CARTAS
Fazendo memória
Alguns dias antes dos ''nobres'' vereadores aprovarem o vergonhoso aumento da verba de seus gabinetes, foi comunicado à população que na Sercomtel sete pessoas tomariam posse de cargos comissionados. E o poder público de nossa cidade sequer tomou conhecimento da opinião popular. O mesmo que aconteceu na Câmara. E na Prefeitura? É comissionado por todo o lado, um tropeçando no outro. Contudo, quem paga é o contribuinte, quer queira ou não. Gastar o dinheiro dessa forma pode até ser legal, mas certamente não é moral. Se existe tanto trabalho nos órgãos públicos, por que não fazer então concurso? Ao menos os que passarem terão méritos próprios. Lembrando da última campanha em Londrina quando a palavra mais usada foi ''honestidade'', fico me questionando: será que eles conhecem o sentido dessa palavra? Tivemos a terceira sessão na Câmara, nossos representantes estavam tranquilos. A cidade até parece perfeita, sem nenhum trabalho de emergência.
ALZIRA RODRIGUES INACIO (escriturária) - Londrina
Que tal mil vereadores?
Diz-se que os vereadores representam a sociedade como um todo. Mas isto está errado. Pois se temos 18 vereadores para mais ou menos 500 mil pessoas, cada vereador representa mais ou menos 28 mil pessoas. Mas se quisermos que haja mesmo uma representação mais justa, por que não se colocar mil vereadores? Aí teríamos cada vereador representando 500 pessoas. Isso sim que seria representatividade. Só que esses mil vereadores não receberiam nenhum tipo de remuneração e toda discussão ou votação ou seria pela internet ou um outro que poderia ser pensado. É possível?
MARCO ANTONIO FRANCO (empresário) - Londrina
Goleada do LEC
Quarta-feira, 23/2. Acabo de dar aulas para as turmas de Engenharia da Computação e Processamento de Dados na Unopar e chego em casa com a esperança de assistir um bom segundo tempo de um jogo de futebol do Campeonato Paulista. Abro uma cervejinha e o Rio Branco empata 1 a 1 contra o meu eterno Santos. O jogo vai passando e aos 46 minutos Ricardinho chuta a gol, o zagueiro rebate e Robinho chuta e marca o quinto gol. Não há alegria maior, senão a que tive no resultado do vestibular do UEL nesta semana, quando tive a grata surpresa da aprovação de minha filha Fabiana no curso de Medicina, com cota para negros e tudo mais. Para fechar o dia só faltava checar o resultado do jogo do Londrina contra o Malutrom. Ligo o radinho e fico atento. Qual foi a minha surpresa, o Tubarão mandou 6 a 2 contra o Malutrom. Parabéns Garrote! Nesta noite poderia acabar o mundo que eu não me importaria, principalmente por ser um filho de sobrevivente da bomba de Hiroshima que sofreu a vida toda e sobreviveu a todos os planos econômicos do governo. Será que seria o caso de não dormir para não acabar o dia? Seria um sonho? Me acordem! Agora só me resta assistir ao jogo do Santos contra o São Caetano neste domingo pela Rede Record, que com bom-senso transmite jogos do Campeonato Paulista, diferentemente da Globo que insiste em nos ''brindar'' com jogos do Paranaense.
PAULO KIYOSHI NISHITANI (professor) - Londrina
Irmã Dorothy
Fiquei todos esses dias, após o assassinato da irmã Dorothy Stang, imaginando como pode tanta crueldade no ser humano. Não tinha nem pique para escrever nada. Somente agora consegui escrever essas linhas. Irmã Dorothy não ficou enclausurada nas mordomias do convento rezando/orando Pai-Nossos, Ave-Marias pela conversão dos políticos, dos latifundiários, grileiros, como infelizmente muitos pensam que religião é somente para isso. Ela teve a coragem de ser profeta consciente e atualizada. E assim fez real o ensinamento de Jesus: ''O Espírito do Senhor está sobre mim. Porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a boa notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos''(Lc 4, 18ss). Irmã Dorothy, tenha certeza que sua utopia, o seu sonho de justiça, de fraternidade continuará vivo nos corações e na vida de todos nós que acreditamos e também sonhamos que ''um outro mundo é possível''. Afinal, eles ''podem matar o nosso corpo, mas jamais matarão o nosso sonho e a nossa esperança'' (Mt 10,28).
ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho
Eutanásia
Como médica, gostaria de esclarecer duas idéias sobra a eutanásia: 1) há uma grande desinformação da população a respeito do tema. Quando se pronunciam a favor, chamam de eutanásia a não-utilização de meios extraordinários para prolongar a vida inutilmente, e isso não é eutanásia! A utilização de meios fúteis é distanásia! E esta não é ética. 2) estudos europeus mostram que pacientes terminais não querem a eutanásia, não querem antecipar a própria morte, quando recebem alívio de sua dor (e há inúmeros recursos disponíveis) e quando sentem-se apoiados por sua família. Esta ama o familiar pelo que significa e é, não pelo que produz ou deixa de produzir.
RENATA MACIULIS DIP (geriatra e médica de família) - Londrina
Marketing da Sercomtel
Esperemos que com Bernardo Pellegrini na direção de marketing da Sercomtel Celular, a publicidade da empresa deixe de primar por desrespeito à cidadania e aos valores morais. Em plena época natalina, por exemplo, a propaganda da Sercomtel era uma lição de mau caráter e esperteza malandra. Ao longo de vários anos, os londrinenses tiveram na publicidade da Sercomtel claros exemplos de deboche dos princípios de boa conduta e convivência social, através de gracinhas publicitárias (sem graça) que só desmereceram a imagem da empresa e a conectaram com desrespeito às pessoas e à cidadania. É mais que tempo de parar com isso e se penitenciar com publicidade que nos orgulhe e nos motive, em vez do contrário.
DOMINGOS PELLEGRINI JR. (escritor) - Londrina





