CARTAS
Dengue banalizada
Nesses dias de chuva temos que redobrar a atenção com água parada em nossos quintais e nos vizinhos. Na última segunda-feira minha prima foi picada por um mosquito semelhante ao que provoca a dengue e ficamos preocupados. No dia seguinte, liguei para Secretaria de Saúde no setor de epidemiologia contando o ocorrido para sra. Patrícia. Senti como se estivesse fazendo tempestade num copo d'agua. Expliquei o acontecimento e me foi dito que há focos do mosquito por toda a cidade e que as pessoas não se concientizam. Até aí quem não sabe? Questionei se de alguma forma poderia mandar uma equipe até minha casa, que fica no centro, para que se pudesse averiguar os quintais vizinhos e olhar o mosquito que guardei para ter certeza ou alguma outra providência aplicável para a situação. A resposta foi negativa. Ela disse que não poderia mandar ninguém e que, às vezes, o mosquito poderia nem estar contaminado (tomara!), e que os agentes estariam sempre passando nos bairros. Será que nesse intervalo não poderiam se proliferar? Não questiono a pessoa que me atendeu e sim o argumento que mandam ela dar. Nas campanhas veiculadas dizem que na suspeita de ter sido picado ou focos deve-se entrar em contato com a Secretaria de Saúde. O que adianta todo essa orientação se quando ligamos tratam do assunto de forma banal. Desculpe quem acha que estou sendo ignorante, mas há pouco tivemos casos sérios e estou apenas tentando prevenir de alguma forma. Gostaria que fossem levadas mais a sério esse tipo de denúncia.
WELLINGTON DA SILVA NUNES (gerente de restaurante) - Londrina
Ovo de Colombo
Todo dia despertamos para um novo dia e esperamos que seja bom. Mas tem gente que tem criatividade espantosa, principalmente quando relacionada com algo que vem ao interesse próprio ou agrega valor a seu negócio direta ou indiretamente. Vamos aprofundar a análise, relembrando o caso do kit de primeiros socorros, lembrança lamentável já que poucos são médicos preparados para tal eventualidade. Agora, alguém teve uma idéia brilhante para salvar vidas em acidentes de carro incendiários com a introdução de extintores especiais que apagam de tudo. Tudo é válido quando se fala em segurança, mas com certeza esqueceu-se de levantar estatísticas sobre incêndios em carros, comparativos mundiais sobre tal artefato, onde a obrigatoriedade é facultativa. Vale aqui citar dados da Associação de Engenharia Automotiva, de 2000, que diz: ''O extintor de incêndio foi usado em apenas 800 dos 2 milhões de acidentes automobilísticos registrados pelas seguradoras brasileiras. Em 776 casos, houve perda total do carro por incêndio, mas só em 24 casos o extintor serviu para minimizar prejuízos. Ou seja 0,0012% dos acidentes os extintores tiveram alguma utilidade na preservação do patrimônio''. O extintor é acessório importante? Claro que sim, mas sem onerar o consumidor e sem fórmulas milagrosas como tem sido apresentado na mídia. Foi descoberto também que a violência no trânsito tem a ver com falta de curso de direção defensiva. Ora essa, duvido que alguém mude os vícios de gerações. Investir nos novos candidatos a motoristas é planejamento moderno e lógico, é com isso que mudamos hábitos e costumes de um povo, investindo em gerações futuras. Remendo será sempre conserto pela metade.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá
Democracia
Partindo do pensamento de que o brasileiro tem a memória curta, podemos dizer que isso é a pura verdade, pois a data foi lembrada somente por alguns dos grandes jornais. No último domingo, dia 15, o Brasil comemorou 20 anos da eleição do saudoso Tancredo Neves para a presidência da República; porém, o veterano político, não conseguiu tomar posse. Em campanha, disse que não pagaria a dívida externa com a fome e a miséria do povo brasileiro. Sua vitória no Colégio Eleitoral significou o fim de uma era autoritária desde 31.03.1964. Mas, para que fosse restabelecida a democracia no País, muitos lutaram e pagaram com a própria vida. No campo político, podemos dizer que foi aqui, no Estado do Paraná, que teve o inicio da revolucionária campanha das ''Diretas Já'', naquele dia 12 de janeiro de 1984, organizada então, pelo hoje senador Alvaro Dias e o saudoso ex-governador José Richa. Colocaram na Boca Maldita, em Curitiba, 60 mil pessoas. No centro e palco das grandes discussões e decisões em favor do povo brasileiro, para nosso orgulho, também estava lá o nosso grande narrador esportivo Osmar Santos que, com seu brilhantismo na sua narratória, foi também um dos ícones da longa caminhada. Hoje, esquecido pela mídia e pelos próprios governantes, ele merece uma condecoração por sua atuação na decisiva campanha, antes tarde do que nunca. Uma justa e sincera homenagem a um paranaense que anonimamente levou e levantou uma placa com os dizeres: ''Curitiba faz a história, não espera acontecer''. Nossos eternos agradecimentos por todos aqueles que lutaram e deram suas próprias vidas em favor da democracia e a liberdade para todo o povo brasileiro.
JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) Curitiba
Pastoral de rua
Esta de parabéns o padre Júlio Lancelotti de São paulo que faz um trabalho exemplar junto aos moradores de rua dirigindo a pastoral que cuida e trata dos assuntos referentes a esta grande camada excluida da sociedade que ''vive'' nas ruas daquela grande metropole brasileira. Aqui em Curitiba infelizmente não temos uma pastoral desta natureza dentro da igreja católica que dê atenção a estes nossos irmãos desprovidos de qualquer pilar de sustentação para haver um minimo de dignidade nestas vidas.''
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba





