Projeto Rondon

Lendo reportagem na Folha (18/01), causou-me surpresa e contentamento a reedição do Projeto Rondon pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, ainda por ter sido uma solicitação da própria UNE que, à época, teceu razões contrárias ao mesmo, aludindo ser uma maneira de manter os universitários ''ocupados'' nos períodos de férias, não lhes proporcionando oportunidade para ''discussão, organização e articulação'' dos problemas existentes na época da ditadura militar. Fui rondonista da operação PRO-XV-75 em Cravolândia, sertão da Bahia, chefiando uma equipe multidisciplinar (médico, engenheiro civil, enfermeira, assistente social). Tivemos oportunidade de promover excelente trabalho com diagnóstico e conscientização dos cidadãos daquelas comunidades, nas áreas de higiene, saúde, cidadania e mobilização social. Com ações simples e objetivas, conseguimos reinaugurar um clube social fechado há mais de 10 anos, e reabrir um parque infantil na praça da cidade que o prefeito não deixava aberto alegando que as crianças ''destruíam os brinquedos'', e restabelecendo vias de comunicação mais efetivas entre órgãos públicos nos planos municipal, estadual e federal, que estavam estagnados por omissão de seus titulares, como a CEME (Central de Medicamentos). O Projeto Rondon foi pontualmente benéfico aos universitários da época que cruzavam o País colocando-os frente aos verdadeiros problemas brasileiros. Tivemos um choque cultural ao perceber quão o Brasil é imenso territorialmente e grandioso em sua diversidade étnica, costumes, crenças e, principalmente, nas desigualdades e falta de oportunidades sociais, diferentemente do que observamos hoje no meio universitário, acentuado desconhecimento da verdadeira ''realidade brasileira'', até por falta de oportunidades para tal. Espero que na nova versão não fiquemos somente nos ''diagnósticos'' e ''conselhos'', pois é o que mais sobra no País, e que o governo assuma de vez o seu papel como mantenedor das necessidades básicas estruturais carentes no Brasil.

JUAREZ MOREIRA DA SILVA (médico veterinário) - Rolândia



Nosso ensino

Um povo culto é um povo infeliz. Já disse alguém algum dia. Esta frase não se aplica à maior parte de nosso povo. Para que investir mais na educação, remunerar melhor os professores, esses poços de abnegação e carinho de nossas crianças e jovens? É melhor aumentar salários de deputados, vereadores e de todos que são eleitos por esse mesmo povo, na esperança de melhores dias. Não seria de outra maneira se eles se auto-aumentam! Não sou professora, não tenho esse dom de Madre Teresa de Calcutá que os mestres carregam. Porque só eles mesmos para ter salários tão baixos e continuar na árdua tarefa de ensinar. Veja-se o salário de um professor universitário. Se não fosse trágico, seria hilário. Leio com apreensão nos jornais a fuga desses profissionais de escolas e universidades públicas. Senhor governador, volte seus olhos para o ensino ou o remédio será também parecido com o que ironicamente deu para resolver o problema do Aeroporto de Londrina. Um megaventilador que jorre professores a preços baixos. Há que pensar nesse assunto, que reputo da maior gravidade, para que não possamos falar de nosso povo. Um povo culto é um povo infeliz.

MARIA HELENA SUZANO BASTARDO RODRIGUES (médica) - Londrina

Leitura

Muitos acusam os jovens de detestarem a leitura de livros. Entretanto, o que ocorre, na realidade, é uma incompreensão, por parte da sociedade, referente ao comportamento adotado pelos adolescentes da era atual. Por exemplo, as inovações tecnológicas na forma de internet, CD, DVD, cinema, representam o imenso trânsito de informações que caracteriza o mundo globalizado. A atitude juvenil, frente a esse fenômeno, foi de adaptação ao modo de vida acelerado da Aldeia Global, e de desenvolvimento de meios ágeis para absorver o conhecimento presente ao redor e não apenas nos livros, como defendem geralmente pais e educadores. Isso mostra que a juventude apresenta duas características fundamentais: a versatilidade em manipular informações oriundas de várias fontes e a capacidade de atualização, ou seja, de não se prender a conceitos que se tornem ultrapassados, apesar de a maioria defender o contrário. E como o hábito de ler é sinônimo de interatividade, e esta é marcada pelas duas características essenciais já citadas, resta chamar os jovens de gênios, em vista de sua forma especial de observar a realidade e de refletir sobre ela.

CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA (estudante) - Londrina


Sequestro no Iraque

O presidente Lula pede ajuda internacional para achar o brasileiro sequestrado no Iraque. Bobagem, acho que o presidente devia dar um pulinho até a Rede Globo e pedir para o Giovani Improta, da novela Senhora do Destino, achar o homem. Acho que esta é a única solução. Ou, então, peçamos para a mais organizada e bem armada milícia brasileira fazer isso, uma que tem um sistema de espionagem altamente eficiente. É uma coragem de fazer qualquer homem-bomba sentir-se um garoto malvado de escola primária. De quem estou falando? Do tráfico ora! O pessoal tem armas que nem o Exército tem, sabe todos os passos da Polícia e de sobra tem coragem de parar seus carros na frente de prédios públicos e metralhar sem medo e sem ser perturbado. Creio que eles conseguiriam buscar o homem facilmente. Ou podemos enviar nossa melhor força de invasão, o MST. Eles invadiriam o Iraque, exigiriam desapropriação do dono e teriam a posse do território e libertariam o funcionário da Odebrecht. Como poderíamos localizar alguém no poder de terroristas internacionais se não conseguimos dar segurança a quem está aqui?

ALLAN JAMES DE CASTRO BUSSMANN (bacharel em Ciência do Esporte) - Londrina

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