CARTAS
Ética na Câmara
O que se comentava há muitos anos veio à baila. As máscaras caíram. Mais do que nunca, faz-se necessária a formação de uma Comissão de Ética na Câmara Municipal de Londrina. Vale lembrar que em outras legislaturas municipais, onde homens ilustres, preparados, educados, cultos, preocupados com o povo e não com os salários e, sobretudo, transparentes. Não havia a necessidade de analisar a ética dos parlamentares. A mentalidade dos homens públicos descartava a hipótese. Hoje, entretanto, que lástima! Chego a imaginar o que os vereadores que merecem a confiança do povo de Londrina e que realmente trabalham pela cidade honrando seus salários, devem estar sentindo, principalmente quando a imprensa declina os nomes de edis envolvidos em escândalos. Estes nominados devem mesmo responder por seus atos e mostrar que o Ministério Público, a imprensa e a opinião pública divulgaram não é verdade. Comissão de Ética na Câmara urgentemente e que as punições cabíveis sejam aplicadas a quem merece. Quem quiser saber mais é só dirigir-se à 10 Vara Cível do Fórum de Londrina e solicitar cópias dos processos que lá tramitam e que envolvem pessoas públicas de Londrina. É de domínio público, conforme garante o art. 5º, XXXIII, da Constituição. Londrina merece qualidade e probidade de seus legisladores.
ANTÔNIO CARLOS FUNFAS NETO (médico) - Londrina
Cotas e justiça
O sr. Aristides Makowich, em carta publicada neste jornal no dia 7/3, demonstra a sua indignação em relação às cotas para negros no vestibular da UEL. Vale lembrar que as cotas não são exclusividade dos negros, pois os alunos da rede pública (os brancos pobres) também estão contemplados. As cotas na UEL foram adotadas devido à grande diferença entre brancos e negros neste país. Vários dados do IBGE demonstram esse abismo. Qualquer pessoa com olhar crítico perceberá essa diferença a olho nu. Os negros estão nos postos de menor remuneração, a mulher negra recebe 40% a menos que a branca (que recebe 30% a menos que o homem) e 70% dessa população está na favela. O que ocorre hoje no Brasil é fruto de uma abolição irresponsável. Após 350 anos de escravidão, o negro foi arrancado da sua terra se viu à mercê da própria sorte, pois nem o Estado que o escravizava o amparou. Pelo contrário, patrocinou a vinda de imigrantes para substituí-los nos seus postos de trabalho. Vários europeus não ficaram acanhados e de consciência pesada em serem atores no processo de exclusão do negro na sociedade brasileira e muito menos seus descendentes. Sugiro que ao invés de o sr. ficar sentado na poltrona escutando Wagner e se inteirando do assunto pelo jornal, que participe mais das discussões. Assim não sairá por aí chamando vestibulandos de ''afrodescendentes folgados'' e cidadãos responsáveis de ''mente racista ou algo parecido''.
JOSÉ MENDES DE SOUZA (tecnólogo eletrotécnico) Londrina
Injustiça das cotas
Desculpe-me o jornalista Reinaldo Zanardi (cartas, 11/3), mas visão rasteira e superficial é a sua. É muito fácil afirmar que a opinião dos outros é preconceituosa ou fruto da ''ideologia'' burguesa, este é argumento dos mais fraquinhos para defender uma idéia, pois pode ser usado para tudo. Eu, por exemplo, poderia dizer o mesmo de você: sua visão seria também preconceituosa e originária de uma vaga fonte marxista. Mas, você está certo em afirmar que uma pessoa que vive em um assentamento de periferia possui pouquíssimas chances de entrar em uma faculdade. Por quê? Porque não estudou, é claro como água mineral. A questão é saber por que ela não estudou. Pode ser que não gostasse de estudar (existem sim pessoas que não gostam de estudar!) ou não teve oportunidade de estudar em uma escola de qualidade. Quanto às pessoas que não gostam de estudar, não podemos fazer nada. O importante é pensar naquelas que não tiveram condições adequadas para estudar. É aqui que o sistema de cotas revela-se uma enganação. Aquele cidadão que mora no assentamento dificilmente aproveitará o sistema de cotas. Mas sim aquele aluno que estudou em escola pública e fez cursinho em escola particular, como muitos alunos meus. Se estivermos realmente preocupados com aqueles que vivem à margem das grandes cidades, vamos denunciar as salas lotadas das escolas públicas, a falta de material, o salário baixo, o desinteresse das famílias, os professores incompetentes, etc. Porque enquanto isto não mudar realmente, nada resolverão cotas ou outras medidas criadas para o espetáculo de que vivem a imprensa e os políticos.
FÁBIO LUIZ DA SILVA (professor) - Londrina
Importância do trem
Da Mad Maria de ontem à ALL dos nossos dias. Lembro das inesquecíveis viagens no trem de passageiros que eu fazia de Vera Cruz (SP) até São Paulo nos anos 50 e 60: eram um luxo de conforto e rapidez. Os vagões de cargas transportavam animais, carros, caminhões, cereais, telhas, cimento, etc. O que prova que o trem é muito útil. Neste país sem história, hoje tudo virou sucata, abandono e estorvo. Até concordo com os abusos de buzinaços desnecessários, falta de limpeza nas margens dos trilhos e paradas propositais nas travessias de nível. Mas estão culpando os trens de transitar em sua própria linha? Pedestres estão enfrentando os trens e morrem e querem culpar o trem? Municípios liberam as margens das ferrovias e deixam as construções se alastrarem e a ferrovia é culpada pelos acidentes? É necessário que se verifique os responsáveis e evite que aconteça o pior.
OSMAEL CHIAVELLI PUGA (comerciante) - Apucarana





