CARTAS
Trote cultural
Gostaria de parabenizar as jornalistas Maigue Gheths (Curitiba) e Adriana Savicki (Londrina) pelas reportagens referentes às mudanças nos trotes de vestibulandos da UFPR e UEL, respectivamente, publicadas ontem pela Folha. Esta leitura me fez retornar à década de 70, mais precisamente em 1977 quando iniciávamos o curso de Engenharia Civil na UEL. Tivemos um trote muito interessante naquele ano: um professor de Física ministrou uma aula bastante complexa de Física Quântica, alertando-nos da necessidade de adquirir vários livros importados e caríssimos. Todos nós, carecas com muito orgulho, acreditamos e ficamos assustados até o final da aula quando foi revelado que tudo era um trote. Ah, que saudades daquele tempo! Pena que nos dias de hoje algumas tradições não foram seguidas: no início da mesma década os aprovados na UEL utilizavam bonés da cor do curso, exemplo: Medicina, boné branco; Odontologia, boné vinho; Engenharia, boné azul e assim por diante. O momento de alegria em excesso nos leva a atitudes inesperadas. Eu mesmo consegui correr descalço e sem camisa, do Colégio Canadá até minha residência a 2000 metros, com muito entusiasmo, na noite do resultado do vestibular. Confesso que, refletindo hoje, acho que este momento de energia e felicidade poderia ter sido transformado em alguma forma de campanha de alimentos, doação de sangue ou coisa parecida. Como este momento antecede em pelo menos 30 dias o início das aulas na universidade, os cursinhos poderiam também tomar estas iniciativas. Pedir esmolas pelas ruas, pagar pedágio aos veteranos e submeter os calouros a um banho de lama realmente são procedimentos primitivos e não concernentes a futuros profissionais. Raspar o cabelo por uma conquista numa etapa da vida, sem ser favorecido por nenhuma reserva de cotas, desde que de forma voluntária é um prêmio para qualquer jovem.
PAULO KIYOSHI NISHITANI (professor) - Londrina
Rua sem poste
Empresa seguidamente citada como das mais lembradas pelos consumidores por oferecer os melhores serviços, a Copel está falhando em Palmeira (76 km da Capital). Pedido de instalação de poste para uso residencial feito em janeiro, até agora (passados mais de 10 meses) ainda não foi atendido. As alegações vão de ''precisa ser feito por escrito'', passando por ''falta reconhecimento de firma'', até querer cobrar mais de R$ 4 mil (o que não está certo, segundo o Procon) a dizer que ''saiu a ordem de serviço e será executado em 30 dias de prazo''. Vale destacar que o pedido foi feito para a rua Luiz Capraro (esquina com rua Manoel Cristino dos Santos), situada a menos de 500 metros da principal praça da cidade e que tem várias casas em construção. Em resumo: todas necessitam pagar para a Copel pelo resto de suas existências pelo consumo. Houve alegação de que ''seria necessária uma licitação'', mas parece que a idéia é forçar a pessoa a pagar (o que contraria a lei). A solicitação foi feita ao escritório de Ponta Grossa, onde falta inclusive a boa educação.
MÁRIO SCHACTAI RIBEIRO (radialista) - Palmeira
Copel responde
Atendendo solicitação do cliente Mário Schactai Ribeiro, de Palmeira, sobre a instalação de poste residencial para a rua Luiz Capraro, a Copel esclarece que já existe programação para a realização do serviço no próximo domingo, dia 28 de novembro. A empresa coloca-se à disposição do mesmo para qualquer esclarecimento adicional que se faça necessário.
DANIEL GUEIBER (no exercício da Superintendência Regional de Distribuição Centro-Sul da Copel) - Ponta Grossa
Pedágio, até quando?
O pedágio na estrada dura e torta é um sequestro relâmpago, uma afronta ao direito constitucional de ir e vir, um lesa-consciência cidadã. Sem entrar no mérito se a cobrança de pedágios configura bitributação - já não se paga, embutido no IPVA a conservação de rodovias? - o pedágio paranaense é abusivamente caro e não se justifica ante o estado dos maltraçados caminhos curvos e tortos do Paraná esburacado. Poeira de irritar os olhos, declives e aclives aos montões, falta de acostamentos, ondulações, remendos e riscos na pista única (uma só que vai, outra só que vem...), ainda falam em reajustar o preço da estrada pedagiada. Isso é um assalto! Será que o governo vai deixar isso ocorrer? Quem viaja de Curitiba a Paranavaí, por exemplo, paga 7 tarifas de pedágios. Os preços variam de R$ 5,20 a R$ 5,60. Isso para carro simples. Caminhões pagam por eixo ou por roda. O governador disse que ia acabar com essas barreiras infames, divulgou até cartilhas sobre a ''máfia'' dos pedágios, mas eles aumentaram e os preços subiram. O pedágio é um sequestro-relâmpago. No cativeiro dos buracos das estradas, os autores do pedágio exigem como resgate o pagamento compulsório das tarifas. E aí, Requião, não vai acabar o pedágio?
JOSÉ FIORI (jornalista) - Curitiba
Farsa do pedágio
Viajando dias atrás, pude contemplar as megainstalações das praças de pedágio. Como são suntuosas! Pena que obras mesmo, só vi entre Jataizinho e Londrina. Mas, afinal, por que o pedágio entre Ponta Grossa e Curitiba? A estrada está impecável e as concessionárias só tiveram o trabalho de construir as praças de pedágio. Vai ver que quando a estrada ficar intransitável, eles irão devolver para o governo. O que eles fazem é a jardinagem e pintura mais caras que se tem notícia. Sem falar que quando estava voltando para casa, meu irmão pagou 10 centavos a mais e o ''corsário'' fez que não viu. Imagine, então, alguém pagar dez centavos a menos pra ver se passa pela praça? Fiz até uma paródia da música ''A praça'': ''A mesma praça, o mesmo bando, o mesmo carro e asfalto ruim, tudo era igual, mas estou triste porque mais uma vez meteram a mão em mim''.
MÁRCIO DICESAR BENASSI (escritor) - Sertanópolis





