CARTAS
Adoção
Um dos argumentos contrários à adoção de crianças por parte de casais gays ou lésbicos é de que elas seriam influenciadas negativamente e, com isso, adotariam uma personalidade que não lhes é natural. No entanto, existem casais que professam religiões que são consideradas erradas ou radicais por outras pessoas como, por exemplo, as doutrinas espírita e evangélica, bem como há famílias bastantes liberais na educação infantil, e, até agora, não houve passeatas contrárias a esses segmentos da sociedade. Por que, aparentemente, os homossexuais se tornaram bode-expiatório recaindo toda a culpa sobre eles? Sabe-se que o fundamento da interação pais-filhos envolve a transmissão das culturas paterna e materna para que os jovens possam, com valores herdados, desenvolverem sua individualidade. Assim, a família não anula a auto-estima das crianças; apenas auxilia no processo de formação do caráter, ensinando-as a não serem egocêntricas, nem tampouco manipuláveis. Dessa forma, os homossexuais, bem como outras famílias, apresentam esse objetivo humano para seus jovens. Tachá-los simplesmente de irresponsáveis é continuar com a política de bode-expiatório que serve apenas para camuflar o conservadorismo e as contradições de uma sociedade.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA (estudante) - Londrina
Desarmamento
O Estado está investindo no desarmamento da população. Os bons cidadãos estão atendendo ao chamado do governo e entregango suas amas. A atitude é louvável. É fato que armas somente geram violência e não diminuem a criminalidade. O Estado deve dar prosseguimento à campanha de desarmamento. Se a União não desarmar os criminosos, por óbvio, uma campanha de desarmamento não surtirá nenhum eleito. Nenhum bandido irá entregar sua arma. Assim, o Estado deveria iniciar uma operação policial em grande escala, envolvendo as forças policiais (civil, militar e federal), as Forças Armadas e o Poder Judiciário e apreender todo o arsenal bélico que se encontra nas mãos dos marginais. Essas atitudes são importantes, porém não devem vir isoladas. Existe a necessidade de um trabalho preventivo em larga escala para impedir a entrada de armas ilegais no país. Mas e o que está sendo feito com relação à fabricação e venda de armas para a população civil? Devemos cortar o mal pela raiz.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina
Aumento abusivo
Enquanto o trabalhador recebe um mísero salário mínimo, aumentar o salário destes marajás da política federal é uma afronta à cidadania de nosso povo excluído e carente em recursos básicos de sobrevivência. Creio que os políticos de todas as esferas, desde os famigerados veradores até os senadores, deveriam sim receber um salário mínimo.
CELIO BORBA (artista plástico) - Curitiba
MP-232
Com a alegação de aumentar o limite de isenção da tabela do Imposto de Renda, nosso ilustre representante das classes trabalhadoras (pelo menos foi isso que sempre pregou) editou a Medida Provisória nº 232, objeto de tanta polêmica na imprensa, que podemos caracterizá-la como ''presente de grego''. Em seus 15 artigos existe de tudo para afrontar o cidadão, podendo afirmar que 95% deles tratam de majoração tributária. As prestadoras de serviços foram alvo de elevação da carga tributária de 32% para 40% (as optantes do lucro presumido), com relação ao Imposto de Renda e Contribuição social. Não podemos deixar de frisar, que no final de 2003, o próprio governo elevou de 12% para 32% este percentual. Se analisarmos friamente, que parâmetros foram utilizados para se chegar a esta elevação de percentual? Com intuito de amenizar o ibope, o governo corrigiu a tabela do Imposto de Renda em menos de 10%, não esquecendo de afirmar, que a mesma não sofria qualquer correção desde 1997. Veja o absurdo! Desta vez, a agricultura, que representa o peso pesado da economia nacional não ficou de fora. O artigo 6º determina retenção de 1,5% sobre os pagamentos efetuados por empresas a produtores rurais, a título de Imposto de Renda, para pagamentos de valores superiores a R$ 1.164,00. Não fica somente aí, uma verdadeira aberração, desafiando a própria Constituição, o artigo 10 alterou a sistemática de julgamento de processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, determinando que os processos oriundos de créditos tributários de valor inferior a R$-50 mil serão julgados em ''instância única'' pelas Delegacias da Receita Federal, órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal. Não é à toa tantos questionamentos sobre a edição desta Medida Provisória, necessário se faz, que a sociedade civil organizada, entidades de classes, e demais representantes da sociedade se unam objetivando repudiar tamanha insensatez. A OAB por sua vez já deu o ponta-pé inicial, como se observa pelas matérias veiculadas neste jornal. Quem sabe o governo não se sensibiliza, e acaba admitindo que com esta fome arrecadatória acabará matando a ''galinha dos ovos de ouro''.
JOÃO LUIZ GIONA (empresário contábil) - Terra Boa (PR)
Pedágio
Se não me falha a memória, umas das bandeiras levantadas pelo governador Roberto Requião, quando candidato ao posto que atualmente ocupa, foi um preço mais ameno dos pedágios. Infelizmente, o que assistimos é: ''Rodonorte aumenta pedágio a partir de amanhã'' (Folha de Londrina, 29/01, pág. 4). E o pior: é a ''empresa que mais vem apresentando irregularidades no atendimento ao usuário, sendo alvo de multa'' (Ibid. pág.4). Até quando vamos aceitar tantas mentiras? Uma vez que Jesus nos disse: ''Não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente'' (Rm 12,2).
ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho





