CARTAS
MP 232
O padre Antonio Pereira Anchieta, em sua carta publicada no último dia 29, sai em defesa do governo que aí está no tocante a mais uma medida que visa apenas e tão-somente aumentar um pouco mais a extorsão sobre o povo já tão penalizado pelos sucessivos desgovernos deste país. Creio que o padre Antônio não é tão inocente a ponto de acreditar que os inúmeros tributos que recolhemos aos cofres públicos têm sido revertidos em benefício do povo, em especial dos menos favorecidos citados em sua carta. Defender a criação de novos impostos ou aumento da base de cálculo com a justificativa de que tal medida não vai atingir os catadores de papel, bóias-frias, lavradores, desempregados, moradores de rua, entre outros, e que tais medidas objetivam diminuir as injustiças históricas do país é no mínimo continuar acreditando que papai Noel existe. Não sou especialista em economia, padre Antônio, todavia acredito que novos tributos ou aumento da base de cálculo dos inúmeros que aí estão só tende a aumentar o desemprego e, por conseguinte, os injustiçados.
LOURIVAL BARBOSA (sociólogo) Londrina
Impostos demais
Há um dito popular que diz: ''Aperte o rico que esmaga o pobre''. O padre Antonio, de Jacarezinho, disse em sua carta publicada em 29/1 que ''quem ganha mais deve repartir o mínimo com os milhões que nada têm ou pouquíssimo têm''. Não é cobrando mais impostos que se vai resolver ou amenizar o problema dos que pouco têm. Ao contrário, ao aumentar os impostos haverá um aumento da inflação por conta do repasse ao custo das mercadorias e dos serviços, provavelmente redução de empregos e sonegação maior do que já existe. A consequência de tudo isso já sabemos de cor e salteado: mais pobreza, piora na distribuição de renda e tudo o mais. Como empresário do setor que mais emprega neste país, o mercado da construção civil, afirmo sem rodeios que se o governo federal parasse de olhar somente para suas contas e olhasse para a cadeia produtiva e para as oportunidades de empregos que criaria diminuindo a carga tributária, certamente teríamos mudanças radicais na distribuição de renda no Brasil. Se realmente fosse investido nas estradas o que estava previsto no orçamento, como amplamente divulgado (já que foi deixado de investir 78% do valor previsto), não teríamos mais trabalhadores empregados, empresas crescendo, pagando mais impostos, gerando uma base de renda para levar-nos definitivamente à condição, não de país em crescimento como se diz há mais de 30 anos, mas de um país consolidado, industrializado, mais atraente para investimentos estrangeiros, mais seguro e menos desigual.
ALFREDO CANEZIN (corretor de imóveis) - Londrina
Mais tributos
Lamentável não é o presidente da OAB, Roberto Busato, ser contra a MP 232 e sim o padre Antonio Pereira Anchieta defender a cobrança de mais tributo. O padre Antonio deve desconhecer que o dinheiro que será arrecadado, ou seja, a ganância do fisco em aumentar tributos, tira de circulação uma enorme quantidade de recursos que provavelmente promoveria um maior crescimento econômico, gerando mais empregos e com isso diminuiria a desigualdade social. O Brasil, infelizmente, é recordista mundial em arrecadação de tributos, onerando consideravelmente a cadeia produtiva e toda a população, sendo que o retorno em benefícios para a sociedade é quase nada. Tornar um país menos desigual não é cobrar mais de quem já paga muito e sim fiscalizar e cobrar do poder público o retorno de pelo menos uma pequena parte do imenso volume que arrecada em benefícios para sociedade (saúde, educação, moradia, segurança etc.), pois estão garantidos na Constituição e são deveres do Estado. Quem sabe o padre possa, em seus sermões, incentivar a população a cobrar e fiscalizar a maneira como o Estado gasta nosso dinheiro, pois qualquer aumento de tributo será de uma forma ou de outra repassado para toda a sociedade.
MARCO ANTONIO BORGES PREZUTTI (bacharel em Direito) - Cambé
Anti-semitismo
O artigo ''O anti-semitismo está de volta'', publicado domingo na Folha, renova a execrável perseguição aos judeus desenvolvida pelo governo alemão, além de mostrar que o mesmo ódio ainda continua vivo em diferentes regiões do mundo. Primeiramente, todos que leram o artigo concordam com isso. Mas, infelizmente, não foi apontada uma ou mais causas para essa ignomínia. Lamentavelmente o mundo assiste diariamente à luta entre palestinos e judeus. E então questiona-se: é aquilo algo com que se possa concordar? São aquelas atitudes de Israel, apenas defensivas ou extrapolam o direito à defesa? Afinal, qual a certeza de que as casas e cidades destruídas pelo exército israelense estão todas relacionadas a alucinados assassinos? Pode-se supor que todos os palestinos são terroristas? Como justificar as invasões da terra palestina, além das fronteiras estabelecidas para Israel em 1948, e depois os assentamentos? Com qual pretexto se faz isso? Como justificar as prisões de palestinos, sem julgamento, e mantidos em campos similares àqueles dos alemães? Como aceitar a destruição da economia palestina ao longo dos anos? E o ilegal impedimento de palestinos andarem no seu próprio país? Enfim, o mundo assiste a todas essas atrocidades e fatalmente irrita-se com a política israelense. Isso, com certeza, não retira de ninguém a desaprovação aos ataques terroristas palestinos, que mesmo entre eles, não é unanimidade. Seria interessante observar: quando apenas Israel e EUA se apóiam, na ONU, com votos contrários de todos os outros...fica claro que algo anda mal na política israelense e incentiva o terrível anti-semitismo. Ou será que todo o resto do mundo é cego?
ALVARO ALMEIDA (engenheiro agronômo) - Londrina
Correção
- Na edição de domingo da Folha 2 foram trocadas as legendas das fotos dos grupos M.A (Mulheres Ativistas) e Dialeto Feminino na reportagem sobre As Meninas do Rap.





