CARTAS
O que é ilegal?
Ao assistir o jornal de uma rede de TV local deparei com a seguinte manchete: ''Policiais prendem ambulante que vendia goiaba''. Alguns minutos depois, neste mesmo jornal, uma entrevista com um juiz local sobre a lástima em que se encontram os presídios de Londrina. Qual é o problema que mais nos preocupa? Qual é o problema que mais nos afeta? O que nós londrinenses esperamos de nossas autoridades? Certamente, a resposta não é prender ambulantes que estão vendendo mercadorias nas ruas. Não quero entrar na questão do papel dos policiais que estão ''cumprindo ordens''. Também não cabe discutir sobre a ilegabilidade do trabalho destas pessoas. É certo que esse vendedor não paga impostos, mas quantas bocas ele tem para alimentar? Alguém pensou nisso ao prender seu ''ganha-pão?'' O que quero ressaltar é que entre vivermos em uma sociedade ideal onde todas as pessoas trabalham honestamente, pagando seus impostos em dia, sem violência, roubo, etc., e vivermos em uma sociedade na qual estamos hoje com tantos roubos, assassinatos, tráfico de drogas, etc., há uma considerável diferença. Há tantos outros problemas prioritários a serem resolvidos. Vamos nos preocupar com os ''grandes'' crimes que vitimam toda a sociedade. Vamos fiscalizar as pessoas que, em vez de ''vender goiabas'', estão cometendo crimes muitas vezes irreversíveis. Pensem nisso, autoridades!
ANA PAULA DA SILVA (auxiliar administrativo) - Londrina
Cotas na UEL
Ninguém até hoje precisou de escola para entender a importância de uma sociedade com direitos iguais. Todas as lutas e conquistas por igualdade, marcadas pela história durante séculos, estão sendo apagadas a respeito do que é direito para todos: uma formação acadêmica reconhecida. Cor da pele ou posição social não determinam oportunidades diferentes. Ninguém precisa de colégio particular ou ser considerado branco para conseguir cursar uma faculdade pública. Não há escola alguma que possa garantir vagas em universidades se nenhum aluno estudar. O que determina a aprovação é o esforço de cada um, pois não há quem não tenha dificuldade, seja negro ou branco, rico ou pobre. Que credibilidade terá um profissional formado em uma universidade estadual por meio de cotas? Como evitar o preconceito perante os alunos em sala? Como evitar a revolta daqueles que dignamente estudaram e não conseguiram ser aprovados devido à alta concorrência? Como evitar a discriminação perante a sociedade ao aceitar ser classificado incapaz devido sua cor ou posição social? É revoltante pensar que algumas pessoas são capazes se submeter a essas condições depois de tudo que aconteceu na história. Ninguém gostaria de ser taxado como negro quando era escravo ou como plebeu em uma sociedade burguesa. Além da vergonha daqueles que viram nisso uma oportunidade, é inaceitável uma universidade conceituada como a UEL assumir essa posição discriminatória. Gostaria de saber se futuramente a reitora da UEL ou sua família fariam consulta com um médico formado por meio de cotas.
ELISA LAURENTI (estudante) - Londrina
Nome de cachorro
Um dos legados da cultura ocidental é a declaração de direitos do homem e do cidadão de 1789. Em seu artigo 5º se lê: ''A lei não pode proibir senão as ações prejudiciais à sociedade''. Passados mais de 200 anos e tanto sangue derramado, seus ensinamentos deveriam ter-se cristalizado de tal forma no espírito de nosso povo que não seria necessário lembrá-los. Como se não bastasse o conselho de que as leis devem ser poucas e boas, que nada adiantou, pois vivemos naufragados em meio a uma ''inflação legiferante'', surge um pretenso paladino da dignidade humana, o deputado pastor Reinaldo (PTB-RS), com um projeto que proíbe o nome de pessoas em bicho de estimação. A revista Veja de 10 de novembro publica que o cachorro de Adriane Galisteu se chama Jorge, o de Betty Lago se chama Bruno, a cachorra de Ana Maria Braga se chama Vivian. No preâmbulo da Constituição Federal já existe o compromisso em instituir um Estado Democrático destinado a assegurar o exercício dos direitos individuais e da liberdade. Este mandamento tem como um de seus destinatários o próprio legislador, que afronta a Carta Magna ao negar a liberdade do cidadão de chamar seu cachorro como bem entende. Portanto, salvo melhor entendimento, temos um projeto eivado de inconstitucionalidades, que pelo bem de nossa sociedade não deve prosperar. Lembro-me, quando garoto, encontrei um cachorro e levei-o para casa. Depois de alguma resistência meus pais aceitaram-no. Mas, quando quis batizá-lo com o nome de Aristeu, o veto foi unânime. Meus pais têm um compadre com o mesmo nome e se tratava de ofensa grave ao irmão de meu tio João. Logo, eu deveria mudar de idéia. Conformei-me. Mas quando na prova de História Geral perguntou-se quais foram os três maiores sábios da Grécia Antiga consignei o meu protesto: Sócrates, Platão e Aristeu.
JOSÉ NEURE BERTAN (jornalista) -Londrina
Yasser Arafat
O mundo assistiu perplexo os dias de agonia que culminaram com o triste passamento do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. De tanto lutar pela paz em seus territórios, Arafat ganhou o prêmio Nobel da Paz. O que deixa o mundo pensativo é o fato de haver fortes possibilidades de que esta personalidade, que jamais será esquecida, teria sido vítima de um crime de envenenamento. Isto é profundamente lamentável.
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba





