CARTAS
Cúmulo da violência
Temos visto constantemente as crescentes notícias sobre a violência em Londrina. Os mais bárbaros crimes têm acontecido bem debaixo de nosso nariz. Clamamos por socorro, mas parece que não há quem possa nos ouvir. Hoje quem tem determinado o ritmo de vida dos cidadãos londrinenses tem sido as gangues e os homens violentos que estão à solta pelas ruas. Enquanto somos vigiados por câmeras por todos os lados, isso sem contar nos altos muros com cercas elétricas e nas portas duplas com múltiplos segredos, presos em nossa Alcatraz, mocinhos e bandidos andam à solta. E no último domingo, por volta das 21 horas, como não bastasse toda essa barbárie, o crime chegou ao cúmulo. Enquanto nossos irmãos se deleitavam em seu culto a Deus, na Igreja Assembléia de Deus, no Jardim Califórnia, região sul da cidade, um homem armado entrou porta adentro e, no meio desta casa de oração onde deveria reinar a paz, baleou o outro homem em pleno culto, atingindo também de raspão dois membros daquela igreja. Sonho com um mundo melhor, um mundo onde possamos ver os homens se esforçando ao menos o mínimo para cumprir o que nos diz a palavra de Deus em Romanos 12:18: ''Quando depender de vós tenha paz com todos os homens.''
JOÃO VICTOR CUSTÓDIO NERY (pastor na Igreja Metodista Central) - Londrina
Ética na profissão 2
Li domingo a carta do sr. Rubens Antonio de Oliveira Junior, que demonstra sua preocupação com as atitudes de profissionais da sua área, que na busca de espaço no mercado de trabalho, deixam a desejar no que tange a seguir os preceitos corretos que reza a ética profissional de cada profissão. Isso prejudica de uma forma muito intensa a qualidade da prestação do serviço, pois na maioria das vezes o barateamento do produto leva diretamente à perda na qualidade do que está sendo oferecido. É da natureza humana a busca do mais barato, sem muita atenção à qualidade do produto, em detrimento daqueles profissionais que melhor se qualificaram, frequentando cursos de pós-graduação nos seus vários níveis, para terem condições de oferecer um produto de qualidade superior. Acho que os problemas lá colocados são frutos de um mercado de trabalho extremamente competitivo e já saturado, onde a busca frenética de uma posição para exercer a profissão e obter seu ganho, leva alguns a ultrapassar os limites da ética e da boa conduta profissional. Estes, devem ser fiscalizados e, nos casos necessários, serem punidos. Esse quadro, no entanto, não se restringe à classe dos cirurgiões-dentistas, mas para tantas outras. São vítimas da falta de uma política de planejamento educacional que leva à instalação de muitas escolas de terceiro grau, na grande maioria particulares, que formam anualmente grande quantidade de profissionais. Estes, acabam se estabelecendo numa mesma região, não buscam novos mercados de trabalho para desenvolver e aplicar todo o conhecimento científico obtido nos bancos escolares e não são absorvidos.
WALTER ABOU MURAD (biomédico) - Londrina
Greve dos servidores
A publicação do manifesto da Prefeitura domingo (paga com o dinheiro público) demonstra o desespero e a falta de competência para mediar o impasse com os servidores. Será que o prefeito espera um milagre? Os servidores querem seus direitos, nada mais justo. Afinal, não eram no passado os ''mediadores'' das negociações? Causa-nos espanto o silêncio e a falta de proposta de quem sempre primou pelos interesses dos trabalhadores. Cadê a militância, o prefeito Nedson, o presidente da Câmara? Queremos os servidores em seus locais de trabalho ganhando um salário digno e justo. Em nada irá adiantar indispor-se contra os servidores, seus familiares e amigos.
MOISES DOS SANTOS (aposentado) - Londrina
Sindserv responde
Todas as opiniões em relação à greve dos servidores municipais, como a da estudante Fabiana Moretto Calumby, sempre são bem-vindas, sejam elas favoráveis ou não. Temos consciência de que uma paralisação realmente prejudica a população e somos responsáveis quanto a isso. A nossa greve é legal e, cumprindo o que determina a lei, estamos desde o início do movimento, mantendo uma equipe mínima para atendimento no PAI (Pronto-Atendimento Infantil) e no PAM (Pronto-Atendimento Municipal). Na Maternidade Municipal, o atendimento está normalizado, pois sabemos da nossa responsabilidade. Portanto, Fabiana, quem deveria pôr a mão na consciência é o prefeito Nedson Micheletti que até agora não tem respeitado o servidor e a população, querendo na verdade que a greve continue, pois não apresenta uma proposta, a mínima que seja, para os servidores e nem aparece para negociar, escondendo-se atrás dos seus secretários. Quanto ao que você chama de ''recreio'', não é isso o que está acontecendo. Os lanches e frutas distribuídas aos servidores são comprados com o dinheiro do próprio servidor e é para que eles possam suportar o desgaste natural da greve, como você bem deve saber. E se não há merenda nas escolas, a culpa não é do servidor.
WALDIR ROBERTO (diretoria de Comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina)
Correção
- Por erro técnico, as notas da coluna Boca a Boca, publicadas ontem na Folha 2, ficaram truncadas.
- O nome correto do diretor de Gestão da Copel é Luiz Antonio Rossafa.





