CARTAS
Meninos no Calçadão
Reportagem da Folha demonstrou que os moradores, lojistas e taxistas do Calçadão de Londrina estão revoltados pela invasão de menores com idades de 12, 13 e 14 anos , que garimpam sacos de lixo em busca de qualquer coisa que possa ser comercializada . Esta atividade estaria perturbando a população central, que está preparando um abaixo-assinado com pedido de providências que será encaminhado para o Ministério Público Federal. Em resumo, os ''donos'' do Calçadão esperam que os valorosos Promotores da República acionem a Polícia Federal para expulsarem os meninos invasores daquele local em defesa da inviolabilidade do saco de lixo. Ora, este tipo de pensamento demonstra o quanto a sociedade ainda está muito longe de compreender que, aqueles menores, nada mais são do que frutos da desigualdade social, fator de empecilho do progresso e justiça social. Certamente, aqueles meninos carecem de ajuda, de compreensão, do perdão e, claro, de educação, mas não precisam, por certo, de castigo ou pena. Por falar em educação que tal se os inconformados proprietários, moradores e comerciantes daquele local começassem a coletar seletivamente o lixo, que além de ser uma atitude exemplar, facilitando o trabalho daqueles menores, que por certo muito agradeceriam.
ANTONIO CARLOS DE ANDRADE VIANNA (advogado criminalista) - Londrina
Semitismo
Dias atrás a sempre acéfala e inútil ONU fez realizar seção solene lembrando os horrores que o povo judeu sofreu nas mãos dos nazistas. Insistem eles que essa triste memória não pode ser esquecida e que sirva como alerta para esse grande mal que é o anti-semitismo. A mídia tem comprovado que o Estado de Israel, reiteradamente, ignora as resoluções da ONU (mais de duas centenas) quando o assunto é a ocupação (invasão) do território palestino, e, quer (já está fazendo) a construção de um gigantesco muro para isolar o povo palestino, como forma de garantir a segurança do povo judeu nos locais ocupados. Querem segurança? Ora, é simples. É só devolver as terras ocupadas e observar a partilha original daquele imenso areal em 1947 - criação de Israel - e a paz voltará. Agora, se eu levantar minha voz em defesa do povo palestino, se achar que a vida de um judeu é igual á de um palestino, se denunciar, ainda que se faça ouvidos moucos, a matança de velhos, mulheres e crianças palestinas, cujo único crime é querer de volta seu pedaço de chão, me torno um anti-semita. Pode escrever com todas as letras: sou anti-semita. O Estado de Israel é genocida, ladrão e não quer a paz. Que outro chefe de estado ou governo declarou publicamente querer a morte de outro (Arafat), senão Israel? E nós ainda temos que engolir que Israel é a vítima? Quem possui armamento e tecnologia avançadas para combater maltrapilhos, cuja única arma são pedras e pedaços de pau? Quando é que a ONU obrigará o Estado de Israel a respeitar os limites geográficos originais descritos há mais de meio século? Declarar que Israel está errado é anti-semitismo? Então volto a repetir: sou anti-semita.
TADEU ARILSON STULZER (advogado) - Londrina
Desrespeito
Na noite de terça-feira, dia 25 de janeiro, a Polícia Militar de Londrina realizou uma blitz na avenida Tiradentes. Fui abordado e liberado logo em seguida. Nesse instante, reparei num policial com um estilete tirando o insufilme do carro. Este carro estava sendo conduzido por uma senhora trabalhadora, mãe de família, inclusive com a sua filha de apenas 4 anos dormindo no banco de trás. Sem respeito pelo sono da criança ou pela senhora o policial sumariamente retirou com o estilete o insufilme do veículo, afirmando que a película estava fora do padrão e o motorista estava sem o documento de habilitação. A retirada do insufilme foi arbitrária e irresponsável, mas de todos os erros e grosserias cometidas pelas autoridades esta foi a menor, pois pasmem o carro já estava pronto para ser guinchado com todos os objetos e compras fora do veículo, faltando apenas a saída da menina. Para quem não se lembra a semana passada foi extremamente chuvosa e o dia 25/1 não foi muito diferente, às 23h30 ainda garoava. Nada disso abalou ou comoveu o policial, que se manteve irredutível todo tempo. Teve que aparecer um estranho para interceder por ela. As blitze são muito bem-vindas para retirar de circulação bandidos, armas e traficantes, não para deixar na rua uma mãe de família debaixo de chuva. Faltou a esse policial sensibilidade, ou melhor humanismo. Já que faltou aquilo que está acima de qualquer lei a esta autoridade, sugiro ao comandante do 5º Batalhão que crie e o condecore com uma medalha com a comenda ''Pata de Elefante''. A sugestão é da dona do carro. Da minha parte só posso desejar que as mulheres da família desse soldado, mãe, esposa, filhas etc., encontrem numa terça-feira chuvosa um soldado com tanta dedicação.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina
Juros
Novamente vemos a falácia dos juros altos. Na verdade estão confundindo juros com inflação. Se os juros são altos é por que há inflação. Tivemos uma taxa de juro Selic de 16,22%, rendimentos bancários em renda fixa foi de 15,43%, menos 20% do imposto de renda, fica 12,34%, menos 12,14% de inflação (IGP-DI) ficou um juro real no exercício de 2004, 0,29%. Ah, mas os bancos cobram outras taxas! Isso é uma outra questão, que chamam de ''spreed''. Os inocentes pagam pelos pecadores, ou seja, pelos caloteiros. Daí a razão de não se falar em calote, e sim honrar o que se tomou emprestado. É louvável a iniciativa do presidente da OAB e do especialista em direitos humanos e nobel da paz, Adolfo Pérez Esquivel, em auditar a dívida externa brasileira. Porém, ficou claro, que a idéia de dar o calote na dívida é inaceitável.
ANTÔNIO PEREIRA (aposentado) - Londrina
CORREÇÃO
Ao contrário do que foi publicado na editoria de política ontem (página 5), o presidente da Uvepar é o vereador Bento Batista (PMDB), da cidade de Juranda. Paulo Salamuni (PMDB) é o vice-presidente.
* As cartas devem ser digitadas, assinadas, com no máximo 10 linhas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Cartas e e-mail sem os acompanhamentos exigidos não serão publicados.
E-mail:[email protected]





