nos arrozais. O mesmo está acontecendo na agricultura moderna e comercial dos países emergentes e desenvolvidos. Além de destruírem as florestas que são imprescindíveis para o ciclo das águas, o uso desenfreado de produtos químicos na recuperação do solo e os pesticidas estão destruindo a fauna terrestre e aquática essencial para a sobrevivência de homens e animais. Os defensivos agrícolas, por exemplo, matam pragas e predadores ao mesmo tempo, levando muitas espécies de animais e aves à extinção e destruindo por completo o equilíbrio natural de determinadas regiões. Não devemos esquecer que a polinização da maioria das plantas é feita por insetos, como as abelhas, e pelas aves. Portanto, já está mais do que na hora de interromper essa agressão ao meio ambiente, se, obviamente, os humanos quiserem se preservar.
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM (relações públicas) - Londrina
Contas públicas
A complexidade das contas públicas é muito mais do que uma simples receita e despesa. Um país não se resume a um só governo. Deve haver um planejamento de longo prazo. No caso da seguridade social, tinha-se como princípio a capitalização das contribuições do segurado, que mais tarde reverteria ao seu favor em forma de aposentadoria. Esse sistema foi deturpado e hoje dizem que os ativos contribuem para pagar os inativos. Isso não é verdade, pois se eu contribuí durante 30 anos ou mais o meu dinheiro teria que estar capitalizado. Se não está, o problema não é meu, e sim dos governos que não souberam administrar esses recursos. Havia um teto de 20 salários mínimos, baixaram para 10, e no futuro, quem sabe, para um ou dois apenas. Por essa razão o sistema vem dando lugar aos planos privados de aposentadorias. A assistência médica que antes era obrigação do Estado, hoje quem a quiser deve procurar um plano de saúde privado. As rodovias tiveram como solução o pedágio para dar suporte à sua manutenção. Na área de segurança surgiram os condomínios horizontais, veículos blindados, dispositivos eletrônicos e os serviços de seguranças particulares. O que está sobrando para os governos fazerem e cobrarem tantos impostos?
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina





