CARTAS
Crise no educandário
A Promotora Pública da Infância e Juventude, frente ao renovado problema existente com o Educandário de Londrina adverte em entrevista concedida a este jornal que a população brasileira deveria contribuir para solucionar os problemas existentes com os menores. Não visualizamos em momento algum a inexistência de ajuda da população londrinense para minimizar os impactos envolvendo menores de rua e aqueles que se encontram abrigados em creches e outras entidades. Muito pelo contrário, é graças à ajuda popular que os problemas não são mais graves do que aqueles existentes. Enquanto isso o que faz o Poder Público? Nada, optando em dar entrevistas e fazer inócuas reuniões, que em nada contribuem para eliminar os problemas envolvendo menores. Por que será que ocorre a destruição dos prédios públicos que abrigam menores? Esta pergunta fica no ar para resposta de cada um de acordo com sua imaginação, quer em nível de descaso como de negligência e outras situações nefastas. Onde estaria a origem do problema? Quantas adoções foram deferidas nos anos de 2003 e 2004 em Londrina? Quais foram as atividades desenvolvidas pelas autoridades no sentido de reduzir o impacto negativo produzido pelos menores, quer de rua como aqueles que se encontram ''depositados'' nas entidades públicas e privadas? Respostas estas que deveriam ser alvo de ampla divulgação por parte das autoridades que cuidam deste segmento e não ficar fazendo proselitismo e divagações sem qualquer resultado prático. Finalizo evidenciando que um programa de adoção de menores que se encontram em creches, abrigos e instituições, deveria ser acelerado, pois seria o início de afastamento destes menores das ruas e da sobrecarga que estas entidades encontram-se neste momento. Reflexão que fica consignada para resposta das autoridades.
CARLOS HENRIQUE SCHIEFER (advogado) - Londrina
É bom ser corrupto
Estou chegando à conclusão que no Brasil essa seria a mais sensata orientação para a formação de nossos filhos. Num país onde os pais se submetem aos maiores sacrifícios, muitas vezes superando esforços sobre-humanos para conseguir o suporte financeiro necessário para proporcionar aos filhos a melhor educação escolar, desde os primeiros anos até suas formaturas nas mais conceituadas universidades, assistem impotentes à desilusão deles ao se depararem com a triste realidade da quase total falta de mercado de trabalho, tão noticiada e que se transforma numa das maiores vergonhas nacionais. Neste país as pequenas e médias empresas, as maiores geradoras de empregos e que realmente valorizam seus profissionais com remuneração mais justa, estão fechando suas portas por não suportar enorme peso da carga tributária enquanto as multinacionais incham com tantos incentivos fiscais, empregam comparativamente pouco, remuneram mal e exploram descaradamente seus profissionais formados (tipo trainée). Vergonha maior que esta somente poderia ser atribuída à Justiça que, pela sua ineficiência, justificada sempre pela falta de recursos humanos, excesso de trabalho, carência de magistrados, legislação ultrapassada e que está também à beira da falência, deixa de cumprir seu papel em prol do Brasil e do povo, que acredita ser atualmente a ''maior prioridade nacional'', a de realmente processar, condenar e prender os políticos corruptos e seus comparsas, rastrear, localizar e devolver à população os milhões que lhe são de direito. A corrupção infiltrada em todos os níveis e poderes é sem dúvida a causadora do triste caos social imposto aos brasileiros. Exemplos de corrupção estão à nossa porta, como também os exemplos de impunidade aos corruptos. Se atitudes práticas, duras e definitivas não forem tomadas para acabar com a corrupção, talvez a orientação mais lógica que os pais deveriam dar para que seus filhos tivessem um futuro brilhante fosse prepará-los para essa ''carreira política''.
MARILENA CHUBACI (dona de casa) - Londrina
Recrutas no Haiti
O Brasil é um país subdesenvolvido. Aqui há centenas de problemas sociais relacionados à falta de segurança, saúde, emprego, educação, transporte e corrupção política. Não podemos dar o luxo de despachar soldados para campos de guerra em países onde reinam ditaduras, guerras civis e crimes contra a cidadania e o progresso. Nossos recrutas foram enviados ao Haiti e correm o risco de voltar dentro de caixões, tudo porque nosso podre e falido Congresso Nacional aprovou o envio de nossos homens. Evidentemente que nenhum destes congressistas brasileiros têm um filho nas Forças Armadas servindo à Pátria. Aliás, nossos soldados estão nas Forças Armadas para servir à Pátria e não nações estrangeiras. Para tal, existe a Onu, existem países de primeiro mundo com soldados bem nutridos, bem remunerados, com melhor cultura, estudo e preparo para tais manobras internacionais. O que nossos parlamentares fizeram é a aprovação da morte em conflitos de nossos jovens. Isto é falta de patriotismo, cidadania e amor ao país.
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba
Banco Santos
Quer dizer que foram quatro meses de corrida ao Banco Santos, em que o senador José Sarney e demais correntistas sacaram mais de 700 milhões de reais, movidos pelos insistentes boatos de quebra do banco, e o Delúbio Soares de Castro não percebeu nada? Gostaria de saber quando o presidente Lula vai nos revelar esses inocentes anjos distraídos, como Delúbio e José Dirceu?
PAOLO MARANCA (artista plástico) - São Paulo
Correção
- A foto publicada na edição de domingo, na página 3, sob o título ''Stédile prevê que 2005 será ano de mobilização'', é do arcebispo de Londrina dom Albano Cavalin e não de dom Tomás Balduino como foi publicado.





