Desencanto
Minha posição com relação à classe política é de total desencanto. Estamos sem nenhuma defesa, como um navio à deriva. Os políticos, eleitos para nos defender, resolvem logo após as eleições defender seus próprios bolsos ou melhor enchê-los mais ainda. Penso que bolsos não serão suficientes para os políticos. Terão que carregar malas, tanto a ganância. Por isso, estou decidido por uma desobediência civil com relação a impostos, tais como IPTU, IPVA e muitos outros tributos que me são impostos por estes políticos gananciosos. Me recuso a contribuir para encher ainda mais a pança de senadores, deputados, vereadores, ''assessores qualificados''. Sei das consequências futuras com relação a este meu ato, mas corro o risco. Antes ainda tínhamos alguns partidos ditos de esquerda e algumas entidades atreladas a esses partidos que nos defendiam. Hoje estão todos no poder, se juntaram com aqueles que sempre se locupletaram, agarraram-se todos à mesma ''teta'' e a população não tem mais a quem recorrer, a não ser torcer por um ''tsunami'' que varra do mapa essa classe tão desprovida de qualquer sensibilidade com relação ao coletivo.
JOAQUIM BRAGA (professor) - Londrina

Que vergonha
Nestes últimos dias, o Brasil viveu uma das maiores vergonhas de sua história democrática: a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara dos Deputados. Não, pela pessoa do deputado, mas sim pela sua promessa de campanha: aumentar o salário dos companheiros para mais de R$ 20 mil. Em um país onde o trabalhador ganha R$ 260 de salário mínimo, a maioria dos deputados está pouco ligando para os cofres públicos. Mais uma vez a maioria dos parlamentares está preocupada com o bolso, e o deputado Severino, macaco velho, soube muito bem como ganhar votos com sua promessa tentadora. Esta primeira derrota do Governo Lula faz com que ele vá aprendendo a cada dia que é melhor ser oposição, e que para ser situação, infelizmente, há necessidade de ceder a interesses individuais financeiros a parlamentares. Não foi somente o governo que perdeu, mas toda a população brasileira, enganada mais uma vez pelos princípios de nossos políticos. Esta foi mais uma vergonha nacional que, em poucos dias, desaparecerá. Daqui a dois anos tem eleição e o voto é a única chance de começar a mudar este cenário.
FRANCISCO ANTONIO BONI (advogado) - Santa Cruz de Monte Castelo

Anexo do museu
A Folha de Londrina mostrará grandeza se admitir que está equivocada ao condenar, em Editorial, a construção de anexo no Museu Histórico de Londrina. O projeto foi escolhido por concurso e criado com liberdade pelo arquiteto, sendo a liberdade base do regime democrático. O concurso foi organizado pelo Clube de Engenharia e Arquitetura, a pedido da Sociedade Amigos do Museu, por sugestão do deputado Alex Canziani, portanto, num processo plenamente legítimo. Exemplo de anexo em estilo contemporâneo é o do Museu do Louvre, em Paris, o mais famoso e visitado museu do mundo, onde o anexo em forma de pirâmide, feito com materiais de tecnologia recente, tornou-se grande atração. Afinal, seria impossível reconstruir um anexo com os materiais de outrora, e seria conservadorismo querer reconstruir o passado. O choque entre as duas arquiteturas é bonito e estimulante, evidencia o culto do novo e da liberdade que pautam Londrina desde o começo, cidade onde as gerações arquitetônicas se sucederam e onde ainda convivem casas de madeira e edifícios. Deve ser motivo de orgulho para os pioneiros que o Memorial dos Pioneiros, nome do anexo, seja em estilo contemporâneo, pois o espírito dos pioneiros era de mudança e empreendedorismo. Melhor será se, com o anexo, os vagões ali preservados passem a ter função dinâmica, servindo, por exemplo, como home theater para recepção de grupos de visitantes.
DOMINGOS PELLEGRINI JR. (escritor) - Londrina

Música clássica
Na edição do último dia 15 da Folha de Londrina, no ''Espaço Aberto'' foi publicado o artigo ''Música, cachorro-quente versus cozinha francesa'', de caráter depreciativo e ofensivo a minha pessoa, da autoria de determinado professor universitário. Essa pessoa baseou-se numa entrevista publicada em 23 de setembro próximo passado (!!!), alusiva aos 20 anos de apresentação ininterrupta do programa ''A música dos grandes mestres'', transmitido de início pela extinta Rádio Cruzeiro FM e atualmente pela Rádio Universidade FM. Ocorreu que naquela entrevista, de caráter informal, com o entrevistador explicando a extrema complexidade da música clássica, fiz uma comparação afirmando que a ''música popular seria como um cachorro quente em relação à música clássica que seria um refinado prato da cozinha francesa''. Tal comparação foi apenas para exemplificar para o repórter a grande diferença estrutural entre os dois gêneros, jamais imaginando que ele publicaria tal comparação. Infelizmente, o referido professor, ignorando o teor da entrevista, resolveu fazer sua crítica da maneira citada, usando termos que além de me ofenderem, me humilharam fazendo pouco caso ao citar os jargões usados no programa que apresento ainda, no artigo eu teria citado que gostava de música caipira, folclórica alemã e russa, e que existe música boa e má, esta última não sendo desfrutada por mim, mas esquecendo de citar que também gosto da popular da qual possuo uma vasta discoteca, o que é óbvio, como brasileiro que sou. Deveria essa pessoa primeiro ter se informado com o entrevistador se realmente eu determinara a publicação dessa frase e de outros pensamentos citados na reportagem, já que ''o papel aceita tudo''. Fica portanto registrado meu protesto e sobretudo minha repulsa e indignação por essa atitude vil, infundada gerada de uma mente destrutiva e anti-social .
ARISTIDES A.J. MAKOWICH (médico) - Arapongas

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