Em nome do papa
Os homens se diferem uns dos outros, exatamente, porque em sua grande maioria são apenas homens, ao passo que alguns, pela retidão de caráter, extremada bondade, simplicidade, inteligência, capacidade de perdoar seus semelhantes, busca incessante pela paz, meiguice, compaixão pelos seus pares, fé inabalável em Deus e, sobretudo, capacidade de amar são homens excepcionais. Exemplo ímpar, chama-se Karol Josef Wojtyla, o papa João Paulo II. Foi até os homens, peregrinando como verdadeiro Paulo. Pregou, como ninguém, a igualdade social e fez do seu papado uma luta desigual contra homens sedentos de guerra e poder. No Brasil, pontificou sua posição de favorabilidade à reforma social agrária. Disse isto abertamente, mas que fizeram os nossos governantes? Ouviram só pela metade, ou seja, abriram a reforma de forma equivocada, permitindo o saque, a invasão covarde de terras produtivas particulares. Conservador. Inobstante, partindo da premissa que vivemos hodiernamente sob a égide filosófica da liberdade sexual, onde se acha normal e até se legisla em permissão do casamento homossexual; onde o clero, maior e menor, abusa sexualmente de crianças; onde as drogas dizimam tanto ou mais que as guerras e cada vez mais desafiadoras diante da impotência da repressão ao tráfico. Reacionário? De fato, mas fiel aos dogmas e princípios basilares de sua Igreja. Sem ser radical, avançou como progressista, porque mostrou às claras a posição da Igreja em fileiras de luta na defesa de classes sociais, mesmo contra o front de muros tidos como intransponíveis. Pelo conjunto do momento, inadmissível adoção de linhagem à flexibilidade e a diretrizes que divorciadas do conservadorismo. Fim do Papado. O mundo segue em suas andanças por vicissitudes de desacertos e de glórias. Novo Papa, novo mundo? O tempo dirá, mas o que importa é pedir a Deus que estenda Sua infinita misericórdia aos homens, iluminando suas decisões e seus comportamentos de modo a nos tornar mais racionais e, sobretudo, dignos da bênção e da condição de seus filhos.
DÉCIO ANTÔNIO SEGRETTI (advogado) Londrina

Chacina no Rio
A imprensa tem aventado que há indícios de policiais envolvidos na chacina do Rio de Janeiro. É lamentável! Na chacina da Candelária em 1993, no mesmo Rio de Janeiro, tinha policiais envolvidos segundo os jornais noticiaram na época. Os jornais noticiaram alguns dias atrás que um policial acusado daquela chacina foi absolvido. Morreu o papa, peregrino da paz, entre tantas outras características que lhe atribuíram. Mas parece contradição, sobretudo no terceiro mundo onde se alastra inescrupulosamente a violência em todas as suas formas. Penso que o próximo papa deveria ser um promotor, um lutador irredutível da justiça social, da cidadania e dignidade plena de todos os povos. Porque sem oportunidades iguais, sem pão na mesa, sem emprego digno, sem moradia digna, sem terra para trabalhar, enfim, sem vida plena para todos, a paz é uma quimera.
ANTONIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho

Memorial do Pioneiro
No domingo foi publicada uma carta do professor Luiz Carlos Manini que é ofensiva aos professores, jornalistas e demais intelectuais que têm debatido a questão do Memorial dos Pioneiros. Ao lado de uma ''despótica intransigência'' tal missiva denuncia ''notáveis dotes de improvisação e de imprecisão'' do autor, ''desses que não se mudam nem após muitas horas de vôo''. De fato, o professor parece desconhecer que grande parte das pesquisas dos professores do departamento de História é dedicada ao Norte do Paraná e a Londrina; que o departamento de História, em conjunto com o Museu, desenvolve o projeto CUCO que objetiva resgatar, preservar e difundir a memória dos pioneiros da cidade; que o prof. Marco Antonio Soares e seu grupo de pesquisa têm feito trabalhado na recuperação da memória de pioneiros em Rolândia. Além disto, o professor parece desconhecer a obra de grandes autores da cidade, dentre elas a de Domingos Pellegrini. Isto sem contar o trabalho da Secretaria de Cultura, do Museu, da SAM e de outras instituições. Em que pese o debate entre as pessoas ser às vezes áspero e divergente, este revela a preocupação de todos com a Memória e com o Patrimônio Histórico de Londrina e de pessoas que dedicaram e dedicam tempo e recursos em pesquisas. E o sr. Manini sabe quanto custa fazer uma pesquisa? Não apenas em termos monetários, mas em termos de esforço e envolvimento pessoais? Parece que não. São estas pessoas que o professor denomina ''irresponsáveis'', ''mudos'', ''corporativos'' e ''delirantes''. Finalmente, o sr. Manini parece desconhecer também que o departamento já aprovou a construção do Memorial como projetado e que mantém com a SAM um construtivo diálogo, inclusive, no que diz respeito à definição do termo ''pioneiro''. O que mais assusta no discurso do professor é seu fundo autoritário que desqualifica a priori qualquer interlocutor e cuja lógica não difere da stalinista. Seu desconhecimento aliado ao seu autoritarismo é que presta um desserviço à população. Todos podem, e devem manifestar-se no debate, que vai, ao cabo, definir aquilo que é ''o melhor possível'' para o presente e o futuro do Museu Histórico de Londrina.
JOSÉ MIGUEL ARIAS NETO (professor) - Londrina

Parabéns à Folha
Gostaria de parabenizar a enfermeira Marcia Caroline Portela Amaro pelo artigo sobre o aborto publicado no Espaço Aberto na última segunda-feira, em que ela expressa a incoerência do presidente Lula pela liberação do aborto das ''normas técnicas''. A exemplo da aposentada Maria Laura Duarte Pinheiro que parabeniza a Folha pelo respeito e ética ao publicar a foto do papa João Paulo II na edição do último domingo, também deixo meus parabéns à equipe da Folha. Ao contrário de outros jornais que publicaram fotos do Pontífice num estado terminal, a Folha mostrou o papa muito sereno e humilde.
MARILAYNE THERUMI KARIMATA (fisioterapeuta) Ibiporã

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