CARTAS
Cotas e racismo
É impossível crer que um assunto deste continue a ser ''ignorado'' pela mídia. Não acredito que cadeiras não-preenchidas por cotistas (codinome para o racismo agora abertamente implementado) nas universidades ficarão vazias, como punição às famílias que há anos se esmeram no cultivo da eduçação de seus filhos, pagando bem caro por isso, e que, brutalmente penalizadas pelo esforço, foram castigadas. Pior do que isso, discriminadas! Ah, se eu soubesse disso há mais tempo, teria economizado uma fortuna em mensalidade escolar e merenda, condução, uniforme, livros, material escolar. Poderia ter um plano de saúde, empregada, girado a economia com gastos ''supérfluos'' (informação, assinatura de periódicos, restaurante, vestuário, férias) - itens que foram sacrificados em prol do pagamento de uma boa escola. Infelizmente, acreditei que a educação capacitaria os meus na batalha por melhores condições. Ledo engano. Apenas diminuí suas chances de cursar uma faculdade. Logicamente vão estudar, mas seu aproveitamento será inversamente proporcional ao custo. Toda a questão tem dois lados. Avaliem e discutam seriamente a questão das cotas para as universidades.
CECILIA AZEM CORRÊA (produtora musical) - Londrina
Direito ao trabalho
''É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão...'' reza o Art. 5º, XIII da Constituição Federal. Entretanto, sempre que há greve direito também assegurado pela Constituição em seu Art. 9º há impedimento por parte dos grevistas de que as pessoas que queiram trabalhar (exercer seu direito ao trabalho) ingressem em seus locais de trabalho, para que a greve não seja esvaziada, para que a população sinta na pele os reflexos da greve. População que tem direito à saúde, à educação e a tantas coisas também previstas na mesma Constituição. As greves no Brasil precisam ser melhor reguladas para que surtam o efeito desejado pelos grevistas e o prejuízo da população e dos próprios trabalhadores que desejam exercer esse direito seja, ao menos, diminuído. Reitero que é legítimo o direito de greve, mas não soberano, não maior que outros direitos, como os acima mencionados que são igualmente legítimos.
FLÁVIO HENRIQUE CAETANO DE PAULA (bacharel em Direito) Londrina
Filas em bancos
Cada vez que vou ao banco fico indignada ao observar como os clientes são desrespeitados. Na época do Banestado éramos bem tratados. Agora, além do grande número de funcionários demitidos, notamos que os poucos que ficaram mal dão conta do serviço. Minha crítica não é para os funcionários, mas para a administração que só pensa no lucro e não agradece aos que colaboraram com esse lucro que é grande mesmo em época de crise. Um dia desses uma pessoa pretendia fazer uma aplicação, mas antes precisava se informar sobre o assunto, e, depois de várias tentativas de conversar com o gerente, onde a fila era enorme, resolveu aplicar na Caixa Econômica de Cornélio Procópio. Vi uma pessoa muito doente aguardando no sol a abertura da agência. Havia também pessoas idosas. Dentro das agências não há cadeiras para as pessoas se sentarem, e ficam horas na fila. Por que não abrir mais cedo? Por que não contratar mais funcionários? Por que não abrir mais agências na região? Por que não colocar mais caixas eletrônicos? Aqui só existe um e, às vezes, não funciona. Com certeza, é porque o lucro diminuiu e os clientes não são tão importantes assim numa sociedade cruel que adora um deus chamado dinheiro. E o amor e respeito ao próximo?
MARIA LAURA DE FREITAS MARCOLINI (professora aposentada) - Nova Fátima
Direito de não votar
A menos de dois anos das próximas eleições, vemos diariamente nos meios de comunicação a preocupação dos políticos para traçarem seus planos para a reeleição. E aí não há a menor preocupação com o eleitor. Isso é o que menos importa. Preocupa sim os meios para se chegar lá. E vale tudo! Troca de diretórios, troca de partidos, promessas, barganhas, propinas, coação, etc. Esse filme é antigo e a última exibição (foi) está sendo proporcionada pelo PT do presidente Lula. Quantas promessas ouvimos, quantos anos de lutas para se chegar ao poder, quanta vontade de dirigir a nação? E nós, quantas esperançaas tínhamos? E para quê? Continua tudo e certamente com incremento de toda forma de violência seja ela nas ruas, com os aposentados, na falta de hospitais e medicamentos, estradas, nas Câmaras Municipais, na Câmara Federal, na agricultura (até hoje sem política de preços e garantias aos agricultores), nos aumentos de impostos, tarifas públicas, etc. Não suportamos mais! Portanto, nosso dever de exercermos o direito da democracia de agora em diante passa a ser o de não votar.
ELI VALERA NABANETE (agricultor) - Marumbi (PR)
Cesar Lattes
Triste sina e inevitável é a morte para a raça humana. Desta vez ceifou um dos melhores físicos que o Brasil já produziu: Cesar Lattes. A carreira do mestre tem em Chacaltaya-Bolívia, juntamente com Powell e Occhialini sua afirmação intelectual mais significativa. Confirmaram o que o japonês Yukawa previu sobre a existência da partícula elementar atômica - o mesón pi. O méson é a partícula da ''paz'', permitindo que prótons e neutrons convivam pacificamente no interior do núcleo do átomo. Esse trabalho rendeu a Yukawa e Powel o prêmio Nobel. Mas por que o Lattes não foi laureado com o mesmo prêmio? Será que o fato de um latino-americano, vindo de um país pobre, subdesenvolvido e de Curitiba não poderia também ser bom e produzir pesquisa científica com originalidade e grandeza? Ou talvez os americanos e a corja da academia tivessem o medo do Nobel ter transformado o Brasil em efeito dominó numa potência detentora de tecnologia atômica e consequentemente econômica, através das sucessivas pesquisas científicas e tecnológicas que seriam desencadeadas?
ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO (engenheiro) - Curitiba





