CARTAS
Pedágio e justiça
Nessas férias atípicas, apesar das trombas d'água que atingiram grande parte do país, tive a grata oportunidade em frequentar as retilíneas e amplas estradas duplicadas paulistas (com praças de pedágios a cada 80 km em média) com velocidades de sonolentos - de tão seguras - 120km/h, bem como visitas e compras nos sofisticados shopping centers da capital daquele estado, cujos estacionamentos privados - todos pagos -situam-se não raro em quatro ou cinco subsolos, 100% protegidos das intempéries. Cá de volta ao Paraná, não me importaria em pagar pela utilização de várias de nossas pseudo-estradas, desde que me devolvessem parte de meu IPVA, pistas no mínimo duplas e velocidades de idênticos 120km/h dos paulistas e não essas serpentes mal-alinhadas com curvas enlouquecidas, tráfego contrário em pista única, sempre mortalmente ameaçadores e ''novas tarifas'' em surdinas vésperas de feriados. Também não me importaria em pagar pelos estacionamentos desses shoppings, desde que meu carro seja segurado, abrigado da luz do sol, das lufadas do vento e das águas das chuvas para que, enfim, eu receba de volta - em serviços - pelo tanto que estou pagando a mais.
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ (arquiteto) - Londrina
Compra de votos
Estão querendo comprar votos dos deputados para eleição do presidente da Câmara. Estão aumentando os salários e a verba de representação e mais dinheiro para gastar com funcionários de gebinete, tudo para votar no candidato do governo. Vamos ficar atentos e ver quais são os deputados que se vendem. E com que dinheiro? O nosso dinheiro, gente! E estão falando em liberar dinheiro de emendas dos deputados em troca de votos para o presidente do Congresso. Tudo funciona como chantagem do poder. Estamos vivendo, no Brasil, a ditadura do poder. O presidente Lula não mede escrúpulos para aumentar o seu poder. Não é de espantar se daqui a um ou dois anos nós estivermos vivendo a mesma situação da Venezuela.
DOMINGOS SANKITHI WATANABE (agricultor) - Ubiratã (PR)
Solidariedade e paz
''Felizes os que promovem a paz!'' Já não nos surpreende notícias de agregação de diversas Igrejas em Londrina, quando se trata de um apelo social e cristão na busca do bem comum. Assim é (e cada vez mais será), a Campanha da Fraternidade de 2005 a ser lançada oficialmente no próximo dia 11 de fevereiro. É a paz contra a violência. Não apenas, a violência da guerra ou da insegurança no dia-a-dia que está terrível. Mas a paz interior de cada um de nós, a paz de nosso vizinho de nosso amigo, colega de trabalho. Façamos uma reflexão, uma auto-análise. A forma mais simples e didática de se prevenir, de se ensinar e aprender o ato de doação solidária é o exemplo do perdão. Reflitamos sobre as agressões físicas, verbais e sentimentais ao nosso próximo! Aos nossos familiares! A um menino de rua cheirando cola, a um pedinte no sinaleiro, a uma jovem que se prostitui pela sobrevivência. A culpa é deles? Por que a violência à mulher, às crianças, a violência racial, desigualdades sociais? O que têm feito nossos governantes? Nossos políticos? Nossas escolas? Nossas igrejas? As entidades beneméritas? E nós? O que temos feito? É como dizia Tiradentes: ''Pena, pois se todos quiséssemos, faríamos de País uma grande nação!'' Descruzemos nossos braços! Façamos a nossa parte! Sejamos solidários! Pacíficos! Sejamos felizes (todos)! Parabéns a dom Albano, aos padres e pastores dos mais diversos credos religiosos pelo verdadeiro espírito cristão e fraterno com a sabedoria da união pela Paz.
FÉLIX RIBEIRO (professor) - Londrina
Aparência e emprego
Tomei conhecimento da Recomendação Circular nº 466/2004, do Ministério do Trabalho, onde é declarado que em anúncios e cartazes para oferta de emprego, afixados em locais públicos, não pode-se mais fazer referência aos requisitos que envolvam origem, raça, sexo, idade, cor, estado civil, opção sexual, gravidez e situação familiar, exceto quando a natureza da atividade a ser executada assim o exigir. É alegado que esta recomendação visa ampliar a oferta das vagas de trabalho. No entanto, não está definido, na mesma recomendação, que as empresas não podem mais utilizar estes critérios como requisitos para a contratação da mão-de-obra, o que, certamente. continuarão fazendo. Isto significa que, sendo os anúncios, a partir de agora, o mais genéricos possíveis, os candidatos perderão seu tempo, gastarão passagens para comparecer aos locais ou taxas de correio para enviar currículos sem ter a noção do que realmente a empresa deseja. Ao invés de ajudar quem está desempregado, esta recomendação apenas maquia a realidade, criando uma expectativa totalmente infundada. Ressalte-se que, no conteúdo da recomendação, não constam os itens ''aparência e religião'' que, ao que parece, fazem parte da lei que versa sobre os crimes de preconceito. E estes itens, mais que todos os outros citados são alguns dos que, hoje em dia, mais pesam num processo seletivo. Ressalte-se também que, embora seja uma recomendação, o órgão de mídia que não a seguir, à risca, mesmo contra a intenção de seu cliente, estará sujeito a multas. Não é com este tipo de atitude que se resolverão os problemas de emprego deste país, muito pelo contrário.
NINA GRAÇA DE OLIVEIRA CARDOSO (psicóloga) - Londrina





