CARTAS
Cotas da UEL
Meses atrás, escrevi para este jornal quando foi aprovado o sistema de cotas. Assim como na ocasião, em que eu me posicionei contra o sistema de cotas por achar injusto, talvez por ironia, hoje eu volto a me posicionar da mesma forma, justamente por ter sido uma das prejudicadas. No dia 28/2, saiu a classificação, minha colocação foi 120º. Considerando que o curso de Direito oferece 120 vagas, e se não existissem cotas, eu seria aprovada em primeira chamada. Estudei toda a vida em escola pública, inclusive já sou formada em outro curso da UEL. Tudo que conquistei até hoje foi com muito esforço sem nunca ter sido privilegiada por nenhuma medida política. Me esforcei e fui capaz de alcançar nota de aprovação, mas isso não foi o bastante. Era necessário fazer justiça social. Mas pra quem? Espero que essa medida não decorra em mais preconceito dentro das universidades, porque aqui fora, acredito que não só eu, mas os classificados rejeitados por adoção do sistema de cotas, provavelmente não veremos os cotistas da mesma forma. Agradeço à UEL e ao governo por isso, pela revolta desencadeada em tantos. Se causa estranhamento tanta revolta, acredito que eu deva ficar contente como cidadã brasileira já que justiça social foi feita pra alguém, mesmo que tenha tido nota inferior. Ao invés de dar condições de igualdade de competição aos alunos egressos de escola pública, preferimos reservar uma vaga pra ele, calar a boca dos que reivindicam um ensino médio de qualidade e deixamos de fora outras pessoas mais preparadas, que se esforçaram.
ANA PAULA JURKEVICZ (estudante) - Londrina
Vergonha nacional
A grande preocupação dos nossos ''ilustríssimos'' deputados federais é votar os projetos de necessidades emergênciais, como o aumento do salário e das regalias dos mesmos. Na Folha de 4/3, um dos representantes do povo paranaense, o deputado José Janene, demonstrava para que veio: indignou-se por não terem os deputados as mesmas regalias dos senadores, tais como ''carro com motorista, gasolina e auxílio-saúde vitalício para toda a família''. É interessante notar esta afirmação e entendê-la do ponto de vista prático. É claro que um deputado federal com um salário furreca de aproximadamente R$ 12 mil e verbas que giram em torno de R$ 80 mil, não teria condições de bancar o combustível do seu carro, muito menos um plano de saúde para a família ou nem mesmo pagar um tratamento particular. É por isso, sr. deputado, que gostaria de lembrá-lo que se com esta ''pequena'' verba mensal não dá conta de cuidar da saúde da sua família e precisa depender de dinheiro público para fazê-lo, muito menos o povo que o elegeu tem condições de ter um plano de saúde e precisa enfrentar a vergonhosa fila do SUS (se é que o sr. sabe o que é isso), e morrer à espera de um atendimento, sabe por quê? Porque o SUS não tem verba para aumentar a demanda de atendimentos. Na cabeça dos ''nobres'' deputados é preciso investir na saúde dos seus bolsos.
DOUGLAS TADEU FARO (arquivista) - Londrina
Fatalidade?
Acompanhando o noticiário das TVs e, em especial, da Folha de Londrina, tenho visto atribuir-se à ''fatalidade'' muitos infaustos acontecimentos. Será mesmo fatalidade um desastre de trem quando a manutenção das ferrovias é ruim e o pessoal trabalha estafado, como demonstrou a série de reportagens recém-publicadas neste jornal? Será mesmo fatalidade um desastre de avião quando a manutenção das aeronaves é feita a partir de peças (já cansadas) retiradas de aviões desativados? Será mesmo fatalidade um desastre de automóvel ou caminhão ao trafegarem pelas estradas esburacadas, sem sinalização e sem vigilância, onte motoristas abusam da velocidade e dirigem com sono e bebida alcoólica na cabeça? Será mesmo fatalidade morrerem pacientes em hospitais malcuidados por falta total de assistência (que é dever primordial do Estado)? Estou certo que a lista poderia ser ainda muito maior. Mas, o que fazer? Assuntos como manutenção de ferrovias, estradas e equipamentos aéreos, envolvem muitos recursos e devem ser debatidos numa esfera que não ouso alcançar. Contudo, fica o alerta porque nós, pobres mortais, não queremos ficar expostos a essas ''fatalidades'' tão previsíveis.
EDGAR BAER (advogado) - Londrina
Cinema em Londrina
Percebe-se uma carência da qualidade dos filmes exibidos nas salas de cinema de nossa cidade. Sem contar que essas salas só se encontram nos shoppings e em algumas delas a programação da semana é mudada sem prévio aviso. Os filmes que estão atualmente em cartaz são predominantemente de origem norte-americana, contam a saga de aviadores e o drama de boxeadores. Atendem a uma lógica de mercado na qual todos lucram: produtor, distribuidor e exibidor, pois vendem meramente um produto. É a indústria cinematográfica mais forte do que nunca! Todavia, nessa trama quem perde é somente o espectador que se acha sem opção. Ele é forçado a ver apenas uma maneira de se fazer cinema. Prazer e reflexão nascem do contato com vários pontos de vista. Não estou dizendo que qualidade de um filme dependa de sua nacionalidade, contudo, em Londrina não se assiste a um filme do brasileiro Bressane, do russo Sokúrov, do franco-suíço Godard, ou do norte-americano Linklater. Por que os empresários daqui são tão relutantes em fomentar cultura? O cinema também é arte e como tal solicita do espectador uma intensa e complexa atividade poética. A criação e a exploração de mundos ilusórios e oníricos que se abrem no tempo e no espaço é o comportamento que se requer daquele que se encontra diante de uma obra cinematográfica.
RODRIGO PORELI MOURA BUENO (estudante) - Londrina





