CARTAS
Iasp questiona
Em relação à série de reportagens sobre o Ciaadi/SAS de Londrina, elaboradas pelo jornalista Alan Maschio, publicadas em janeiro na Folha de Londrina, chamou-nos a atenção a inconsistência dos assuntos escolhidos como importantes a serem tornados públicos sobre a questão do adolescente e da instituição, indicando a imaturidade de um profissional no qual depositava-se crédito em mostrar um pouco da complexidade e seriedade do trabalho de educadores, técnicos e diretoria, no sentido de manter a ordem e segurança de todos, principalmente dos adolescentes que aqui estão, assim como mostrar a real situação desta população. A leviandade e superficialidade com que foram tratadas as questões referentes ao cotidiano da instituição e dos adolescentes nos decepcionou, uma vez que os assuntos selecionados pelo jornalista são os de menor importância num contexto de carência, sofrimento e violência. As distorções feitas nas declarações de funcionários e nas observações do jornalista comprometem a ética e a seriedade, assim como o sigilo sobre a identidade dos adolescentes. Tais questões acabam por comprometer a relação de confiança que se tenta estabelecer entre instituições públicas e imprensa, e causou-nos pesar constatar que os assuntos selecionados como destaque giram em torno de fantasias, acusações infundadas, comentários irresponsáveis e superficiais, assim como são ofensivos à moral dos funcionários desta unidade. Quanto à questão da (re)socialização, temos a dizer que esta é constituída de inúmeros fatores e requer uma rede de atendimento que passa por família, políticas públicas e sociedade como um todo. O Ciaadi/SAS é um componente dessa rede e seria, no mínimo, utópico pensar que aqui os problemas serão resolvidos, uma vez que são de ordem estrutural e esta é uma unidade de internação provisória para adolescentes que aguardam decisão judicial. Daí o fato de permanecerem por 45 dias, pois, este é o prazo legal para que o processo seja apreciado e julgado. A função do Ciaadi/SAS é realizar um estudo de caso sobre o adolescente a fim de subsidiar a Vara da Infância e Juventude na aplicação da medida socioeducativa e/ou de proteção, e articular os recursos da comunidade para garantir uma intervenção futura (retorno à escola, tratamento de drogadição, projetos pedagógicos, escolas profissionalizantes e outros) que venha ao encontro das necessidades detectadas. Também garantimos ao adolescente seus direitos jurídicos e atendimento biopsicossocial enquanto permanece na instituição. Para isso, uma estrutura que conta com educadores sociais, instrutores, professores, médico, assistentes sociais e psicólogas funciona com dedicação e respeito por estes adolescentes, que apesar do conflito com a lei, são cidadãos e, como o próprio jornalista disse, são também vítimas de uma sociedade desigual. Por fim, a grande decepção reside no fato de que esperávamos que a série de reportagens pudesse resultar num novo olhar sobre a questão do adolescente em conflito com a lei, mobilizando a sociedade e o poder público para reflexões e ações, e não se limitasse ao que foi publicado.
ODILA SANTOS CABRAL (diretora do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator - Ciaadi) - Londrina
N.R.: A direção do Ciaadi reclama que a reportagem não mostrou a complexidade e seriedade do trabalho dos educadores, técnicos e diretoria da instituição. Mas como explicar isto se os menores abrigados no Ciaadi correm risco de morte? Educadores, técnicos e diretores não podem consertar o mundo, nem foram contratados para isso. Mas dentro do Ciaadi os meninos não poderiam correr riscos deste tipo. Se correm, é porque são mal-assistidos. E isso a série de reportagens da Folha deixou bem claro. Quanto à mobilização em torno da questão do menor infrator, não é a imprensa que os diretores e pessoal do Ciaadi deveriam cobrar. Os problemas existem, a imprensa relata e cobra soluções, mas quem deveria agir (poder público) não mostra todo serviço que a situação requer.
Memorial dos Pioneiros
A respeito do Editorial de domingo, em que a Folha questiona o projeto arquitetônico do Memorial dos Pioneiros, em vias de ser erguido no Museu Histórico de Londrina, venho manifestar que não vejo minha participação na viabilização da obra em si como um ''desserviço à causa'' da preservação do patrimônio histórico, como salientou a Folha, já que o projeto arquitetônico da obra supostamente destoa - opina o jornal - das linhas históricas da antiga ferroviária. A idéia da construção do memorial foi minha e remonta a dezembro de 1996, quando, ainda como vereador, aprovei uma lei nesse sentido. A sugestão era a de construir o memorial em um espaço apropriado no Marco Zero de Londrina, mas infelizmente não houve entendimento com os proprietários daquela área privada. A obra era para ser inaugurada nas comemorações dos 70 anos do município, o que infelizmente não aconteceu. Como deputado federal, minha função deveria se ater à viabilidade dos recursos necessários (R$ 200 mil) para o empreendimento, já que sua construção recai, por lei, sobre a Prefeitura. Mas fui além disso. Além de conseguir o dinheiro, manifestei que a instituição apropriada para promover a obra seria a Sociedade Amigos do Museu (SAM) - que, a bem da verdade, tem feito um grande trabalho em prol da memória da cidade. Esta sugestão foi prontamente atendida e conta com o apoio da Prefeitura. Também sugeri a realização de um concurso público nacional para escolher o melhor projeto, o que também foi realizado, desta vez através de uma parceria entre a SAM e o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal). Diante de tamanha participação, não me enxergo como ''inocente'' nesse processo. Sou responsável, sim! Sou neto de pioneiros, como bem disse a Folha, e também por isso abraço esta causa com muito orgulho. Qual comunidade não gostaria de guardar, na memória, a história de seus pioneiros? Quanto ao projeto arquitetônico em si, pivô que originou o Editorial, cabe à sociedade discutir, democraticamente, ouvindo os executores da obra, a área cultural e os representantes da comunidade.
ALEX CANZIANI (deputado federal) - Londrina





