CARTAS
O padre e a MP 232
O padre Antonio Pereira Anchieta, da Paróquia de Jacarezinho, ganhou fama e notoriedade ao defender a malfadada MP 232 assinada pelo presidente Lula na calada da noite para aumentar ainda mais a carga tributária das empresas de prestação de serviços e sobre o lucro presumido, atingindo em cadeia todos os segmentos envolvidos e desembocando em nós (usuários e consumidores). Pena que o padre Antonio virou notícia por essa polêmica. Ele deve ter nascido em berço de ouro e ter ido direto para o seminário, não deve saber que recolhemos como pessoa física 4 meses de tudo que recebemos durante o ano para o governo, comércio e prestadores de serviço. A carga tributária é de 40% sobre tudo que produzem. Estamos pior que no império romano onde os cobradores iam nas residências cobrar os tributos devidos ao imperador. Hoje, nos é que levamos aos cofres dos donos do poder. Que bom que o dr. Roberto Buzato, presidente da OAB, ingressou na Justiça contra o governo. O padre ganhou fama por algo que só produziu indignação. Seria bom se ele tivesse ganhado fama por ajudar as crianças pobres e excluídas em sua Paróquia em Jacarezinho. Neste caso, a fama é efêmera e logo some da mídia.
JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) - Curitiba
OAB e impostos
Em um país com uma carga tributária tão exagerada, a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de formar uma comissão para averiguar a arrecadação tributária e sua real aplicação deve ser parabenizada e merece o apoio de toda a sociedade. Este tipo de iniciativa deve servir de exemplo para todas as entidades de classe, associações, clubes de serviços (lions, rotary e maçonaria) e quaisquer outras entidades da sociedade civil organizada. Essas ações não podem ficar limitadas à simples verificação dos tributos arrecadados e sua aplicação: a sociedade civil organizada deve seguir uma linha de atuação mais ativa na fiscalização e também na atuação de nossos políticos buscando esclarecer quais políticos estão atuando em favor do povo e aqueles que somente visam o benefício próprio.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina
Velhos, mas não mortos
''Estamos velhos, mas não estamos mortos.'' Esta frase foi dita pelo presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), João Resende Lima, para cerca de duas mil pessoas que estiveram no Encontro Nacional dos Aposentados, em Aparecida (SP), no último dia 30. O objetivo do encontro foi arrecadar assinaturas pelo projeto de lei 58/2003, do senador Paulo Paim (PT-RS), que exige a revisão automática de todos os benefícios acompanhando os índices do salário mínimo. Desde 1991, a desvinculação do aumento do mínimo das aposentadorias e pensões desencadeou um processo de achatamento salarial. De 1998 a 2002, enquanto o aumento do salário mínimo teve ganho real de 25,4%, os benefícios do INSS superiores a um salário mínimo só tiveram 2%. Por isso, é preciso cobrar do governo um plano de recomposição também para as demais aposentadorias. Se o governo eliminar as aposentadorias irregulares (o que se espera seja feito através do recadastramento) vão sobrar recursos para dar aumento real para todos. Enquanto isso não acontece, é muito louvável que essa categoria que já deu tanto, e continua dando, para este país, se mobilize e, se for necessário, marche mesmo para Brasília em abril, como convocou a liderança do encontro em Aparecida, e invadam mesmo o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, para pressionar o governo. Quem sabe, assim, o governo se dê conta de que essa categoria de aposentados do Brasil está muito viva e lutando por seus direitos. Afinal, estima-se que haja cerca de 5 milhões de benefícios indevidos, que quando devidamente cancelados, o valor poderá ser revertido em aumento real para todos os aposentados e não somente para aqueles que ganham o mínimo.
SEBASTIÃO RAIMUNDO DA SILVA (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina e da Força Sindical do Norte do Paraná) - Londrina
Marcha dos aposentados
É dever de todos nós, aposentados e pensionistas, cerrarmos fileira com o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap)
João Resende Lima, bem como ao senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto de lei 58/2003, um dos poucos que se interessam realmente pela necessidade desse povo que o elegeu. Haja homens dignos, honestos, que executem o que se propuseram, que façam jus ao que se lhes pagam e não cheguem ao poder esquecendo os que os ajudaram a subir, pois se um dia caírem, não terá quem lhes estenda a mão para se levantar. Nos meios políticos, há muitas cigarras e poucas formigas, porém, há também muitos invernos e este sempre acaba chegando. Embora eu contribua apenas com a minha palavra, pois é o que me é dado fazer, digo como aquele passarinho que queria apagar um incêndio com um dedal de água: fiz a minha parte!
IRENE CRUZ CORRÊA (aposentada) - Londrina
Experiência
Perguntem aos profissionais nota dez que os rodeiam onde aprenderam as suas profissões de mecânicos, pedreiros, azulejistas, gráficos, etc., e terão em 90% dos casos a resposta: aprendi com o sr. fulano para quem trabalhei desde menino e ele foi me ensinando. Foi assim na minha geração e nas passadas. Sabedoria. Crianças ocupadas em horário extra escolar, aprendendo, adquirando auto-estima, responsabilidade, respeito pelos mais velhos que os ensinam e representam autoridade.
CLAUDETE DEBÉRTOLIS RIBEIRO (professora) - Cambé





