CARTAS
Reforma política
O Poder Legislativo - nos três níveis - nos passa a idéia de lupanares, onde os caciques dos partidos fazem o papel de proxenetas. Basta atentar para a ''reforma ministerial'', na verdade uma grande ''troca de favores''. Não podemos esquecer as barganhas para votações de matérias de interesse do Executivo, das eleições para as presidências das Casas ou quando legislam em causa própria, aumentando seus salários ou as verbas de gabinete. E nós, eleitores, somos traídos por nossos candidatos-eleitos, que trocam de partido como quem troca de colete de treino de times de futebol. Os ''legisladores'', na maioria, desconhecem o real significado do seu mandato e tornam-se ''assistentes sociais'' distribuindo pequenos favores. Tivéssemos verdadeiros legisladores os projetos não se arrastariam por anos (Código Civil, por exemplo) ou aprovados a toque-de-caixa por puro casuísmo. Encontramos os ''caciques'' que se perpetuam nos legislativos e se adonam das Casas. Assim como desejamos agilidade do Judiciário, desejamos a moralidade do Legislativo e para isso indicamos pontos básicos para reforma política: fidelidade partidária plena; fim das coligações; fim das legendas de aluguel; fim da profissão ''vereador/deputado/senador''. Na verdade são muitos quesitos a serem observados no projeto de reforma política na pauta (?) da Câmara Federal. Nosso sonho é o surgimento de um autêntico Poder Legislativo.
JAMES BUSSMANN (aposentado) - Londrina
Apelo pela educação
Como dizem meus pais ''ninguém respeita mais ninguém hoje em dia. Antigamente as pessoas se respeitavam mais''. Por toda a minha vida venho contestando essa afirmação, mas a cada dia que passa as pessoas me provam na prática que eles têm razão. Tenho pouca idade, mas ainda me lembro de tempos em que uma pessoa de idade, uma senhora ou uma mãe com criança de colo entravam em um ônibus e as pessoas levantavam-se e cediam o lugar a uma dessas pessoas. Também me lembro que os pedestres esperavam os veículos passarem para poderem atravessar as ruas com tranquilidade. Época em que os veículos respeitavam a sinalização de trânsito e principalmente respeitavam as pessoas que andavam pelas calçadas tranquilas sem se preocuparem com os veículos. E quando queríamos caminhar por um canteiro central com calçada os ciclistas desciam de suas bicicletas para não nos atrapalharem. Quantos bons tempos! É por tudo isso que faço um apelo aos bons tempos: vamos nos respeitar mais, vamos diminuir a velocidade dos nossos carros, dar nossos lugares a quem precisa, pensar que independente da classe social temos que contribuir mais com a educação mútua. Vamos raciocinar que se continuarmos nos desrespeitando assim vamos construir um holocausto para nossas crianças. Faço um apelo e conto com a colaboração de vocês para que eu possa falar para os meus futuros filhos: antigamente as pessoas não se respeitavam, mas bons tempos são os de hoje onde nós nos respeitamos.
HENRIQUE ESTEVES (assistente administrativo) - Londrina
Sem noção
Tenho acompanhado nesta coluna, a polêmica em torno do valor do ingresso para a Exposição de Londrina 2005 que seria de R$ 10. Concordo com a opinião da maioria das pessoas que escreveu afirmando que esse valor é alto para que todas as famílias de Londrina possam participar da Exposição. Uma família de quatro pessoas, tomada como exemplo em uma das cartas, ficaria impossibilitada pelos gastos com ingressos mais outros normais de dentro do Parque Ney Braga. Acredito que a Sociedade Rural do Paraná, a organizadora da festa, deva repensar essa questão em consideração à população londrinense de poder aquisitivo compatível à realidade brasileira e, talvez, adotar o mesmo sistema de Ourinhos de obtenção de recursos sem a cobrança de ingressos, como sugeriu José Ricardo Cassiolato Botelho. Se funciona lá há 39 anos, logicamente poderia funcionar aqui. O que nos causou espanto e estranheza foi ler a carta de Joselito Tanios Hajjar defendendo com unhas e dentes a cobrança de ingressos. Talvez esteja sem noção do que representa o valor cobrado pelo ingresso para um trabalhador assalariado. Talvez, seja ele pessoa de família abastada para quem esse valor nada representa ou seja ele um dos costumeiros pedintes de convites que vivem a mendigar ingressos grátis à diretoria da Exposição ou aos expositores, justificando a mesquinhez desses pedidos defendendo publicamente a cobrança de ingressos.
LEANDRO FRATIA (designer gráfico) - Londrina
PaixoNet
Nos dias de hoje a tecnologia rola solta e são notáveis as mudanças. O amor, por bem ou por mal, acompanha essa evolução. Essa é uma era de contradições onde o excesso se contrapõe com a escassez. Temos muitos médicos e pouca saúde, lares grandes e famílias pequenas, muito intelecto e pouco amor. Tem gente que até ama pela internet! A quantidade de ''te amo'' distribuída nas salas de chat, fotolog, blogs e e-mails é tanta que não posso deixar de suspeitar que isso tudo seja medo. Medo de dividir com quem se ama tudo, pois somos egoístas demais. Medo de aceitar os defeitos alheios, pois nem conseguimos aceitar os próprios. E acima de tudo medo de simplesmente aceitar que amamos, pois o amor é considerado ''careta'' em meio a tanta oferta. Então para suprir nossa carência nos escondemos atrás da tecnologia para termos um amor ''de telefone'' o que o torna aceitável. Nos escondemos atrás de um monitor para não ter que enfrentar nossos medos. Isso rebaixa o amor a um simples sentimento em que se começa com um ''vamos tc?'' e termina com a tecla delete. Isso faz com que amemos pessoas que nem sequer conhecemos. É uma pena que não conhecemos a magia do amor. Seria lindo se fóssemos unidos não por fios, mas por aromas.
FERNANDA CASTELLO BRANCO LOPES (estudante) - Londrina





