'Trem da alegria'
Infelizmente, as expectativas quanto aos administradores de nossa cidade entrarem na linha redundou nisto: montaram um ''trem da alegria''! Quando criamos e conduzimos a Sercomtel nas épocas difíceis, esta empresa se desenvolveu com seus alicerces na austeridade, trabalho sério, competente e muito sacrifício. Foram anos difíceis e muitas barreiras foram vencidas: tráfego mútuo do interurbano; expansões que não eram aprovadas; tarifas congeladas por anos; telefonia celular que quase ficou com a antiga Telepar e tantas outras lutas. Tudo para oferecer aos londrinenses um excelente serviço de infra-estrutura e fator de desenvolvimento. Mas, o tempo passou, a vaca engordou e fico pasmo de ver o presidente do Conselho, que no passado de tudo participou e até chegou a ser superintendente, dar seu aval e conduzir o ''trem da alegria'' municipal levando para cargos que exigem elevada competência profissional pessoas cujas credenciais são apenas ter uma filiação partidária e ter feito ''trabalho de campanha''! Uma decepção! A cidade não pode aceitar isto. Londrina não merece! As coisas começaram mal neste segundo mandato. Muito mal! O que será que ainda vem por aí? Haverá tetas para todo mundo?
LUIZ ANTONIO FELIX (professor) -Londrina

Juros
Belíssima reportagem publicada ontem na Folha de Londrina. ''Brasil está em um círculo vicioso'' (Economia, pág. 6) sobre as taxas de juros e a inflação. Porém, os números são contraditórios. Também acho que 7% de juro real ao ano seria muito bom. Contudo, é preciso que tenhamos uma taxa inflacionária confiável. Dizer que a projeção dos juros real está em 12% pode não ser verdadeiro. Temos índices inflacionários que vão desde 6,13% até 12,14% ao ano. Qual seria o índice de inflação que o autor da citada matéria tomou como referência para chegar a um juro real de 12%? Sim, porque para uma taxa Selic de 18,5% se tirarmos 20% do imposto de renda e mais 12,14% de inflação teremos um juro real de 2,66% ao ano, e não 12% como quer o autor da matéria. Com a censura que se tenta impingir ao IBGE, é preciso que tenhamos cuidado com os índices que se apresentarão. Volto a dizer que de 1964 a 1994 as taxas de juros no Brasil foram negativas em média 15% ao ano. Ressalvo que os juros bancários, direto ao tomador do empréstimo, tem outro tratamento, pois nele está embutido o lucro do banco e os ''spreed''.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina

Mudança Possível
Início do período letivo, professores e alunos mobilizados para iniciar a nova empreitada que vem pela frente, cheia de peripécias e aventuras por mundos somente propiciados pela desejo de aprender, mutuamente, co-participativamente. Que bom se tudo isso fosse verdade! Agora, o aluno lembra do banheiro quebrado; da cadeira desconfortável; do professor mal-humorado; das horas ''perdidas'' de sua vida, trancado numa sala de aula. No outro lado, o professor lembra do seu salariozinho; da falta de condições para lecionar; do trabalho dobrado que ele terá em driblar as dificuldades sociais em que seu alunos estão inseridos e ele próprio; da falta de pedagogicidade da escola, pois esta não pode oferecer satisfação aos envolvidos, em função de todo o descaso a que está submetida... Enquanto isso, discute-se sobre o superávit da balança comercial; a salvação de bancos e empresas ''brasileiras''; meta do FMI, Banco Mundial; mas ninguém pensa no futuro possível pela educação. Na verdade, preocupam-se com o seu sucateamento, no sentido de garantí-lo. Um povo tapado é mais fácil de se controlar, reprimir. Faço um apelo a todos os envolvidos com a educação, docentes, discentes e, sobretudo, aos governantes: tratem-na com responsabilidade, ética. A transformação dessa realidade excludente para uma includente, se dará a partir do entendimento que somos responsáveis pelo bem comum. A educação instiga o desenvolvimento, a ética, a incorfomidade com o modelo existente e a criação de um novo parâmetro de vida mais complementativo, interacional, mais saudável e justo para todos. ''Não é na resignação mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos.'' Paulo Freire.
DANIEL JOSÉ GONÇALVES (professor) - Curitiba

Solidariedade
Quero parabenizar o sr. Fraterno Maria Nunes, de Campo Mourão, pela carta publicada na Folha de Londrina (28/1), em que faz considerações sobre lógica e tsunami. Nessa sociedade hipócrita em que vivemos, onde todos buscam uma unanimidade burra, nada há neste mundo mais a ser admirado do que a coragem de uma pessoa em expor suas opiniões sem medo, com audácia e determinação diante de todo mundo. Em nossa convivência com todo o tipo de gente sem cultura e sem leitura, onde até portadores de diplomas universitários não sabem a diferença entre moral e religião, a atitude do sr. Fraterno é sobremaneira elogiável. Também concordo com suas palavras quando diz que religiões e governos servem apenas para beneficiar alguns em detrimento de muitos pois quanto mais ignorante o povo, mais fácil de ser conduzido. E não nos esqueçamos de que quando o sr. George W. Bush foi à televisão comunicar a invasão do Iraque, com a Bíblia em suas mãos, pretendia demonstrar à plebe ignara que tinha o aval da religião oficial de seu país para bombardear civis, mulheres e crianças em nome de uma liberdade que sempre escondeu os verdadeiros interesses econômicos, isto é, o petróleo do Oriente Médio.
BENEDITA MARQUES ARAUJO (professora aposentada) - Londrina

Correção
- Na Opinião da Folha de ontem, leia-se corretamente: ''As cidades-pólo vão crescendo, as intermediárias também, e os espaços para grandes empreendimentos de interesse regional deverão ser os vazios entre esses centros urbanos'' (a região compreendendo Cornélio/Londrina/Maringá).

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