CARTAS
O parto da mãe
Matéria jornalística veiculada no dia 09/12/2004 deu como um feito heróico o caso do garoto de 10 anos, que foi parteiro de sua própria mãe. Uma mulher de 28 anos, mãe de quatro filhos, ao engravidar do quinto, programou dar à luz no hospital e pelo fato de ter renda de R$ 300,00 proveniente de uma pensão, ia deixaria o recém nascido para adoção. Na madrugada acorda em trabalho de parto, o que a obrigou a acordar o filho, Tailan, para que este procurasse por socorro. Porém, vendo as coisas se precipitando, a mãe instruiu o filho para que auxiliasse o irmão terminar de nascer, ali mesmo em sua casa. Será mesmo um ato heróico? Uma mãe de quatro filhos, imprevidente e irresponsável, pois já tem experiência suficiente para perceber que deveria procurar atendimento antes da precipitação do nascituro. Acomodada, deixou para depois, como que se a natureza esperaria pela sua boa vontade em ter seu filho quando bem entendesse. Ao tomar a atitude de se ver sozinha e ser auxiliada pelo pequeno Tailan, com certeza trouxe para este algum gravame psicológico. Pior ainda, que esta mãe ainda termina dizendo que ''posso passar fome, mas vou procurar dar tudo a eles''. Desculpe-me o leitor, mas não há como diminuir a criminalidade quando vemos acontecer este tipo de coisa. Não há como diminuir a fome que nestes tempos de festas vira assunto corriqueiro nos noticiários. Nada é feito para alterar este quadro de lamentações. É reduzido o número de pessoas abnegadas que trabalham na conscientização de mães e pais que são, potencialmente, apenas reprodutores de seres humanos sem qualquer compromisso com o depois de nascido. Infelizmente, este evento não é um caso de heroísmo. É o efeito do desastre social da péssima distribuição de renda que assistimos, passivamente, neste país.
ADEMAR CONSALTER (perito policial científico) - Londrina
Graúdos e miúdos
Quando presenteamos uma pessoa pobre (no sentido financeiro) damos a ela uma lembrancinha e ao rico, se necessário, fazemos até um crediário. O que deveria ser ao contrário pois senão o pobre nunca terá nada de valor. Quando atendemos uma pessoa pobre, geralmente é com indiferença, má vontade e grosseria e ao rico com atenção, boa vontade e com tanta delicadeza que, às vezes, beira o ridículo. O que deveria ser ao contrário pois o pobre já chega tão temeroso que dificulta o seu entendimento. Quando um pobre precisa de um favor inicia-se uma maratona e normalmente sem sucesso enquanto que ao rico basta um pedido, um telefonema ou um bilhete e as portas se abrem como que por encanto. O que deveria ser ao contrário pois precisar de um favor já é difícil e, às vezes, diante de tantas dificuldades, torna-se humilhante. Será que é complexo de inferioridade que nos leva a ter estes comportamentos? Desde que o mundo é mundo que isso se repete mas poderíamos tentar mudar isso nos próximos ''presentes'' e atitudes.
ROSANE F. DE ARAÚJO (escrivã de polícia) - Londrina
Dia da Justiça
Seria um dia a ser comemorado, não só pelos funcionários da Justiça, como também pelos que dela já dependeram ou dependerão. Porém não há nada a comemorar, pois quem vê vantagem neste dia são somente os funcionários, não pelo dia comemorado, mas sim por não haver expediente. Se por um lado os serventuários da Justiça alegram-se por não trabalhar, por outro lado os que necessitam da atuação da Justiça sentem-se novamente angustiados, pois o que já caminhava a passos de tartaruga, agora está completamente parado, neste Dia da Justiça. Seria realmente ótimo se os olhos da Deusa ''Themis'' estivessem totalmente vendados, pois hoje percebe-se que os fiscalizadores e julgadores ao aplicarem o rigor da lei, manipulam a venda que na verdade deveria ser intocável, pois do contrário não haveria de existir. Com isto muitos que deveriam estar presos por força da Justiça, estão soltos e outros tendo direito à liberdade, por força da mesma Justiça, estão presos. Percebe-se que, da espada, balança e venda, apenas a espada esta sendo usada, para ceifar o Art. 5º da Constituição, principalmente o direito de ir e vir. Para destacar a glória deste grande dia poderíamos refletir do ponto de vista cristão com esta passagem bíblica: ''Não faças injustiça no julgamento; não eleves o pobre, nem favoreças o poderoso; mas julga o teu próximo com justiça'' (Levíticos Cap. 19 Vs. 15 ).
CLEIDE MARIA DO AMARAL LIMA (esposa de policial civil preso pela Promotoria de Investigação Criminal) - Londrina
À Folha com louvor
Sou assíduo assinante e leitor da Folha de Londrina e acompanhei muitas fases editoriais do jornal. Como pioneiro e colega de faculdade de direito do saudoso Nilson Rimoli, recordo sempre da lisura e independência de seus editoriais e da linha editorial do jornal. Passadas outra fases, vejo que a linha de independência editorial do jornal está novamente firmada. Senão, como explicar os editoriais ''Impurezas da programação das TVs'' de 27/11/2004 e ''A nova investidura contra fumantes'' de 7/1?/2004? São editoriais que tratam de assuntos polêmicos mas que, no conteúdo, contrariam interesses de poderosos que exploram o vício como forma de enriquecimento fácil. Sob a falsa ótica da liberdade de imprensa, a divulgação do vício e as libertinagens sexuais se tornaram o grande filão de aliciamento dos viciados em potencial, principalmente os jovens. E entre os jovens, mais de perto as mulheres. Tudo que diz respeito a essa maldição que é o vicio deveria merecer muito mais atenção de parte da família em primeiro lugar, além das autoridades e da imprensa. Por isso, parabéns duplos à Folha de Londrina.
EDGAR BAER (advogado) - Londrina





