CARTAS
E o outro lado?
Acompanhando as reportagens e colunas sobre os abusos do MST e lendo a opinião da Folha do dia 24/11, vejo que a unilateralidade dessas matérias não demonstram o que realmente está em jogo na luta pela terra. Nunca li uma reportagem que mostrasse uma obra do MST que deu bons frutos ou então sobre agricultores plantando transgênicos ilegalmente, infringindo leis ambientais ou ainda formando grupos de extermínio em nome da defesa da propriedade. Será que estes ruralistas amantes da ordem não têm interesses pessoais em jogo com a reforma agrária e se preocupam pois não vão mais abastecer a cidade, gerar empregos e exportar? Então, se faz necessário uma maior abertura evitando uma visão que interesse apenas um dos lados e que divida a questão agrária em uma luta entre bons e maus.
LUCAS FRANCO DE PAULA (estudante) - Londrina
N.R.: A reforma agrária é necessária, em muitos casos até mesmo em terras produtivas. A Folha foi o primeiro jornal brasileiro a promover debates sobre reforma agrária, quando, ainda na ditadura militar, o governo apenas acenava com abertura política. As notícias sobre o Movimento dos Sem Terra (MST) expressam ações do próprio MST. A Folha não inventou os dados sobre a devastação de 10.600 hectares de floresta nas fazendas do grupo Araupel. Os dados sobre o tamanho da destruição são de fontes confiáveis. O ''outro lado'' a que se refere o leitor talvez sejam as dezenas de espécies extintas. Quem sabe o Ibama ou o Iap devessem falar por elas.
MST e impunidade
Parabenizo esse periódico pelo editorial ''Impunidade do MST gerando tragédias'' publicado na edição do dia 25. Como produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, creio que a opinião da Folha de Londrina foi fiel aos fatos. Estas colocações mostram à sociedade uma faceta que em alguns casos não é por ela compreendida e aí está a verdadeira função de um veículo de comunicação sério e comprometido com a veracidade dos fatos. Caso como este em questão, ocorrido na Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, Estado de Minas Gerais, será apenas mais um deles, se nossos governantes não se posicionarem a favor do Estado de Direito. Nós, produtores rurais, não temos vocação para o combate armado e nem acredito que desta maneira poderíamos alcançar uma situação confortável para podermos trabalhar. Apenas não podemos deixar que nossas propriedades fiquem à mercê de pessoas, muitas vezes sem vocação agrícola, travestidos de integrantes de movimentos sociais, mas que querem disseminar o caos. Mais grave ainda, é o fato de que num país como o Brasil, que tem obtido superávit financeiro graças ao setor agrícola, permitir uma tolerância tão grande e por tanto tempo com os atos praticados pelo MST. Precisamos que as reintegrações de posse sejam cumpridas de maneira imediata, pois caso contrário, teremos situações como as que ocorreram na região de Guarapuava, nas Fazendas Campo Real, em Candói e Três Marias, em Manoel Ribas, onde casas e barracões foram depredados, animais mortos, objetos pessoais e de uso na propriedade foram roubados. Não queremos que tragédias como esta voltem a ocorrer, mas para que isto aconteça, o Estado precisa ser mais enérgico com a destruição e as chantagens promovidas pelo MST.
CLÁUDIO MARQUES DE AZEVEDO (presidente do Sindicato Rural de Guarapuava)
O Iraque é aqui
Como se já não bastasse estarmos vivendo quase que o mesmo clima do Haiti pelas exclusão social, educacional e virtual, temos agora que enfrentar todo tipo de violência urbana contra crianças, jovens, adultos e idosos dentro e fora de nossos lares. O que vi em todos telejornais foram as imagens que pareciam a invasão americana contra o povo de Faluja. Aqui foi a guerra entre os traficantes na outrora Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Com armas poderosas estouraram os transformadores de energia elétrica, granadas contra policiais, população órfã fora de casa esperando clarear o dia. O que sinto é uma desunião dos governos federal, estadual e municipal que, desorganizados, não conseguem evitar os ataques dos bandidos organizados. Não temos mais como esconder que a violência tomou conta do País. As imagens correm o mundo em tempo real: assassinatos de turistas, população indefesa, bala perdida, crianças e jovens mortos por gangues. Enquanto os governantes estão com seguranças dentro de suas mansões e palácios, o povo sofre e clama por segurança. Não entendo a utopia para conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU buscada pelo presidente Lula. Pagamos R$ 156 milhões para estar no Haiti, não ganharemos os pontos necessários para o CS, estamos usando a fome, miséria e o desespero não só de um povo haitiano, mas também do sofrido povo brasileiro. Os donos do poder continuam nos palácios e bem seguros e o povo está à mercê da violência e ao Deus dará.
JOSÉ PEDRO NAISSER (aposentado) - Curitiba





