CARTAS
Horário do comércio
Acho que a Acil, como qualquer entidade, deva defender os interesses de seus associados, se assim eles os querem e não sou contra. Mas, como imobiliarista, fico cético de que esta medida vá incrementar as vendas. O cidadão quando está predisposto a comprar, procura os horários habituais e rotineiros com que está acostumado. O comércio está fraco por questões conjunturais e macroeconômicas, juros cada vez mais altos a cada reunião do Copom, os bancos apresentando lucros cada vez mais altos, graças aos juros estratosféricos. Já o comércio está nesta míngua. Mesmo o cidadão que tem dinheiro pra gastar, não o faz por insegurança, não sabe se amanhã poderá lhe fazer falta. Prefere deixar aplicado no banco, ao invés de consumir, e assim alimentar a cadeia produtiva. Li na Folha (26/2) que Londrina tem 110 mil favelados. Isso é relevante para uma população de 500 mil, daí toda a violência, a desesperança e o pessimismo, e a falta de consumo. Imagine se esses 110 mil favelados tivessem poder de compra para gastar no comércio. Talvez, justificaria a abertura do comércio em horários não-habituais. Como associado da Acil gostaria de vê-la mais empenhada em manifestar seu repúdio contra a política econômica do governo que está sufocando a economia. Também criticar ações como da Câmara Municipal visando aumentar a verba dos assessores dos vereadores e fatos que afetam a sociedade e nos constrangem e revoltam.
MÁRIO SÉRGIO DE SOUZA (imobiliarista) - Londrina
Fim do túnel
O brasileiro é um povo ordeiro, pacato e sonhador. Sonha com um Brasil grande, exportando tecnologia, água para matar a sede e comida para matar a fome. Orgulha-se deste Brasil que tudo tem e de pouco depende para ser feliz. Tem orgulho e esperança, porém a classe política na sua ganância de poder, na falta de coerência operacional, na sua teimosia de fazer do povo uma rebanho de cordeiros, vem atravancando esse sonho. A falta de escrúpulo ou o aumento da sem-vergonhice, que a cada ano vai se avolumando está conduzindo o povo para o fim do túnel. Este projeto do tal Severino, aumento salarial dos deputados, acaba com a serenidade peculiar dos brasileiros. A classe política deveria, até mesmo por prevenção, respeitar seus eleitores e não taxá-los de ignorantes como acontece atualmente. Estamos chegando ao fim do túnel, e quando assembléias forem invadidas, depredadas e seus pseudo-representantes enxotados e agredidos, não rotulem os responsáveis como arruaceiros ou bagunceiros, pois isto foi a paciência de um povo ordeiro e trabalhador que se esgotou pela falta de vergonha de seus representantes.
WELLINGTON AMARAL SAMPAIO (aposentado) - Londrina
Irmã Dorothy
Pela mídia ela nos foi apresentada, uma senhora idosa, decidida, de cabelos curtos, sorridente e com óculos. Poderia ser a avó ou a mãe de muitos. Quanta semelhança com a minha mãe, a Mama! Esses dias a Mama costurou e pintou de verde um vestido de algodão cru, pôs meias pretas e botas e foi passear no mato. Com essa ''fantasia'' ela bem que poderia ser confundida como uma seguidora da irmã Dorothy. Apesar de confrontados diariamente pelos meios de comunicação com o caso da irmã Dorothy, ficamos sem compreender direito como uma velha senhora desarmada ofereceu tamanho perigo a ponto de ter que ser assassinada. Que poder tinha essa mulher? A quem ela incomodava? E o porquê do conflito? A história da irmã Dorothy, com certeza, logo vai virar filme, destes com ação, herói (heroína), vilões, floresta amazônica, exército. Um filme para render muito dinheiro. Será que, no final das contas, não foi essencialmente o dinheiro a causa da morte da irmã Dorothy? Segundo as notícias, alguém ou alguns fizeram o ''serviço'' por R$ 50 mil; quem pagou julgava seus negócios ameaçados. Negócios que existem em função de fregueses e esses, direta ou indiretamente, somos todos nós. Em maior ou menor grau temos parcela de culpa na morte da irmã Dorothy. O não-perceber e questionar o que a vida de cada um causa, nos culpa pela morte dela e de inúmeras outras pessoas, de animais e vegetais. Não é preciso ser alternativo, fazer e pintar vestidos, usar meias ou botas. Podemos desenvolver nossa própria fantasia, apresentá-la sem medo e com alegria nos descobrir e sermos descobertos. O encontro das nossas fantasias poderá talvez nos levar a sermos menos agressivos com o mundo.
DANIEL STEIDLE (agricultor) - Rolândia
Câmara responde
Na edição de 25 de fevereiro o autônomo Nildo Raboni, em carta publicada nesta seção, proferiu uma série de inverdades sobre a Câmara de Vereadores de Londrina. Repleta de generalizações, aquela carta, faz acusações temerárias. Concordar com o voto dos vereadores ou discordar deles é salutar porque o debate leva à verdade e fortalece a democracia, mas ofender generalizadamente uma instituição como a Câmara de Londrina, que tantos serviços já prestou e presta a este Município, é um desserviço à Cidade e à verdade, pois tão discutível como possa ter sido o voto de algum vereador é a generalização injusta e odiosa e o preconceito, que só se podem atribuir à ignorância do missivista sobre o que esta Câmara foi e é na comunidade londrinense. Esta Casa jamais se furtou ao debate e ao embate de idéias, sinais de uma democracia viva e atuante. Mas esta Câmara não pode aceitar a acusação generalizada e vaga, arma de quem apenas destila preconceito porque desconhece o trabalho de muitos homens públicos que dedicaram e dedicam muitos anos de sua vida ao bem-estar e à melhoria da comunidade londrinense. Alguém já disse que só a verdade liberta dos preconceitos. Se o sr. Nildo Raboni conhecesse melhor o passado e o presente da Câmara de Londrina, certamente não teria proferido tantas acusações injustas àqueles vereadores que sempre honraram sua carreira política e os votos recebidos.
ORLANDO BONILHA (presidente da Câmara de Vereadores de Londrina)





