Verba imoral

Cerca de um mês antes das eleições municipais recebi telefone da assessoria de um deputado federal convidando-me para um encontro político a ser realizado na AABB. Chegando lá, constatei que a finalidade do encontro era reunir funcionários e aposentados do Banco do Brasil para obter apoio à candidatura de um jovem oriundo de quadros sindicais do funcionalismo público e que acabou se elegendo. Na ocasião achei muito interessante a iniciativa. Tivemos oportunidade de ouvir um jovem candidato, com idéias de renovação, etc. Lamentavelmente, o meu vereador se adaptou rapidamente à vida política. Segundo a Folha de Londrina de 18/2 (pág.3), o mesmo foi um dos que votaram a favor do aumento da verba de gabinete dos vereadores. Já que o mal está feito, sugiro que seja feito um concurso público para admissão dos assessores que irão receber esta verba. A não ser que a sua finalidade seja empregar algum cabo eleitoral.

AFONSO ROQUE WELTER (bancário aposentado) - Londrina


Vereadores

Depois de muita luta os vereadores do nosso município, liderados pelo sr. Orlando Bonilha, conseguiram a aprovação do projeto que determina o aumento da verba para contratação de assessores. Como se vê, tudo caminha de acordo com interesse dos nobres edis. A opinião do povo não tem a mínima importância na visão desses senhores. Legislam em causa própria. Uma decisão inescrupulosa. O senhor Bonilha diz que essas pessoas só serão contratadas para que a instituição consiga atender às necessidades da população com qualidade. Mas que pessoas serão contratadas? Cabos eleitorais? Já que há o recurso e a necessidade de mais pessoas para atender as demandas da Câmara por que não realizar um concurso público para que haja uma seleção transparente? E o Ministério Público, que lutou para a diminuição no número de vereadores, não pode fazer nada contra essa vergonhosa decisão? É lamentável! Fica aqui o meu protesto e meu respeito àqueles que votaram contra um projeto que só traz benefício aos vereadores que provavelmente usam de um artifício antigo na política que é o de prometer cargos às pessoas envolvidas no processo de eleição.

CLAUDINEI FERREIRA DO NASCIMENTO (professor) - Londrina

Memória política

''Até quando vocês julgarão injustamente, sustentando a causa dos injustos?'' (Salmo 82). Que bom seria se os vereadores consultassem verdadeiramente a Bíblia para desenvolver seus trabalhos. Tenho certeza que seria diferente. Estive na Câmara e assisti a uma votação vergonhosa. Pior ainda é saber que estão lá católicos e evangélicos que, na verdade, usam as igrejas como trampolim político. Mas eles voltarão às comunidades e às igrejas, então, nós vamos mostrar que não somos um ''povo sem memória política'' (saibam, isso é o que eles pensam de nós). Por isso, peço a todos os leitores e assinantes que estão indignados com essa situação: guardem as matérias publicadas e as usem no momento oportuno, que não vai demorar para acontecer. O ''poder'' não está neles, mas em nós.

ALZIRA RODRIGUES INACIO (escriturária) - Londrina


Aumento de verba

Como está difícil acreditar em nossos políticos. Antes das eleições comem até churrasquinho de gato com eleitores, depois de eleitos querem reprimir as manifestações dos próprios eleitores que eles mesmos pediram os votos. Nossa Câmara de Vereadores até parece um Big Brother. Temos que avisar a Globo que ela tem concorrência. Não sei se combinam voto, mas tudo leva a entender que sim. Os que votaram a favor já sabemos o que fazer nas próximas eleições. E os contra, com certeza, já sabiam que iriam perder, e pensaram: vamos fazer uma média com a população, pois estamos na ''turma do Jean e da Pink''. Vamos parar de nos preocupar com os municípios com maior verba. Acho que nenhum vereador se preocupa com o que o ganha o vizinho próximo de sua residência. Será? Uma última pergunta: todos os açougues combinam preços das carnes também?

ANTÔNIO RICARDO PACHECO (engenheiro mecânico) - Londrina


A vida não acaba aqui

Lendo as notícias do dia, minha indignação transbordou os limites da tolerância: Câmara dos Deputados Federais pleiteiam um aumento astronômico em salários; vereadores de Londrina aumentam a verba dos gabinetes sem um pingo de consciência e ética; o nosso prefeito pleiteia a criação de mais sete cargos de confiança na Sercomtel enquanto os servidores públicos lutam para que se cumpra uma promessa feita antes das eleições; o governo federal quer aumentar impostos levando o setor produtivo ao desespero; Ministério da Saúde divulga em reunião da Comissão Nacional de Aids que não terá medicamentos suficientes em três meses para o tratamento de Aids. Nós só existimos de 4 em 4 anos, quando os grandes empresários - os políticos - vêm nos vender um sonho de dignidade e nós compramos e pagamos com o voto. Depois - morte social -, estamos no esquecimento. Tenho vergonha de ser brasileira, paranaense e nascida na cidade de Londrina. Vergonha de viver nesta falsa democracia onde se vive a ganância política partidária, onde a extorsão é condenada mas o governo a pratica descaradamente através de taxas e impostos, onde não há pena de morte, mas está instituída pela ganância, fome, miséria, falta de saúde, educação, moradia e trabalho. Aprendi no caminho que faço a cada dia que a minha morte física será dignificada com os atos que fiz em vida, porque fiz dela uma vida digna. E os nossos políticos: haverá algo para lembrar que os dignifique? Choraremos de alegria ou tristeza? A vida não acaba aqui.

SILVANA GOMES DOS SANTOS (presidente da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids ALIA) - Londrina

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