Tsunami e Deus

Li os artigos do professor de Filosofia da UEL, Aguinaldo Pavão, publicados no último dia 12 assim como o de ontem. Não quero discutir os argumentos do professor, mas quero expressar o meu espanto pelo desprezo das ''mentes piedosas'' e pela ignorância de um homem que trabalha numa nobre instituição que forma os nossos futuros líderes em várias áreas da nossa sociedade. De um homem desta posição espera-se pelo menos um conhecimento dos documentos que formam a base da nossa civilização ocidental, ou seja a Bíblia, e que tem trazido mudanças significativas para o mundo inteiro. Usar idéias sobre Deus que não tem nada a ver com os documentos originais sobre Deus é indigno de um homem nesta posição, é como se ele desse mais valor à opinião da tia Joana que ouviu da comadre Joaquina algo sobre Deus. Onde vamos chegar? Trabalho há 20 anos numa comunidade terapêutica com dependentes químicos, crianças, adolescentes e adultos, os adolescentes na sua maioria encaminhados pelo Judiciário por serem infratores. Esta comunidade é sustentada na maior parte por ''mentes piedosas'', trabalhamos com o conceito de um Deus vivo e presente e os resultados falam alto. Caberia bem ao professor informar-se sobre a matéria em questão antes de publicar algo.

MANFRED GUMBEL (pastor) - Rolândia


Tsumani diário

A grande calamidade que afetou uma distante região serviu para mostrar o espírito de solidariedade inerente ao povo brasileiro. Mas desta vez estamos agindo como aquele rei que queria acabar com a fome do mundo e que nem mesmo conseguia distribuir comida para os verdadeiros famintos no seu reino. Os brasileiros parecem mais sensíveis ao sofrimento dos asiáticos, esquecendo os ''tsunamis'' nacionais: a fome, a miséria, o desemprego, a violência, as famílias que vivem abaixo da linha da pobreza e perto de esgoto a céu aberto, a assistência médica na UTI, as crianças nos semáforos com sinal vermelho para a infância, a educação que não é fundamental. Vamos ajudar asiáticos, africanos, angolanos, até mesmo os marcianos, porém, vamos ajudar antes os brasileiros que estão debaixo desse ''tsunami'' gigantesco chamado má distribuição de renda. A realidade destes brasileiros é triste. Porém, parece que só conseguimos fazer caridade quando a televisão manda. Com isso, corremos o risco de mandar alimentos para o outro lado do mundo e deixar morrer de fome o irmão brasileiro que está do outro lado da rua.

MANOEL JOSÉ RODRIGUES (tapeceiro) - Porecatu

Maremoto

Discordo da opinião do sr. Célio Borba em carta publicada na Folha. Segundo ele, o Estados Unidos poderiam ter usado sua tecnologia para evitar a catástrofe ocorrida na Ásia. O que aconteceu o homem não tinha poder de evitar, pois Deus ''apanha o sábio na sua própria astúcia e o conselho dos perversos se precipita; Ele aniquila as imaginações dos astutos para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito'' (Jo 5:13 e 5:12). Alguém acha que o que aconteceu na Ásia aconteceria na danceteria da Argentina, onde quase duas centenas de pessoas foram dizimadas? E outras catástrofes acontecendo não é permissão de Deus? No passado, fez chover enxofre e fogo sobre duas cidades, destruindo-as. ''É vindo o grande dia de sua ira; e quem poderá subsistir?''

JOSÉ VALTER VILELA (aposentado) - Londrina

Prefeito omisso

Dias atrás uma tragédia assolou a cidade de São Bernardo do Campo (SP) com mortes de crianças e adultos, ficando os favelados sem-teto para morar. Numa cidade onde há grandes indústrias como Volkswagen, Mercedez Benz e outras tantas que engordam os cofres daquela prefeitura com grandes impostos, um prefeito desumano veio a público dizer que nada podia fazer. Prefeito dessa laia, deveria ser cassado por omissão. Por outro lado, surge a ostentação da troca dos veículos da equipe do governo federal, inclusive do novo avião presidencial, orçado em milhares de dólares.

ANTÔNIO BARBOSA (aposentado) - Londrina

Vida martirizada

Junto minha revolta, dor, piedade e vergonha, vendo os maus tratos infligidos a animais de tração, à manifestada por outros leitores da Folha. Sabemos que a vida de carroceiro é difícil, pobre e miserável. Sabemos também que quem usa carro para trabalhar, o trata bem com direito a lavagem e todas as benesses possíveis. E carro é lata! Animais de tração são seres vivos. Neste País em que pobre é miserável, em que o trabalhador ganha duramente seu sustento, o que falar desses pobres animais? A toda a hora passam puxando carroças, magros, cansados, famintos e, muitas vezes, com ferimentos. Veja-se só o olhar de dó que os mesmos nos conseguem transmitir. É com o coração dilacerado que dia-a-dia somos obrigados a presenciar as chicotadas que seus bravos donos e carrascos dão para um passo mais veloz. Há que conscientizar esses trabalhadores que os animais são o ganha-pão deles, cuidando-os com carinho tudo vai melhor. Há que formar um grupo que defenda esses seres indefesos, maltratados para que seja exercida a cidadania. Nossos filhos convivem desde cedo com essa barbárie. Para que tanto horror? A guerra começa nessas pequenas coisas. Há que acabar com essa situação. Os animais pedem socorro.

MARIA HELENA SUZANO BASTARDO RODRIGUES (médica) - Londrina

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