Salário imoral
A população brasileira é tratada como se fosse acometida de grave retardamento mental. Essa é a sensação de quem acompanhou a matéria publicada neste jornal na ''Folha Cidadania'' (1/12) que sintetizou em linguagem simples, o absurdo dos valores pagos aos deputados estaduais e federais e senadores. Ninguém em sã consciência poderia acreditar que no Brasil onde um trabalhador honesto que se sacrifica 8 horas por dia, durante os 30 dias do mês, tenha direito a um salário mínimo e vergonhoso de R$ 260 para sustentar sua família com moradia, alimentação, água, luz, vestimentas, calçados, material escolar, medicamentos e etc. Logicamente transformando-os em miseráveis, enquanto os usurpadores da pátria, que não poderiam ser definidos de outra forma, como os deputados federais que embolsam cada um deles mais de R$ 67 mil mensais, os deputados estaduais quase R$ 58 mil e os senadores abocanham mais de R$ 123 mil por mês entre salários e outras verbas que, certamente, seriam considerados imorais se acontecesse num país onde o governo honrasse seu povo e os votos de confiança que o elegeu. Impossível seria a qualquer um deles, sozinho com sua consciência, conseguir dormir com todo o peso do remorso pela fome e tanta miséria pelas quais são eles os principais responsáveis, mas certamente eles não sofrem desse tipo de insônia, porque dentro de seus corações não pode ter sobrado nenhum vestígio de dignidade humana. Exemplificado pela declaração de outros parlamentares à ''Folha de Londrina'' de 30/11, onde defendem seus salários como justos pelo tanto que ''trabalham'' em prol da população.
WILSON ROBERTO MORO (empresário) - Londrina

Desarmamento
Nos últimos dias, muito se tem falado do sucesso da campanha ''voluntária'' do desarmamento. Foram entregues mais de 150 mil armas. Será que nossas autoridades têm motivos reais para a comemoração? Uma grande parte do armamento entregue tratam-se de armas absoletas com muitas décadas de desuso, muitas pertenciam a colecionadores, armas oriundas do século 19 e início do século 20. Provavelmente nenhuma delas esteve envolvida nos milhares de assassinatos ocorridos anualmente no Brasil. Os assassinatos com armas de fogo continuam, a violência urbana não deu sinais de diminuição, ao contrário, tem aumentado em algumas cidades. A criminalidade não deu trégua e tem mostrado sua força cada vez com mais violência, ignorando e desafiando nossos órgãos de segurança, que teriam por obrigação prestar serviços de proteção para a população que já paga caro por isso, além de ser um dever constitucional do Estado. Fala-se no combate ao contrabando de armas pelas fronteiras do país, que deveria ser uma prioridade de nossos agentes aduaneiros, mas parece que a prioridade é dada no combate aos sacoleiros, sonegadores sim, mas que não contribuem para o aumento do índice de mortes violentas. Se nossos agentes que cuidam de penitenciárias não conseguem evitar a entrada de armas e celulares em um portão de alguns metros de largura, o que dizer de uma fronteira de milhares de quilômetros de extensão. Foram gastos milhares de reais para a implantação de bloqueadores de sinal, antes da instalação já se sabia que seriam ineficazes, mas como se trata de dinheiro do contribuinte pode ser gasto à vontade, inclusive para a engorda de contas bancárias de corruptos. Uma sugestão ao Ministério da Justiça e órgãos de segurança: fazer uma campanha junto a traficantes, sequestradores, assaltantes, presos em penitenciárias (principalmente as classificadas como de segurança) e demais criminosos que continuam com suas armas para que também participem voluntariamente nesta campanha de desarmamento.
DARCY BRAZ GUEDES (mecânico) - Londrina

País dos impostos
''O IR brasileiro não é alto'', disse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Vejam estes dados obtidos na internet. O americano é isento do IR aqueles que ganham menos que US$ 3 mil dólares por mês (equivalente a R$ 8.400) e não têm desconto retido na fonte, como nós temos. Pagamos o dobro do que os americanos pagam pela água que consomem (sendo que a água doce, 25% está no Brasil), nós pagamos 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade, e contamos com 95% da produção de energia de hidroelétrica não-poluente. E o petróleo? Nosso País é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% produzido aqui) e temos preços elevadíssimos, nos EUA o preço do litro da gasolina (pura e sem mistura) é de US$ 0,30 ou seja R$ 0,90. Nós pagamos R$ 40 mil por um carro, R$ 20 mil para o governo gastar não se sabe com que e nem onde. Na Flórida, o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS no Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil, país comprovadamente rico, com uma nação pobre, pagamos ICMS, PIS, Cofins, CPMF,ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos. Trabalhamos 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos, noutros países não se paga o mesmo absurdo que nós. Nos seguros, como o IPVA, os americanos pagam apenas US$ 15 de licenciamento anual, não importando qual o tipo de veículo seja. Aqui no Brasil, 20% da população economicamente ativa não trabalham. Nos EUA, eles
4% da população que está desempregada. E na questão de alimentos, não poderia haver famintos por aqui, porque no Brasil produzem-se alimentos para manter dois países, porém, supre a necessidade de 1/3 de seu povo. Sr. ministro Palocci, não venha nos dizer que pagamos pouco imposto.
MARIA GENNY BELEMTANI (secretária) - Londrina

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