Perpetuação da elite

Fiquei indignada ao ler neste jornal depoimentos de duas pessoas a respeito do movimento dos sem-terra. Ambos concordam que os sem-terra são sem-terra porque querem, sofrem porque querem, não mudam de vida porque não querem e acima de tudo não arregaçam as mangas e não encaram o trabalho. Rebato dizendo que não são os sem-terra os ''Marias vão com as outras'', não são os sem-terra os ''sem-cabeça'', mas são isso quem escreve e acredita que os sem-terra são realmente um grupo que não está a fim de arregaçar as mangas. No Brasil, grupos que fazem parte de algum tipo de movimento e que levantam determinada bandeira são vistos como delinquentes e bandidos. Esse é o pensamento de quem se sente ameaçado, de quem faz parte de uma elite que precisa manter as coisas como estão. O Brasil é considerado um dos países com maior desigualdade social. De um lado, ricos e manipuladores e, de outro, os pobres e necessitados. Necessitados de terra, de casa, de comida, de educação e principalmente de oportunidades. O meio-termo (o que seria o mais sensato e necessário) é irrisório. A Justiça não é lenta, é parada, pois há quanto tempo temos movimentos como esses aguardando por resoluções? E como manter que ninguém tire a minha terra, como manter que as coisas continuem exatamente como estão? Espalhando e divulgando que os sem-terra e todo e qualquer grupo que esteja a margem da sociedade vivem esta vida porque querem. Essas pessoas precisam de uma única coisa: oportunidade, igualdade, fim do preconceito e principalmente continuar lutando para que pessoas como essas que pensam e acreditam nas coisas ditas por essas duas pessoas em cartas enviadas à Folha de Londrina não mais perpetuem a sua dominação.

JOSIANE RODRIGUES (®MDNM¯assistente financeiro) - Londrina

Propaganda econômica

Números positivos, ciclo vigoroso, ciclo virtuoso, robustez econômica. Mas onde está a distribuição deste ciclo? Talvez em algum círculo tão pequeno que ele represente um ponto de nossa sociedade. Hoje a sensação dominante em nossa economia é de arrojo e não de respiro, menos ainda de suspiro. Não percebo este consumo propalado. Parece-me que os números oficiais apresentados só são comparáveis com períodos mais críticos anteriores. É como se fossem números para que se possa anunciá-los de maneira cínica com um sorriso estampado no rosto. Estou no comércio há 21 anos e o meu medidor é a venda diária e a minha pesquisa é junto aos clientes: profissionais liberais, corretores de automóveis e de imóveis, além, é claro, dos vendedores que me atendem. Todos são sensores vivos de nossa economia e todos dizem a mesma coisa: ''Não se está vendendo nada!''. Quando isso ocorre é reflexo de que algum setor da economia de algum modo está a suspirar. Nem a brisa deste suspiro nos chega. O que questiono é: até onde vai a credibilidade desses números? Será que as pessoas que anunciam tais números estão realmente falando para a grande maioria da população? Não vejo nada para comemorar muito menos para sorrir, pois a minha realidade é a da grande maioria da população que vive com dificuldades no país. Que país é este? Oras, é o Brasil.

LIDMAR JOSÉ ARAÚJO (microcomerciante) - Londrina


Londrina suja

Li dias atrás na Folha de Londrina que as calçadas de nossa cidade ocupam o 2º lugar em estado ruim de conservação. Isto é verdade e muitas pessoas já tiveram fraturas nos pés por este motivo. Vamos celebrar os 70 anos de nossa cidade. Seria bom que aquele slogam da fase pré-eleitoral de ''Londrina Linda'' se tranformasse em realidade, porque nossa cidade além das horríveis calçadas é uma cidade suja de dar vergonha a qualquer pessoa. Em pleno centro da cidade, final da rua Pernambuco em frente ao Moringão a sujeira é tanta que parece um lixão. O que a Prefeitura faz a respeito? Nada. Acho que a vigilância sanitária também tem culpa no cartório porque a primeira vítima da falta de higiene é a saúde, além da estética. Vamos exigir que nossos impostos sejam também usados para resolver este problema que abriria emprego para muita gente. Limpeza e higiene é vida com saúde.

JOSÉ LUIS PASCUAL (médico) - Londrina


Merecido prêmio

Quero parabenizar a Folha pelo prêmio recebido da Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência (Ciranda) com respeito às materias jornalísticas publicadas na busca das soluções e dos enormes problemas das crianças e adolescentes em nosso Estado. Com o Caderno Cidadania, este jornal propicia a vez e a voz aos adolescentes e também para que as empresas que se comprometem com a responsabilidade social ajudem a reduzir esse enorme abismo que separa nossos jovens das periferias ao acesso na era do conhecimento e da informação. E isso várias escolas públicas e privadas e a sociedade de Londrina têm feito. Parabéns a todos que se envolveram no projeto. O reconhecimento é o prêmio recebido. Nossas crianças e jovens lhes agradecem pelas oportunidades.

JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) - Curitiba


Correção

- Ao contrário do que foi publicado na coluna Sociedade Londrina de hoje, no Caderno Folha2, o DJ Felipe Venâncio se apresenta no Empório Guimarães.

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