Atleticanos sem locomoção

Não sou torcedor do Atlético Paranaense. Como profissional do direito, todavia, associo-me à revolta e à dor da torcida do ''Furacão'', impossibilitada de torcer por seu time, barrada já dentro da cidade do Rio de Janeiro. 0 que aconteceu com essa valorosa torcida, capaz de passar 24 horas em ônibus e vans, é profundamente revoltante e transcende à notória pilantragem que impera em alguns escalões do futebol. A pretexto da ''segurança'' que Ihe incumbia garantir, o Estado do Rio de Janeiro negou-lhes o direito de ''ir e vir'', consagrado no artigo 5º, inciso XV da Constituição Federal. É imperativo de consciência civilizada que todo paranaense e todo brasileiro repudiem esta clamorosa violação da Carta Magna. Pouco importa se a diretoria do Atlético, mais uma vez, ingenuamente, deixou ao léu (ao Vasco) o torcedor que não tem recursos para ir de avião ou de automóvel próprio. O que é fundamental é não banalizar o acontecimento. Fundamental é não calar, não silenciar e não aceitar a violência que, mais do que contra o torcedor do Atlético, é contra o próprio sistema constitucional brasileiro. A esfarrapada desculpa do bloqueio é a confissão da violação de outro dever, o de segurança, também garantido na Carta Magna. Cumpre a todos, e a cada um dos prejudicados, em particular, adotar imediatas providências jurídicas contra o Rio de Janeiro para retirar aquele maravilhoso Estado do retorno à barbárie. É um imperativo de civilização e de consciência.
RICARDO SAMPAIO (advogado) - Curitiba

Alarme ensandecido

Em tempos de contenção de despesas, os condomínios estão demitindo funcionários e se equipando com parafernálias eletrônicas e elétricas para afugentar ladrões. Um prédio vizinho ao meu, o edifício Vale Verde, situado na rua Amador Bueno número 110, eliminou seu quadro de funcionários e implantou ''cerca elétrica'' e um equipamento de alarme que é um verdadeiro terror na vizinhança. O prédio de sete andares e 14 apartamentos parece ignorar o transtorno que causa aos moradores da proximidade - um prédio de 28 apartamentos e outro de 36, além de pelo menos 4 residências, que são incomodados pelo equipamento de alarme deles que dispara ensadecidamente várias vezes ao dia e à noite também. O terrível som do alarme dura um tempo que parece uma eternidade. Os moradores, digo, os donos do alarme já estão acostumados e ignoram o sinal de perigo, porque sabem que não há, e nem se atrevem por o rosto na janela para evitar ouvir impropérios de vizinhos mais exaltados. Isso me faz lembrar a história do menino que pedia socorro atrás do poço e no dia que caiu dentro de verdade ninguém foi em seu socorro porque acharam que era ''alarme falso'', assim poderá acontecer com meus vizinhos, o dia que o ladrão disparar o alarme e entrar tranquilamente ninguém estará preparado, faz lembrar também a parábola das virgens imprudentes do evangelho, que não vigiaram e quando o noivo chegou foram pegas de surpresa e sem azeite em suas lâmpadas. Assim poderá acontecer com meus vizinhos virgens, digo, imprudentes, na ânsia de proteção equiparam-se mal, e nunca saberão se estão protegidos ou não. A empresa responsável pelo alarme, que oferece monitoramento 24 horas, até aparece para verificar, mas o episódio já vem acontecendo há mais de um mês e a empresa não se mostrou competente para resolver o problema. E por que esse síndico não foi caçado pelos moradores? Quem paga o pato nessa história toda são vizinhos, que não têm nada a ver com esse alarme e sua pseudo-segurança.

EDISON ROBERTO WOICIKIEVZ (consultor de etiqueta ) -Londrina

Mau uso do dinheiro do povo

Fico abismado e revoltado com o que se faz com o dinheiro do povo que vai para os cofres públicos. Não é para ser diferente e o leitor certamente concordará depois de ler o que se segue: (1) Recebo algumas correspondências de um deputado federal do nosso Estado. Que bom que ele está comunicando o que tem feito no exercício do seu mandato! Ocorre que na sua lista constavam três endereços com o meu nome. Comuniquei à assessoria do deputado, explicando o que a triplicidade de endereços implicaria em termos de custos e isso foi corrigido. Porém, há algum tempo recebi uma nova correspondência, à qual estavam anexados à cópia de um discurso de seis páginas do deputado, um cartão e um documento que dava nova redação a alguns artigos do Novo Código Cívil. Estes anexos são impressos em três cores em papel colorido e com gramatura 180. Precisa-se de tudo isso? (2) Trabalho numa instituição educacional que recebeu recentemente uma correspondência de uma secretaria do nosso Estado. Continha 25 enormes cartazes de programa a ser desenvolvido pela secretaria. Mas o que me chamou a atenção além do tamanho e quantidade de cartazes enviados foi o tipo de postagem: SEDEX. Quem paga? O contribuinte, o cidadão, que vê seus impostos investidos em despesas que poderiam ser diminuídas. Tais custos são necessários ou são convenientes? As verbas de gabinetes de vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, das secretarias municipais, estaduais e federais precisam ser melhor aproveitadas, com investimentos absolutamente necessários. Assim, os cofres públicos teriam mais dinheiro e o bom uso do mesmo voltaria em benefício do povo.
LUÍS GONÇALO SILVÉRIO (professor) - Londrina

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