CARTAS
Sri Lanka é aqui
O povo brasileiro está demonstrando mais uma vez um sentimento de bondade que lhe é nato, e que é mais exacerbado quando surgem catástrofes, internas ou externas, como essa ocorrida na Ásia, atingindo a costa do Sri Lanka, Indonésia, Índia e outros países, causando uma quase completa destruição das áreas mais litorâneas desses países, além da perda de milhares de vidas, entre elas, muitas crianças. Aqui, muitas campanhas foram desencadeadas para arrecadar todo tipo de ajuda, tais como, remédios, alimentos, roupas e colchões. Em menos de dez dias, dois aviões cargueiros partiram em direção a aqueles países levando toneladas dessa ajuda. E ainda há mais a ser enviada. Acho louvável esse ímpeto de ajudar aquele povo, que agora está sofrendo a ação do ''tsunamis'' e sua força de destruição. Chega a até ser impressionante como a mobilização da nossa população é tão rápida e eficiente. Isso me faz refletir, que devemos também virar nossa atenção para nossos problemas internos, relacionados a nossos povos que passam fome, às vezes sem uma refeição sequer no dia, que não tem água potável para beber, sem remédios para curar suas doenças, sem escolas que lhe dêem educação, sem roupas para vestir, sem um emprego que lhe dê dignidade e cidadania. A ocorrência dos ''tsunamis'' na Ásia, a milhares de kilometros daqui, nos deixa um lembrete: de que nossos problemas internos, derivados de uma divisão de renda totalmente desleal, existem nos 365 dias do ano e devem ser sempre lembrados. Além disso, ajudas comunitárias como essas, deveriam acontecer com muito mais frequência para ajudar nossos irmãos brasileiros, que vivem em algumas regiões do nordeste e que sentem muita dificuldade para sobreviver em meio a miséria. Para esses, ''tsunamis'' acontecem todos os dias.
WALTER MURAD, biomédico, Londrina
Barulho
Muitas têm sido as manifestações de acato à decisão do MM. juiz da 2 Vara
Civil, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, que impede a emissão de sons acima
de 40 decibéis fora do salão de festas de um dos clubes sociais de Londrina,
atendendo favoravelmente à ação proposta por um dos vizinhos da Associação.
Faço coro a essas manifestações, pois o excesso de volume de sons, não só em
espaço aberto e não só nesse clube, é insuportável. Espero que tal decisão
não seja ''derrubada'' como tantas outras que beneficiavam a população.
Nos casamentos, aniversários, jantares dançantes e até nas igrejas o abuso
do som alto é irritante. Ninguém vai a tais lugares para assistir à
apresentação do artista, que humildemente deve ocupar seu lugar de música de
fundo (ou como se dizia antigamente, música de elevador). Para os músicos se
mostrarem, há ocasiões e espaços específicos, aonde vão os que só querem
ouvi-los. E até pagam para isso. E que dizer do ''karaokê'' dos desafinados no
Chopão em pleno centro de Londrina? Cantores de banheiro devem ficar em casa
com portas e janelas fechadas.
Como a festa do barulho já vem de longa data nos chamados Bailes do Hawaii e
similares dos diversos clubes, por que só agora o MM. Juiz tomou essa
decisão? Os vizinhos só reclamavam sem mover ação ou será que nas ocasiões
anteriores os vizinhos e as autoridades estavam fora do perímetro
insuportável?
REINALDO MATHIAS FERREIRA, professor, Londrina
Cavalos mortos
Cavalinhos órfãos são vistos com frequência nas ruas de Santa Fé, que não tem um mínimo de compaixão com os animais (equinos, muares etc.) ''caçados'' por caminhoneiros, confinados e abatidos de forma cruel num campo de concentração. Alguns animais recém nascidos no holocausto local são poupados do impune massacre diário das 250 cabeças. Éguas grávidas não têm a mesma sorte, são abatidas de forma cruel e seus ''filhotes'' retirados da barriga seriam transformados em embutidos exportados para o Japão. Os maus-tratos contra cavalos, burros, jumentos, potrinhos, às vezes doentes, muitas vezes magros, velhos e feridos, não é nenhuma novidade. Governos e ongs não fazem absolutamente nada para ajudar a mudar a situação, desestimulando este tipo de comércio assassino, fechando frigoríficos, muitos deles clandestinos, que praticam a judiação prévia e durante a execução, eliminando o animal companheiro do carroceiro, do catador de lixo, do puxador do arado, do peão e do tropeiro. Você pode ajudar a mudar essa situação. Exerça seu direito animal de cidadão. Não seja conivente. Denuncie! Proteste! Reclame! Exija respeito pelos animais.
JOSÉ FIORI, jornalista, Curitiba
Multas
Com relação à carta do Sr. Paulo Carmelindo, do dia 04/01/05, aos Agentes Municipais (não apenas de trânsito) incumbem também a fiscalização do comércio ambulante, publicidade, táxis, entulho e materiais sobre locais públicos, artesanato, caçambas, calçadão, caminhão-frete, feiras livres, mototáxi, transporte de cargas e detritos, transporte escolar auxiliar, dentre outros. O Sr. Paulo disse que os ''pardais'' têm mais bom senso do que os Agentes, contudo, saibam que os ''pardais'' (nome correto é Vídeo-Vigia) também são operados pelos mesmos. Muitos têm o hábito de fazer críticas, às vezes sem conhecimento de causa, até mesmo proferindo ofensas, apenas porque se sentiram prejudicados, pois ao infrator mostra-se difícil assumir o erro. Além disso, esses Agentes estão na base de uma pirâmide hierárquica, porque ninguém questiona quem está no vértice, os responsáveis pelas ordens, que ao invés de oferecer adequado material e treinamento apenas dão mais atribuições sem o devido suporte? Quero ainda deixar duas indagações aos leitores: de quem é a culpa por tantas mortes no trânsito de Londrina? Será que existe mesmo uma indústria de multa ou uma ''mina'' de infrações?
GEORGENEY BASSO DO CARMO, acadêmico da UEL, Londrina





