Vícios

Existirá consumidor mais fiel de que um viciado? A resposta todos sabemos: não. E isso vale para todos os vícios, a começar pelos chamados vícios socialmente aceitos. O pai de família deixa de comprar o leite para o filho pequeno, mas levanta-se às três da madrugada para comprar cigarros. O cigarro talvez seja o vício mais aceito pela sociedade, mas é extremamente nocivo à saúde, tanto para quem fuma como para as pessoas próximas, os chamados fumantes passivos, e, tanto quanto qualquer outro vício é nocivo ao bolso. Tomo tempo para escrever sobre o assunto porque tenho notado certa preocupação, até da imprensa, em relação aos aspectos negativos trazidos pelos vícios. Veja-se a reportagem publicada na ''Folha 2'' do dia 16 de outubro: versada sobre protestos deflagrados contra a baixaria na TV. E o que essa baixaria mais explora? Sexo indiscriminado, violência. O sexo natural e entre pessoas normais, geralmente casadas, traz alegria, satisfação e prazer. Porém, banalizado e hoje identificado como ''namoro'', é vício, sim. Nesse particular permito-me até dizer que as mulheres, que são no final as mais exploradas, deveriam se contrapor energicamente contra a situação. E a violência? No noticiário do jornal ''Hoje'' daquela data, foi veiculada a notícia de que 81% das agressões praticadas contra mulheres partem de ''parceiros'' alcoolizados. As bebidas alcoóolicas são também liberadas para serem consumidas socialmente. Mas viciam e muito. São uma tragédia! Falar sobre bebidas alcoólicas e seus malefícios é redundância: todos sabem o que acontece com as pessoas e os lares desses viciados. Esses são vícios aceitos. Mas qualquer um que pense um pouco verá que tenho razão em não tolerar o vício. Será que algum dia alguém vai levar a sério esse problema tão prejudicial aos indivíduos, aos lares e à sociedade? Precisa ser um super-herói porque terá que enfrentar a mais poderosa indústria do mundo: a indústria do vício que mata e destrói e ainda assim é apresentada como saudável e bela. É só ver os últimos anúncios de cerveja.

EDGAR BAER (advogado) - Londrina



Perpetuação da elite

Adorei o que a leitora Josiane Rodrigues escreveu na seção de cartas da Folha de Londrina. É justamente isto tudo o que ela destemperou no movimento dos sem-terra. Necessitados de terra sempre existiram desde o início do mundo. Apareceram muitos com idéias iguais às dela e sempre irão aparecer. Ela não vai de jeito nenhum endireitar este mundo, como não conseguiram vários ditadores como Mussolini, Hitler e Stalin. Todas as pessoas têm uma oportunidade na vida é só aproveitar a ocasião exata. Talvez, ela seja ainda uma daquelas que sonham que as coisas são fáceis e é só sentar e esperar que tudo cai do céu e seria um paraíso. A vida é uma luta constante e sem esmorecer. Fui criada em baixo de pés de café, enquanto meus pais trabalhavam na lavoura para terceiros. Depois cada qual tomou seu rumo, assim como eu também fui à luta sem desanimar. Se acham que sou privilegiada, é por merecimento. Também acho que a leitora é uma privilegiada devido à posição que se acha. Gostaria que ela lesse uma reportagem do MST da revista Veja desta semana. É o outro lado da cara desse movimento.

THEREZA MARIA BARROS (aposentada) - Londrina





Recordista de ações

É inacreditável que o ex-prefeito cassado viva tranquilamente na mesma cidade, desfrutando de todas as benesses custeadas pelos quase 300 milhões de reais desviados do dinheiro arrecadado do povo através de impostos como IPTU, ISS e tantos outros. Passaram-se quase 5 anos de sua cassação, chegou até a ser preso, mas está solto por força de recursos jurídicos, ou quem sabe, de outras ''forças ocultas''. No último dia 25 de novembro bateu o recorde absoluto de ações judiciais, sendo ajuizada contra ele a 41 ação pública, proposta pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, requerendo o ressarcimento de dano ao patrimônio público e por improbidade administrativa por mais um desvio que ultrapassa 9 milhões de reais. Apesar de tudo isso, ele continua impune, chegando a zombar do poder judiciário e dos cidadãos de bem desta cidade, ao se declarar recentemente candidato a deputado estadual nas próximas eleições e, posteriormente, a prefeito deste município. Suas declarações demonstram total desprezo pela Justiça, já que os processos por improbidade administrativa prescrevem em junho de 2005. O ''Maluf de Londrina'' está por um fio para se safar deste crime hediondo. Considero assim, pois milhares de crianças, idosos e o cidadão mais humilde ficaram desassistidos, muitos até morreram. Esses crimes serão prescritos e o cidadão londrinense poderá dizer adeus aos milhões de reais desviados por ele e seus comparsas. Estes milhões poderiam ser revertidos em tantas obras sociais necessárias à população e tão criticadas e exploradas como principais argumentos de campanha eleitoral por esse mesmo ex-prefeito cassado. A Justiça existe de verdade ou transformou-se em mero cartório para protocolar e arquivar processos? Gostaria de chamar a atenção da OAB; dos ''Pés Vermelhos''; estudantes secundaristas e universitários; dos movimentos sociais, sindicatos; jornalistas; dos vereadores, partidos políticos, enfim de todos aqueles que acreditam na verdade, que ser honesto neste país, não é apenas um dom, uma virtude, mas uma necessidade.

DANIEL CARVALHO (funcionário público estadual) - Londrina

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