CARTAS
Pobre entra sim
Não faço parte da Sociedade Rural e muito menos tenho procuração para sair em defesa dela mas noto que todos os anos são propagadas opiniões de leitores em que teimam em fazer contas de quanto custa para uma família pobre ir ao Parque de Exposições se divertir. Segundo o leitor Ângelo Roberto Paulão, em carta publicada na Folha de ontem, um casal e dois filhos gastaria, sem exageros, R$ 100 num dia de visita. Segundo o título daquela missiva, conclui-se que pobre não entra na feira. Tal conta partiu da problemática do ingresso custar R$ 10. Sem entrar no mérito de que se os filhos do referido casal for estudante o preço já cairia para R$ 5 ou se um dos cônjuges tivesse acima de 65 anos entraria de graça ou pagaria meia, respondo com outra conta. Suponhamos que a Sociedade Rural resolvesse não cobrar a entrada, aquele mesmo casal iria gastar R$ 60. Ocorre que se a Sociedade Rural não cobrar nada, em contrapartida, não poderia realizar mais os megashows com artistas de renome nacional como são Daniel, J.Quest, etc. Aquele suposto casal na verdade não iria gastar nada pois não iria lá para comprar boi ou realizar outros negócios específicos, até porque as maiores receitas da Feira não saem dos ingressos mas dos negócios ali realizados. Só que iam eles (os fictícios casais de todos os anos) ficarem mais indignados que o missivista citado porque não iriam ter a única oportunidade de ver o show de seu artista preferido por ''deizão'', ''cincão'' ou mesmo de graça.
JOSELITO TANIOS HAJJAR (estudante) - Londrina
Greve política
Ouvi ontem, na Rádio Paiquerê, o comentário sobre a greve dos servidores onde o comentarista perguntava a quem interessava a greve. Eu, que já pertenci à diretoria de Sindicato afirmo: greve em vésperas de ano eleitoral é política. Aguardei que o Sindicato respondesse às ponderações da Prefeitura, mas nada li ou ouvi a respeito. Se ele, Sindicato, não respondeu é porque o alegado pelo prefeito é verdadeiro. Então, fica mais uma vez comprovado que a greve não é reivindicatória e, sim, política, neste caso, só interessando à diretoria do Sindicato. Pode apostar que, no próximo ano, estarão mais que candidatos a cargos eletivos e os sindicalizados, bem, estes que se explodam como já dizia o personagem Justo Veríssimo, muito bem encenado pelo Chico Anísio. Lembro de ter visto num piquete uma moça que o repórter disse ser filha do presidente do Sindicato. Ora, se ela é apenas filha e não funcionária, não lhe assiste o direito de pertencer a grupos de piqueteiros, mormente escolher quem deve ou não ser atendido num Posto de Saúde. Quem usa de piquete está incorrendo num erro gravíssimo. Assim como os que aderiram à greve têm seu direito respeitado por fazer greve, aqueles que não aderiram também devem ter seu direito respeitado de querer trabalhar. Aconselho os funcionários que não estão de acordo a romperem com isso pois estão apenas servindo de massa de manobra nas mãos de alguns espertalhões que ainda usam o sindicato para benefício próprio.
EDMILSON ASSIS DOS REIS (bancário aposentado) Londrina
Filas em bancos
A indignação manifestada pela leitora Maria Laura, da pequena Nova Fátima (seção cartas de 12/3), traduz não apenas o seu desencanto em relação ao atendimento bancário, mas sim um sentimento de revolta e repúdio que envolve milhões de brasileiros que são obrigados a servirem-se do nosso privilegiado e nefasto sistema bancário. Privilegiado para banqueiros, especuladores e apaniguados e altamente nefasto para os espoliados e estressados cidadãos que necessitam de seus serviços, no dia a dia de suas atividades. As benesses do sistema financeiro, onde os bancos exorbitam-se de sua liberdade operacional, são tantas que até o FMI recomendou um pouco mais de moderação ao governo brasileiro. Como entra e sai governos sem nada melhorar, para problemas como este e outros que já se tornaram endêmicos, chega-se à conclusão de que continuamos votando errado ou então que o caminho não é esse, ou seja, não passa pelo exercício do voto. Visualiza-se assim uma situação que sugere à população um papel mais interativo com as ações de governo, através de organização eficiente e mobilização permanente, agindo sempre que necessário for, e procurando fazer valer o princípio de que realmente o poder emana do povo.
MOACYR PIANTAVINI (tesoureiro da Associação dos Aposentados e Idosos de Londrina Asapel)
Trabalho no exterior
Há muito tempo me preocupa a partida de brasileiros para o exterior em busca de melhores condições de vida. Começou com o Japão e agora está se buscando trabalho na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, etc. Muitos viajam na clandestinidade. Poucos conseguem viajar como imigrantes na legalidade. Sempre achei que isso só acontecia nas outras famílias até que aconteceu na minha. Fico indignado com a situação brasileira especialmente no que se refere à política. Com raras exceções, os políticos se lembram do povo depois de eleitos para qualquer que seja o cargo. Desde vereador até o mais alto escalão da política, só legislam ou governam pensando na própria conta bancária. A corrupção corre solta e não há dinheiro suficiente para satisfazer a voracidade deles e atender às necessidades da nação e do seu sofrido povo que trabalha tanto e não consegue ver o fruto deste trabalho. É o que aconteceu com meu filho formado em computação, casado, e com minha filha formada em educação física e também casada, ambos com seu próprio negócio em Ibiporã. Mudaram-se como imigrantes para o Canadá. Fica uma sensação ruim de amar tanto este país e, ao mesmo tempo, não ser correspondido. Resta agora caprichar mais no voto e pedir a Deus que mude a mentalidade das pessoas que exercem cargos públicos para que o façam com respeito ao próximo e à coisa pública.
OSVALDO MARCONATO BOSI (microempresário) - Ibiporã





