CARTAS
ABCR e o pedágio
O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, com sua postura de ''relações públicas'' dessa entidade, sempre usa este espaço para tentar legitimar o golpe da implantação do pedágio no Paraná. Agora vem aí mais uma tirada de lasca do usuário e, amparado na ''perfeição jurídica'' dos contratos formulados no governo Jaime Lerner (ironicamente a única coisa que esse sujeito conseguiu fazer bem feito enquanto posou de governador) não tardará em sua atitude defensiva de quem só vê no pedágio uma grande contribuição para o desenvolvimento econômico do Estado. Concordar que estradas boas e bem conservadas são fundamentais para cumprir esse objetivo é justo e coerente para quem tem um mínimo de bom-senso. Mas colocar em prática esse conceito através de um modelo obscuro e abusivo de concessão, com certeza, vai provocar o efeito contrário. A mesma pessoa que viajou pela BR-376 há um ano fará o mesmo trajeto nessa véspera de feriado e chegará à conclusão que a estrada, administrada pela Rodonorte, se não está pior, não mudou nada em relação ao ano passado. Mesmo assim, ela vai ter que pagar 10,39% a mais e absorver mais essa legal, porém, injusta decisão tomada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre permitindo mais essa agressão ao bolso do usuário e, consequentetemente, à economia do Paraná.
RICARDO ALEXANDRE GARCIA (publicitário ) - Londrina
MP 232
Ao ler a carta ''MP 232'' (29/01), tive a impressão de que não se tratava de um brasileiro, trabalhador e pagador de impostos quem a subscrevia. Ao concluir a leitura e deparar-me com o autor da missiva, respirei aliviada. Afinal, trata-se de um padre. Com todo o respeito que tenho pela Igreja Católica e seus ministros, o signatário da carta não deve ter a menor idéia do que é pertencer a um segmento da sociedade que, não tendo nascido em berço de ouro, luta incansavelmente com as suas próprias forças, estuda, trabalha para o sustento de sua família, sem nunca ter recebido as benesses do governo nem de entidades preocupadas com a dita exclusão social. Esta é a sofrida classe média brasileira, constituída por homens e mulheres que têm sustentado este País através do seu trabalho honesto, e da qual, historicamente, tem sido extorquida, descaradamente, pelo atual governo e por outros anteriores, mais de um quarto do fruto do seu trabalho. Tudo isto, sem as garantias mínimas para a sobrevivência de sua dignidade, tendo de conviver, perplexa e impotente, com o desvio de dinheiro público, com a corrupção desenfreada sem a devida punição, com os fora-da-lei travestidos de salvadores dos menos favorecidos, estimuladores da luta de classes (os ''sem-terra''). Além de tudo isto, deste sofrido segmento da sociedade trabalhadora e organizada é, ainda, cobrada maior contribuição para corrigir as inúmeras desigualdades sociais deste País, sem que se veja nenhuma iniciativa real para um planejamento familiar que possa efetivamente minorar o crescimento avassalador de necessitados (catadores de papel, moradores de rua, analfabetos, como mencionou o padre). Esta conta é pesada demais! Até quando aguentaremos? Por fim, a OAB tem, sim, obrigação social de lutar não só contra a malfadada MP 232, mas, também, contra a ''derrama'' atual, até por que se o padre ainda não pensou nisto, pense agora, os reflexos de tal ''medida'' no bolso dos que produzem terá profundo repercussão em toda a sociedade e, quem sabe, até nos óbulos para a sua Igreja.
IRACEMA CARNEIRO (professora aposentada) - Londrina
MP polêmica
Nesta hora, o padre Antonio Pereira Anchieta, de Jacarezinho, está rindo à beça nos seus aposentos clericais. A polêmica que conseguiu provocar com sua carta pró-MP 232 mobilizou vários leitores que o repudiaram neste espaço. Impossível que o padre não entenda os argumentos pró-OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) aqui manifestados, pois não é louco nem iletrado. O que me faz supor -para não pensar o pior - ser apenas um grande gozador.
PEDRO MORETTO (empresário) - Londrina
Parabéns OAB
Bem oportuna a decisão da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos pelos governantes. Já estava passando da hora de alguém tomar essa atitude porque no setor público não há dinheiro que chegue, é um saco sem fundo. E quando falta, inventam mais um imposto para ''assaltar'' a população. Isso mesmo ''assalto''! Todas as instituições como, sindicatos, associações, federações de classes, etc., devem se engajar nesta luta que é de todos nós. Parabéns OAB! Não vamos ser como cordeirinhos aceitar tudo e ficar vendo a coisa passar.
DOMINGOS SANKITH WATANABE (agricultor) - Ubiratã (PR)
Roubo legalizado
O telejornal da Globo da última sexta-feira mostrou reportagem sobre os combustíveis adulterados em São Paulo. Esse problema parece bastante comum em todos os estados brasileiros, como ocorreu também em Londrina no ano passado. A edição da Folha de Londrina do último sábado nos mostra que alguns postos na cidade adulteram as bombas de combustível como multou o Ipem ''por vender quantidade de combustível menor do que a identificada na bomba''. Fazer fraudes parece da natureza da humanidade, mas o que queria evidenciar da reportagem em São Paulo são os preços dos combustíveis. Nas imagems era facilmente possível ver que o álcool na capital paulista sai a R$ 1,20 o litro, enquanto em Londrina sai a R$ 1,40 (pesquisando e buscando entre os mais baratos). Encontrei até por R$ 1,55 o litro! O problema ainda pior é a estatística do IBGE que indica que os salários paulistanos são, em média, mais altos do que em Londrina. Como é possível toda essa diferença negativa para o londrinense?
AUGUSTO MOROSI (empresario) -Londrina





