Opinião inoportuna?

''Espero, sinceramente, que algo tão grave como o terremoto que atingiu a Ásia e a África atinja os prédios do governo em Brasília, em um dia em que todos os políticos estejam lá''. Hoje, ao redigir a presente missiva, continuo pasmo. Fazendo leitura da frase acima - opinião de um comerciante, publicada na Folha2 do último domingo - talvez me falte discernimento, ou que esteja equivocado. Estou ciente de que o comerciante quis passar a idéia de que todos os políticos sejam a maior escória que se possa imaginar. Não tenho procuração para defender nenhum deles, aliás, acho que muitos deixam a desejar por uma série de fatos que não é necessário ficar discorrendo. O que causa espanto é o pensamento extremista e radical manifestado na opinião. Será que não tem ninguém decente lá? Será também que os moradores das regiões atingidas e turistas são também um bando de marginais, merecedores da cruel fatalidade? Quando me comovo de ouvir e ver pais olhando para o mar na esperança que ele devolva um filho que foi levado pela catástrofe, imagino que também pais, mães, filhos, parentes e amigos, não ficariam olhando os destroços na esperança que algo ressurja das ruínas, a que o comerciante deseja que aconteça. Depois de mais de 30 anos como educador, ensinei e aprendi. Quando esperava que minha aposentadoria chegaria e, munido de uma varinha, iria pescar, curtir a paz e o descanso, Deus deve ter achado que isso não seria digno para mim. Como voluntário, assumi a presidência de uma entidade filantrópica, voltada à recuperação de dependentes químicos e sou imensamente feliz, pois acredito que tudo o que se fizer para recuperar uma ovelha desgarrada, dar-lhe novamente dignidade, fazê-la sentir-se como ser humano que é, não há dinheiro no mundo que pague isso. Senhor comerciante, não estou aqui para julgá-lo porque o próprio Cristo disse que não veio para isso e sim fazer com que as pessoas tenham vida e vida em abundância. Gostaria apenas lembrá-lo de que antes de falarmos de paz, temos que tê-la interiormente. Não consigo acreditar que o senhor tenha realmente esse desejo tão desumano dentro do coração. Caso eu esteja errado, rezo para que um dia seu coração seja inundado pela paz e o senhor seja um mensageiro apregoador da fraternidade e amor.

WALDIR ALEXANDRE, professor, Sapopema

Indignação

Bastaram duas fotos e uma manchete. A verdade, nua e crua, que muitos se recusam a ver, saltaram diante de nós na primeira página da Folha de ontem, revelando o quão miseráveis somos, enquanto ''sociedade''. Impossível não se indignar e não se constranger, no sentido literal-cristão da palavra, que é o de sentir suas entranhas se revolvendo e seu estômago ficar seco como se tivesse levado um soco. Piegas demais e hipócritas mais ainda se tornam aqueles ''eternos votos'' de feliz Ano Novo, enquanto continuarmos vendo crianças indígenas à beira da inanição, empurradas para fora de seu habitat pela mesma ''civilização'' que as deixa morrer à míngua; enquanto pequeninos aparecerem com seus pés encharcados de lama e barrigas cheias de verminoses, ao passo que são os cães que se fartam com o monte de comida que, ao invés de ser repartida com quem tem fome, acaba sendo jogada nas latas de lixo! Infelizes seres que somos. Humanos?

ERCÍLIA FERNANDES, jornalista, Londrina


Câmara virtual

Dias atrás, a presidência da Câmara Municipal de Curitiba ''inaugurou'' (para a mídia ver) um quiosque de multimídia onde o cidadão curitibano poderia fazer uso para pesquisa de leis e envio de solicitações e melhorias ao bairro. Mas o equipamento que, com recursos do contribuinte foi instalado na Rua da Matriz, Praça Rui Barbosa, não pode ser usado, pois, depois de dias da entrega à população, estive por três vezes no local para fazer uso, o que tive a ingrata surpresa de ver a máquina apagada, desligada, sem qualquer sinal de sintonia entre parlamentares municipais e seu povo. Não seria desperdício do dinheiro público? Ou propaganda enganosa? E ainda estes mesmos políticos falam em TV Câmara... pra quê?? Pra ficar muda e surda??? Infelizmente acontece em plena época da vigoração da Lei de Responsabilidade Fiscal.

CÉLIO BORBA, artista plástico, Curitiba

Paulo Coelho

Muito oportuno o trabalho do ensaísta Janito Andrade ao mencionar em sua obra ''Por que não ler Paulo Coelho'' - vide capa de ontem da Folha2 - chamando a atenção para as ''non senses'' do referido autor. É inacreditável como Paulo Coelho conseguiu cativar o público com o desenvolvimento de temas pobres e pouco concretos em suas produções editoriais que não passam de oportunismo. Aliás, poder-se-ia definí-los como ''Histórias da Carochinha para Adultos''. E, sua ampla aceitação demonstra o despreparo do público de um modo geral para se conscientizar do valor real de um tema. E Paulo Coelho aproveitou justamente essa debilidade de desenvolvimento intelectual da sociedade para ''encaixar'' suas idéias carentes de valores lógicos e que fascinaram e fascinam aquela parcela de gostos menos refinados e menos desenvolvidos.

ARISTIDES MAKOWICH, médico, Arapongas

mockup