CARTAS
Fim do crime
Todos nós estamos vivendo dentro de um paradoxo: somos cada vez mais prisioneiros da segurança. Precisamos gastar cada vez mais dinheiro com equipamentos, muros, grades, alarmes, empresas especializadas além de restringir nossa liberdade de ir e vir para garantir o direito da segurança que, aliás, nos é assegurado pela Constituição como um dever do Estado. Ou seja, somos duplamente tributados em mais essa questão! Apesar dos impostos que pagamos não vemos melhorias efetivas, longe disso. Cada vez mais temos a percepção de piora, com assaltos à mão armada, roubos e assassinatos em lugares onde nunca se tinha visto tais fatos, cada vez mais próximos de nós. Mas se não pagarmos tudo direitinho, os bandidos somos nós. É lógico que a estratégia de combate ao crime é falha em algum ponto. Acredito que se deveria aproveitar as melhores virtudes do governo para combater o crime e, na minha opinião, uma das coisas que o governo faz melhor é cobrar seu devedores, pois é implacável na busca dos sonegadores. Então aqui vai uma sugestão: profissionalizar a bandidagem! Assim, o bandido seria um profisional liberal que deveria recolher taxas e impostos. Acredito que o índice de sonegação seria elevado e, então, as prisões aconteceriam! Seria assim: bandido que não anda dentro da lei vai preso!
LUIZ FERNANDO BOGLINI CAVALIERI (médico) - Londrina
Educandário
A matéria publicada na edição 18/11 da Folha de Londrina, ''Vistoria no educandário define readequações'', somente vem confirmar a inoperância e muitas vezes incompetência do Estado em fazer o dever de casa. O Educandário de Londrina, uma obra inaugurada há poucos meses e ainda com apenas um terço da capacidade inicial de ocupação realmente utilizada, é um símbolo vivo desta triste conclusão, com inúmeros problemas estruturais: facilidade imensa de evasão dos internos do local, estrutura física inadequada para os fins a que se destina, um verdadeiro castelo de areia de onde são facilmente removidos materiais que se transformam em armas nas mãos dos internos, a declaração da diretora da unidade afirmando que seria menos dispendioso a construção de uma nova unidade a ter que readequar esta em uso. A obra foi projetada pelo governo do Estado, construída com recursos do povo ''e teve a fiscalização do Decon'', com inspeções e sugestões de entidades civis. O Centro de Direitos Humanos na época afirmou que a unidade não era apropriada uma vez que ''tinha todos os aspectos de uma cadeia''. A matéria da Folha em referência informa que no dia 17/11 engenheiros do Decon, que deveriam ter fiscalizado e impedido as falhas iniciais, estiveram vistoriando ''o castelo'' e que serão necessários R$ 336 mil para readequação da obra. É por estas e outras, que o estado brasileiro sempre está criando novos tributos visando fazer frente à incompetência gerencial e à corrupção institucionalizada na administração pública.
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina
Desrespeito
Semana passada, ao levar minha família para um almoço, senti na pele o desrespeito que alguns comerciantes têm para com aqueles que gastam o dinheiro em Londrina. Decidimos que um típico almoço italiano era a vontade de todos. Porém, o que vimos foi um péssimo atendimento, pessoas despreparadas e, em muitos momentos, má vontade. Assim que terminamos, fomos ''incentivados'' a nos retirar. Houve uma total descaracterização do chamado típico italiano. No entanto, a única autenticidade que notamos foi o valor do almoço (mais ou menos 16 reais/pessoa), faltou somente ser cobrado em Euro. Bom, o que se espera numa relação comercial é, no mínimo, respeito. Atualmente, devido ao aumento da concorrência, é imprescindível, para prosperar, que haja qualidade, bom atendimento, preço justo, entre outros requisitos. Sugiro à Folha, a criação de um espaço onde sejam avaliados os serviços de Londrina para que o consumidor não seja enganado.
ANDRÉ AUGUSTO ALBARA (estudante) - Londrina
Demissão de Lessa
Se existia algum motivo para eu acreditar que o governo Lula conseguiria mudar os rumos do Brasil herdado do neoliberal FHC, agora não há mais: ao demitir Carlos Lessa do BNDES, este governo confirma estar entregue ao mercado financeiro. Cedeu, quando não deveria, às pressões de meia dúzia de sanguessugas que não gostam do Brasil - são ''brasileiros'' com alma estrangeira. Detalhe: o erro do Lessa foi ser autêntico, patriota e convicto com suas aspirações nacionalistas. Declarava abertamente que era um ''pesadelo'' a política econômica do faz-de-conta de Palocci, Meirelles e cia. No BNDES, reestruturou tudo, transformando-o num banco público de fomento rumo ao desenvolvimentismo do País, ou seja, a regra era pensar, criar e implantar as condições necessárias para construir um Brasil Grande. Resguardando, dessa forma, o capital nacional, nossa soberania, a renda do trabalhador e a possibilidade de emprego àqueles que foram excluídos pela torpeza de um neoliberalismo idiota e entreguista, durante governos colloridos, fernandistas e agora lulistas. Estes governos nunca tiveram a coragem de libertar o Brasil das algemas desse sistema explorador, pelo contrário, sempre deram continuidade à mesmice herdada de cada um. Nunca responderam às chacotas dos gringos, que continuam achando que a capital do Brasil é Buenos Aires, e que aqui continua sendo o país do futebol, do Carnaval e turismo sexual. Ora, é preciso ter sangue de barata pra aceitar esse tipo de colocação - mas tem gente que tem. O mais irritante, além da demissão do Lessa é que esse governo foi eleito para mudar a cara do Brasil: sem FMI, sem desemprego, sem violência, sem currupção... nada disso aconteceu. Tudo indica que esse governo - que odeia ser rotulado de neoliberal - passará dessa pra melhor em 2006. Enquanto isso, os sapos barbudos terão que engolir a teimosia nacionalista dos ''jurássicos'' sem parque.
ANTÔNIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO (engenheiro) - Curitiba





