O julgamento das urnas

Muita gente, inclusive alguns ''especialistas'', diz que o eleitor brasileiro não sabe votar, não tem memória. Mais uma vez, a resposta foi dada, de forma inequívoca. O brasileiro sabe votar e tem muita memória. Quem não tem, são alguns políticos que insistem no populismo e agem de forma arrogante e prepotente. Não sou cientista político, nem sociólogo, muito menos pretendo ser o ''dono da verdade'', mas, como jornalista há quase 20 anos e cidadão há 41, acredito ter o direito de opinar. Durante toda a campanha (e meus companheiros podem ratificar), disse que o povo faria o julgamento nas urnas. E ele foi feito. Não só em Londrina, onde o eleitor deixou claro que não aceita mais a corrupção e o desmando. Em outras cidades, do Paraná (vide Curitiba e Maringá) e do Brasil (principalmente São Paulo), também houve julgamentos. Candidatos que agiram com arrogância, prepotência e de maneira isolada, foram derrotados. Aqueles que fazem promessas somente no tempo da eleição, também foram julgados, e derrotados. Espero que os políticos abram mais os ouvidos e ouçam as vozes que saíram das urnas. Elas são muito elucidativas. E, vamos acabar com essa conversa de que o brasileiro não tem memória e não sabe votar. Isso, como dizíamos na época da infância, é desculpa de derrotado. O julgamento foi feito e, graças a Deus (como gostam de dizer alguns políticos), foi muito bem feito.
DEVALDO GILINI JÚNIOR (jornalista), Rolândia

E agora?
Londrinense, não se deixe enganar pelo resultado das urnas. O que precisa ser discutido nos próximos meses, durante a transição de governo que não ocorrerá, é o resultado do processo eleitoral como um todo. Não há dúvida de que uma vitória de Antonio Belinati seria um retrocesso para a cidade. No entanto, nada nos garante que a continuidade de Nedson Micheleti na prefeitura seja sinônimo de progresso. O fato de Nedson ter sido o primeiro prefeito reeleito na história da cidade tampouco lhe confere carisma ou competência. O custo de sua vitória, vai muito além dos acertos com a militância paga. A falsa unanimidade política criada em torno de sua candidatura no segundo turno compromete mais uma vez o cenário político municipal. Recado para vereadores e deputados estaduais e federais: os londrinenses exigem uma oposição política cotidiana e atuante. Denúncias e discursos simplesmente eleitoreiros continuarão a levar para o segundo turno os donos das maiores rejeições. Londrina será, a partir de janeiro, a maior cidade do Sul do País governada pelo PT e a maior do Paraná ''apoiada'' pelo governador. Este pode ser o cenário ideal para que o prefeito deixe descansar o discurso da honestidade, que nem deveria ser utilizado como diferencial político, e assuma uma postura de administrador público competente e realizador. Precisamos pensar esta cidade grande. Londrinense, não se satisfaça com benefícios federais distribuídos a esmo. Não se esqueça da violência, da falta de remédios, do desemprego, dos ginásios inacabados, do trânsito caótico, do Wal-Mart. Não se deixe enganar pelo resultado das urnas. Pergunte-se desde já: ''e agora?''.
FÁBIO MANSANO (jornalista) - Londrina

Arma x adolescente
A Ciranda - Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência parabeniza o jornalista Luciano Augusto pela reportagem ''Arma com adolescente é sinônimo de tragédia'', publicada pela Folha de Londrina no dia 29/10 (Caderno Cidades página 3). A necessidade de inserir na sociedade a denúncia, discussão do problema e a busca de solução é um dos principais desafios da área social e também dos profissionais e meios de comunicação. Junto a isso, buscar essa solução perpassa, obrigatoriamente, a possibilidade de perceber meninos e meninas como pessoas em desenvolvimento que, com um trabalho efetivo de recuperação, podem voltar ao convívio social saudável. A discussão constante, ética, profissional e propositiva é o que pode expor as diversas dimensões do problema e da solução. A utilização de diversas fontes para a construção da matéria, do Estatuto da Criança e do Adolescente, a busca de solução para o problema apresentado e a não-utilização de termos pejorativos contribuíram para que a matéria tivesse uma excelente contextualização. São inciativas como a de vocês que nos auxiliam a qualificar a cobertura jornalística sobre as questões da infância e adolescência, influenciando no pensamento do público e colaborando para construir novos valores na sociedade.
CENTRAL DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA - Curitiba

Eleições nos EUA
Respeito a idéia do editorial (''Uma eleição que interessa ao mundo'', publicado ontem), mas acho que, em civilizações como a sub-sahariana, onde quase todos os países estão em guerra civil, ou não tem luz e água na torneira, e como na China, onde para conhecer os encontros entre chineses e chineses muçulmanos precisamos ouvir testemunhas oculares, senão o Partido Comunista não deixa saber nada, a eleição americana interessa pouco ou nada. Além disso, o editorial declara que ''um presidente democrata, nos EUA, sinaliza para mais paz'' e que o Clinton, no mandato de ele, não molestou ninguém. Isto é errado. Clinton mandou tropas na guerra da Sérvia-Kosovo, pegando a defesa dos muçulmanos e abrindo uma grande janela para as invasões dos muçulmanos dos Balcãs para a Europa. Em cima disso, o Kennedy, sempre democrata, lançou o ataque ao Vietnã. Que durou mais de dez anos. Se o editorial acha que o mundo ganha em paz com um presidente dos EUA democrata, acha bem mal.
AUGUSTO MOROSI (empresário) -Londrina

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