MST que poucos conhecem

É natural o antagonismo existente entre duas vertentes totalmente diferentes. A primeira, dos produtores rurais, cujo único defeito é movimentar o agronegócio, setor de suma importância na balança comercial superavitária deste país. A outra, dos sem-terra que consideram os com-terra culpados de não terem seu pedaço de chão para cultivar. O presidente do Incra, Rolf Hackbart, faz uma explanação interessante, demonstra conhecimento dentro do que o instituto e o jogo político lhe permite, por outro lado há de se considerar que seus defendidos (MST) não são santos. Basta dar uma olhada nos boletins de ocorrência contra o MST em delegacias, onde há de tudo desde invasão de propriedade privada, depredação, destruição de bens móveis e imóveis, matança de animais, intimidação e violência de natureza horripilante, etc., assim como sentenças de reintegração de posses concedidas e não cumpridas a seus proprietários, e veremos a derrocada que Rolf está defendendo em nome do social. O Paraná estampou a cara do MST, mostrou competência e técnica na apresentação dos dados da Fazenda Araupel, onde demonstra mais uma vez a fraqueza do poder público envolvido na ordem e justiça. Chega de terrorismo por parte dos invasores do MST, chega de mortes em conflitos como os de Minas Gerais e outros. No caso de proprietários posseiros, existe a Justiça. Vamos valorizá-la e aguardar. E já que o Brasil ainda tem terras devolutas, assim como terras não-cadastradas no Incra, é hora dos sem-terra encararem o trabalho, arregaçarem as mangas e abrirem novas fronteiras, que eles caminhem para o centro e norte deste imenso Brasil.

YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá

Invasores

Assim deve ser tratado este tipo do movimento dos sem-terra. Como esta gente pobre e ignorante vai nas idéias de certos políticos e pessoas que não batem bem de cabeça ou querem aparecer na mídia e não conseguem por outros meios? Induzem pessoas humildes a sair de onde estão para se aventurar e obter o que querem na marra, nem se for para morrer nesta aventura de entrar e destruir o que foi construído pelo trabalho dos legítimos proprietários de terras. Li na Folha de Londrina as aventuras de certas famílias como a da dona Neverciana dos Santos que vive no acampamento com os filhos e diz ser difícil a vida. Por que, então, não muda? Pelo que vejo esta senhora ainda é nova, programe seu futuro para melhor, saia dessa vida porque pelo que observei a senhora não foi feita para ser agricultora. Outra senhora, dona Glória, diz fazer 24 anos que luta para conseguir alguma coisa e nada dá certo. Dou a resposta: nem por isto vá tirar o que não é seu. Vamos lutar de outra forma. Há famílias empregadas em chácaras com casa, luz, água e os filhos nas escolas, atendimento médico. Eis que ouvem alguém que diz para terem suas próprias terras. Os cabeças fracas vão na conversa e daí é o que se vê neste país: MST. Não devemos ficar com dó, eles sofrem porque querem.

THEREZA MARIA BARROS (aposentada) - Londrina

MST e impunidade

Quero aqui expressar a minha discordância em relação às reflexões apresentadas na seção de cartas deste jornal no último dia 27. Imagino que nós somente vencemos a violência quando prescindirmos de preconceitos, prepotência, arrogância e vermos no diferente seja ele quem for, um irmão, um amigo e sobretudo imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 27). Afinal, quem faz/promove chantagem neste país? São os sem-terra ou os grilheiros e as grandes multinacionais? Aliás, para quem tem tanta ojeriza ao MST, sugiro que leia o artigo da Marta Suplicy publicado na Folha de São Paulo no dia 21/02/1996 (pág. 1-3).

ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho


Vulnerabilidade

Em tempos modernos pensar em vulnerabilidade é nos conhecermos, nos respeitarmos. A vulnerabilidade é algo que nos iguala em nossos atos como indivíduos, pois todos estamos e somos sujeitos a situações de risco, porém aceitarmos como tal é algo ainda pouco refletido, o ''comigo não acontece'', é muito mais fácil e aceito na concepção de risco. A pandemia do HIV/Aids nos permite repensar que ''comigo também acontece'' e que nossa vulnerabilidade todos estamos sujeitos a uma possível infecção. De forma geral, todas as pessoas que se expõem a uma relação sexual sem preservativo, recebem sangue não testado ou compartilham seringas e agulhas correm o risco de se infectar, mas não só as condições que afetam e aumentam a vulnerabilidade individual estão relacionadas à falta de informação e medidas educativas e eficazes sobre as formas de transmissão e prevenção, não percepção dos riscos de infecção, baixo poder de negociação e auto-estima para adotar medidas preventivas, dentre outras. Mas, ser ou estar vulnerável vai além das escolhas pessoais. No contexto da epidemia de Aids, pensar nas vulnerabilidades nos remete à coletividade. A vulnerabilidade coletiva está relacionada às vulnerabilidades tanto do ponto de vista social quanto programática e são avaliadas sob alguns aspectos: condição sócio-econômica, acesso aos meios de comunicação e aos meios de prevenção, existência e acesso aos serviços sociais, educacionais e de saúde, condições de bem-estar social (escolaridade, emprego, moradia), situação social da mulher e a integração dos órgãos governamentais, não-governamentais e da sociedade civil e da família no planejamento de ações frente ao HIV, na garantia de recursos, execução e continuidade das mesmas. Vulnerabilidade também é consciência.

TATIANE MALAQUIAS (membro da Comissão de Prevenção da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids - ALIA) - Londrina

Correção

- Diferente do que foi publicado ontem, na contracapa da Folha 2 -coluna Sociedade Londrina, o jantar de lançamento da Didática 2005, feito pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná, foi realizado ontem.

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