CARTAS
Pobres e ricos entram
Com relação às opiniões de dois leitores sobre a Exposição de 2005, informo que sou morador recente desta cidade mas natural e ainda com laços familiares em Ourinhos-SP, onde anualmente acontece também uma exposição nos mesmos moldes, chamada de Fapi - Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos -, que todos os anos faço questão de visitar. O evento deste ano acontecerá de 2 a 12 de junho. A Feira é de nível nacional e as atrações (shows musicais) também são. Por isso, informo ao leitor Joselito T. Hajjar que não assistimos Daniéis e J. Quests por ''deizão'' ou ''cincão'', mas por ''zerão''. Será a 39 edição e nunca foi cobrado um tostão sequer para qualquer visitante. Os custos são diluídos entre os aluguéis dos espaços comerciais e patrocínios diversos (bancos, comércio, etc). Há um termo conhecido em programas de qualidade chamado de ''benchmarking'', onde um de seus tópicos é a comparação de produtos, serviços e práticas entre empresas do mesmo segmento para a obtenção de ganhos. Quem sabe uma sondagem nos moldes de lá possa significar um dia a entrada franca a todos os cidadãos londrinenses.
JOSÉ RICARDO CASSIOLATO BOTELHO (técnico em telecomunicações) - Londrina
Questão de poder
Mesmo com a crise financeira no setor agrícola pela queda da rentabilidade na safra de grãos, com certeza, será de grande sucesso como todos os anos a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina que tem com excelência conquistado e concretizado grandes negócios nas áreas agropecuária, artesanato e industrial. Tenho visitado apenas uma vez por ano o recinto da Exposição para assistir a um show ou adquirir uma novidade na área de artesanato, pois tudo é caro, inclusive a entrada para a Exposição. As diferenças realmente estão muito distantes, todos já ouviram este jargão ''dinheiro chama dinheiro''. O pecuarista que traz suas reses que valem milhões, não está para análise dos 10 míseros reais que fariam falta para um trabalhador que ganha um mínino, paga aluguel, paga mercado, água, luz e não dá para pagar mais nada porque acabou o dinheiro, antes mesmo do dia 15 de cada mês, e que diz pro filho: ''Ano que vem nós vamos''! Bom, mas o que tenho com isso? E é assim que a sociedade resulta de sentimentos mesquinhos, olhando-se para seu próprio poder. Fico feliz em saber que os estudantes pagam meia e os aposentados não pagam. Ainda bem, porque o aposentado muitas vezes é o pilar da família. Os estudantes, que na maioria não trabalham, se não pudessem pagar meia saberiam o quanto lhes custaria assistir um J. Quest. Não esqueçamos que 1/3 da população brasileira é pobre. Realmente esse evento não é direcionado à população carente, e é assim que se crescem cada vez mais as diferenças sociais.
MARIA GENNY BELEMTANI (secretária) - Londrina
Greve dos Servidores
Decorridos 11 dias da greve dos servidores municipais de Londrina, não há qualquer perspectiva de solução ou alguma manifestação do prefeito no tocante ao andamento das negociações objetivando por fim ao movimento. Na outra ponta, o promotor de Justiça, Paulo Tavares, está ingressando com notificação administrativa junto ao sindicato e ameaça ingressar com ações na Justiça, exigindo que os servidores normalizem os atendimentos nas áreas de Saúde e Educação. Louvável a preocupação e atitude do promotor, todavia seria muito importante que este promotor, bem como os demais promotores, tivessem uma preocupação especial em relação ao reajuste abusivo da tarifa do transporte coletivo, com a falta de milhares de vagas em creches na cidade e ainda com o aumento autorizado pelo município para o IPTU e ISS. Caso não haja ação do Ministério Público, exigindo explicações e providências nos casos elencados, que sejam propostas tais ações, bem como uma outra ação, exigindo que o prefeito determine a reposição das perdas salariais dos servidores, uma vez que este também é um dos direitos dos trabalhadores que têm data-base em fevereiro.
LOURIVAL BARBOSA (sociólogo) Londrina
Desabafo
Estou muito desapontada com as atitudes de intransigência de nosso prefeito. Tanto eu, como os demais servidores, estaríamos mais felizes produzindo em nosso local de trabalho. Falar que fomos traídos já se tornou repetitivo, mas quem sabe só assim o prefeito se lembre de seu discurso. Afinal, não faz tanto tempo assim: de outubro de 2004 a março de 2005, só se passaram cinco meses. Não estamos pedindo nada além dos nossos direitos, pois nossos deveres cumprimos com afinco. Sou professora do Jardim São Jorge e lá quando não sofríamos com a poeira, era o barro. Chegamos a ter que empurrar o carro ou então descer do ônibus que atolava, mas lá todas nós que trabalhávamos, cumpríamos com o nosso dever, por que agora somos ignoradas? Jogar a imprensa contra os servidores não vai esmorecer e sim nos fortificar. Se o senhor prefeito está se sentindo magoado com a greve, então se coloque em nosso lugar para saber o que estamos sentindo. O senhor prefeito se esqueceu como é dolorosa uma greve? Então apelo para o seu bom senso: sente e converse com o Sindserv que é nosso representante. O término da greve está em suas mãos, porque ao final de tudo isso o único nome que será sempre lembrado, não será de nenhum secretário, será o seu: Nedson Micheleti. Lembre-se disso.
MARIA INÊS RIBEIRO (professora) - Londrina
Correção
- O título da chamada de capa de ontem da Folha ''Indenização milionária consome lucro da Unimed'' refere-se à Unimed/Curitiba.





