Pobre não entra

Este deveria ser o ''slogan'' da Exposição 2005 de Londrina a ser realizada no mês de abril. Já se fala que o ingresso será de R$ 10. A Sociedade Rural do Paraná é a associação que promove esta festa que, ao longo dos anos, virou tradição e orgulho londrinense. Essa mesma população está hoje praticamente proibida de participar deste evento pela insensibilidade de seus organizadores em cobrar ingressos a valores incompatíveis à realidade econômica da população de Londrina. Exemplo dessa disparidade: uma família de quatro pessoas, marido, esposa e dois filhos gastariam R$ 40 só com ingressos, mais R$ 10 de estacionamento ou condução, mais R$ 20 para seus filhos se divertirem um pouco no parque de diversões, mais R$ 10 com pipocas e alguns doces e mais R$ 20 para levarem para casa alguma lembrança da Exposição totalizando sem exageros R$ 100, que representam praticamente 40% de um salário mínimo. Uma festa da cidade onde a grande participação popular sempre foi o melhor argumento de propaganda para a locação a alto custo de estandes e espaços comerciais dentro do parque, deixará decepcionados os comerciantes lá instalados por suas fracas vendas desestimulando-os para os próximos anos. Se o interesse da Sociedade Rural do Paraná é elitizar tanto a festa que mostre explicitamente sua intenção e faça sua festa particular somente com os criadores e expositores.

ÂNGELO ROBERTO PAULÃO (gerente industrial) - Londrina


Homossexualidade

Gostaria de lembrar que no Brasil, desde o início da década de 80, em virtude da luta de intelectuais e militantes, o termo homossexualismo não é mais utilizado, isso porque o sufixo ismo parece caracterizar doença, e pelo menos no âmbito científico e dos direitos humanos, optou-se por denominar essa ''categoria'' de homossexualidades. E assim como o processo de saúde e doença é constantemente revisto por cientistas e ativistas, por que será que algumas pessoas que seguem os preceitos da Bíblia insistem em acreditar que há uma única leitura possível do seu conteúdo? Mas o mundo é assim, pessoas vivendo com concepções diversas sobre a própria realidade. Gostaria de poder viver em um mundo em que a diversidade fosse levada em consideração, talvez assim houvesse menos violência. Mas já que estamos falando das inúmeras formas possíveis de interpretar a realidade, há homossexuais, bissexuais, metrossexuais, transgêneros, transexuais e heterossexuais. Neste mundo de diversidades, existem pessoas que acham que a homossexualidade é uma doença ou até possessão, há inclusive os que desejam a morte dos homossexuais. Será que algum dia existirá a raça perfeita? Hitler já buscava isso! Mas respondendo à carta do leitor Alexandre Fonseca de Melo que fez questão de se autodenominar servidor público federal em Curitiba gostaria de lembrá-lo que esse mesmo órgão público que o identifica e o sustenta, financia políticas públicas contra a homofobia. Espero que a sua carta não lhe cause problemas com o governo. E que Jesus Cristo não se arrependa de ter morrido na cruz em nome do respeito ao outro, pois somos todos iguais, porém diferentes.

PAULO WESLEY FACCIO (coordenador da Comissão de Prevenção da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids) - Londrina


Pioneiros

2004 foi ano eleitoral (ou eleitoreiro?) e a Câmara de Vereadores protagonizou verdadeiro ''festival'' títulos de cidadão honorário, até banalizando e vulgarizando o evento. Sem falar de título que é concedido a pára-quedistas de última hora, cujo único mérito é exibir-se na TV e fazer patuscada no Aeroporto de Londrina. A Folha de Londrina noticiou no Caderno Cidades, de 9/3, o falecimento da senhora Martha Oldenburg de Almeida, de 94 anos de idade. Pessoalmente não a conheci, mas a admiro e respeito pelo fato de ser pioneira. Chegou nesta cidade antes mesmo da oficialização da existência do Município. Pergunto, aos senhores vereadores e vereadoras: a referida senhora recebeu o título de cidadã honorária? Gostaria de saber se a senhora Martha, que falava 4 idiomas (serve de exemplo para muitos políticos de baixa escolaridade) e valorizava o trabalho, foi lembrada pela nossa Casa de Leis? Concederam-lhe o merecido título de cidadania? Se não o foi, por que não fazê-lo, ainda que tardiamente, post mortem?

DAVIS ANDRADE OLIVEIRA DA CRUZ (advogado) - Londrina


Madri, 11 de março

Ao relembrar as tristezas do 11 de março de Madri 2004, resolvi escrever como um dos sobreviventes daquele nefasto dia, onde somente 15 minutos de uma eternidade me separaram de estar entre as vítimas das explosões da estação Atocha. Este marco desesperador me acamponha há um ano e quase atrapalhou a finalização de minha tese doutoral na Espanha. Só resolvi manifestar-me após presenciar tantas homenagens aos mortos e tantos países discutindo em Madri as novas metodologias de segurança para erradicar o terrorismo em nível mundial. O que poderá solucionar tanta violência sem causa será a erradicação da fome, da pobreza, da miserabilidade humana, da exploração do trabalho infantil, das enfermidades com ações desenvolvidas pela Unesco, Who e Unicef por exemplo. Ações estas suportadas financeiramente por recursos advindos dos países mais ricos. Assim nosso mundo poderá sonhar com a realização da utopia quixotesca de erradicar as desigualdades sociais nos terceiros e quartos mundos, que compõem os países da periferia, Brasil incluso. Quem sabe o clube dos bilionários, liderados por Bill Gates, não queira começar um programa de doações à Unesco, Who e Unicef para a realização de programas sociais a serem implantados nos terceiros e quarto mundos?

SÉRGIO LUIZ CARLOS DOS SANTOS (professor) - Curitiba

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