Doador ''preferencial''

Mais uma vez nós vemos a Câmara Municipal aprovar um projeto que venha beneficiar um grupo. Foi aprovado, nesta terça, em 1 discussão, o projeto de se criar na rede pública de saúde o atendimento preferencial ao doador de sangue. Era só o que faltava! Sou doador de sangue há mais de 20 anos e, com maior frequência, há pelo menos 10, e não vejo motivo algum para se criar tal projeto. A pergunta que faço é: por que os vereadores não buscam maiores informações a respeito da rede pública municipal de saúde? Poderiam começar a procurar respostas sobre por que o usuário leva tanto tempo para ser atendido. Ainda esta semana peguei um remédio para minha mãe na UBS do Jardim do Sol e levei pelo menos 35 minutos para ser atendido. Perguntei o motivo da demora e me responderam que só havia três funcionários para fazer o atendimento ao público. O que nós londrinenses esperamos dos senhores vereadores é ponderação na hora de aprovarem os projetos, não falo em nome dos doadores de sangue, mas, como doador. O doador é aquele que doa sem esperar nada em troca. Se alguém pensa que tal projeto vai aumentar o número de doadores, não faz idéia do sentido que é ser doador. A propósito, os senhores já fizeram a sua doação de sangue?
LIDMAR JOSÉ ARAÚJO (presidente da Associação de Moradores do Jardim Shangrilá B) - Londrina

Salário mínimo
O governo diz que o salário mínimo teve aumento real de 9% acima da inflação. É claro que ninguém acredita nesta mentira, pois o índice de inflação neste país é mascarado. Se isto fosse verdade, este aumento seria até o mês de dezembro do corrente ano, mas o pior é que o reajuste só será válido para maio de 2005 e recebido pelos trabalhadores em junho. Até lá isto será insignificante diante de tantos aumentos de preços e reajustes de taxas e impostos que temos que pagar a partir de janeiro. Para uma pessoa que lutou tanto para chegar à Presidência e foi tão aclamado quando conseguiu, o Lula pode ser considerado hoje o maior traidor do século. Isto é que é menosprezar a inteligência do povo.
SÉRGIO TORETO (escriturário) -Goioerê

É Natal!

É Natal. É tempo de reflexão. É possível refletir diante de tantos bombardeios de anúncios e apelos de consumo? Pergunta-se sempre pelo espírito natalino, pelos valores que a festa de Natal evoca, mas os ritos previamente organizados evocam e traduzem verdadeiramente esse espírito? Não quero me apresentar como o que tem as respostas, mas quero partilhar os questionamentos que sempre me vêem nesta data e que procuro digeri-los e refletir para que esse momento tão rico para os cristãos não se perca como tantas outras celebrações que vivenciamos ao longo do ano. E como é um tempo de reflexão, também não posso deixar de pensar em como está organizada minha vida, quais os valores que a alicerçam e a coerência dos mesmos com os valores celebrados na festa de Natal. E o que constato? Que apesar de todas as afirmações, verdades, valores e ritos tão badalados e divulgados nos tempos de Natal, prevalecem entre nós os ritos, valores e crenças em que vivenciamos ao longo do ano, nem sempre coerentes com o espírito e valores natalinos. E aí se dá o grande desafio: buscar qual foi a minha verdadeira identidade em todos os meus gestos e vivências ao longo do ano, para poder discernir e possibilitar um encontro e questionamento com os valores em que realmente vivencio e a conformidade de tais valores com os da festa de Natal. É preciso encarar a assertiva: ''É Natal. E Herodes ainda vive''. E é preciso também a certeza de que, apesar disso, tudo pode ser diferente, pois minha existência, meus menores gestos e atitudes, confirmam esta diferença e é isto que dá significado e sentido a minha vida.
DJACI PEREIRA LEAL (professor) - Nova Londrina

ILS no aeroporto

Como advogado e membro da comunidade aeronáutica local, e em razão da reportagem publicada na página 03, do Caderno ''Cidades'' do dia 15/12, venho manifestar minha indignação com toda essa celeuma envolvendo a instalação do Instrument Landing System - ILS em nosso aeroporto, sistema que permite a operação de aeronaves em condições meteorológicas adversas. Causa-me espanto ao ler a reportagem como os assuntos de grande interesse são tratados pelas nossas autoridades que se dizem competentes. Em razão da desídia, ou sabe-se lá quais os verdadeiros motivos, o Poder Público vai concedendo alvarás e autorizações de construção e/ou funcionamento, sem que haja um mínimo de critério para essas concessões. O que a opinião pública desconhece é que nosso aeroporto ''perdeu'' 300 metros da pista de pouso de aeronaves em razão do crescimento vertical desordenado e sem rigorosa fiscalização do Poder Público local. Num procedimento de pouso de uma aeronave, deve-se obedecer a rigorosas regras de segurança a fim de se evitar acidentes. E obedecendo a essas regras de segurança é que se deslocou a cabeceira de pouso em 300 metros para propiciar uma rampa de aproximação mais elevada, garantindo segurança maior aos procedimentos de pouso. Caso nossa cidade continue a crescer desordenadamente, correremos o risco de não termos pista de pouso suficiente para a operação de grandes aeronaves, o que, certamente, causaria prejuízos incalculáveis para a economia da nossa região. Ultimamente, o número de vôos comerciais para vários centros importantes está crescendo em nosso aeroporto, demonstrando que Londrina está se tornando um importante pólo econômico nacional. Até quando continuaremos com essa mentalidade retrógrada, mesquinha e provinciana? E o que dizem nossas autoridadas?
EMERSON SIGNOBERTO DANIEL (advogado) - Londrina

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